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Por João Bernardo Caldeira
A imagem de "viciados eletrônicos" desagrada alguns profissionais, mas há quem admita que a M.E. cresceu em função da popularização do Ecstasy.
As batidas empolgantes fazem necessariamente parte das raves - as festas da música eletrônica - que levam os "clubers" a dançar até o sol raiar.
Sem exagero, é mais do que normal os DJs tocarem até às 6h, 7h ou até às 8h da manhã do dia seguinte. O Skol Beats, por exemplo, promete acabar só às 6h. Além da música que não deixa ninguém ficar parado, qual será o segredo para tanta energia? Para alguns, o Ecstasy ou apenas ‘e’, uma droga que já está associada ao universo eletrônico e é capaz de eletrizar seu usuário por uma noite inteira.
Mas existem aqueles que fazem questão de distinguir a imagem da música e da droga. É o caso do consagrado DJ Marky: "esse negócio de associar música eletrônica com as drogas não tem nada a ver. Isso é uma opção de cada um. A mídia é que associa."
Cabbet Araújo, produtor da Bunker 94, no Rio, concorda com o DJ: "Trabalho com música eletrônica há cinco anos, danço a noite inteira e não uso Ecstasy. Tenho vários amigos que tomam para ir dançar forró. A cocaína é muito mais consumida do que o Ecstasy, só que a mídia diz que o Ecstasy está ligado à música eletrônica".
Dá pra entender os que tentam desfazer a imagem de "drogados eletrônicos". Admitir que os freqüentadores das raves tomam droga para escutar música eletrônica seria o mesmo que dizer que a música não importa muito, é apenas um acessório. "Não faço música pensando no cara que vai tomar um Ecstasy e achar a minha música muito louca. Quero que o cara goste da minha música quando ele também está em casa, ou no carro, normal", completa Marky.
O DJ Markinhos Meskita, que começou há oito anos no extinto Botanic, vai tocar no Skol Beats e é residente da festa Febre (às sextas, no Les Artistes), concorda: "Já vi gente deixar de ir para as festas porque não tinha droga. Acho isso o fim da picada".
Mas ele vai além e admite que o crescimento da música eletrônica se deve também à popularização do Ecstasy. "Não vou ser hipócrita de dizer que ninguém toma. De uns três anos para cá o Ecstasy se tornou mais acessível e o crescimento da música eletrônica está relacionado à expansão da droga, e vice-versa". Markinhos, que já experimentou, não se diz aficcionado pelo Ecstasy. "Hoje, a minha viagem é a música".
O pessoal do Brazilian Undergroun Movement (BUM), que agita a cena eletrônica na Baixada Fluminense, no Rio, também não se deixa vincular às drogas.
Para entrar no movimento é necessário gostar de música eletrônica, ser confiável, sem preconceitos de sexo, raça ou opção sexual, honesto e que seja bem informado, segundo os integrantes do B.U.M.. Apesar de não recriminarem o uso de drogas dentro do grupo, não gostam da associação: "como em qualquer estilo musical, há o consumo de drogas por pessoas de fraca personalidade, que se deixam levar pelo vício nocivo. O objetivo do B.U.M. é levar música eletrônica de qualidade livre de rótulos", disseram Marcelo S/Pitch e DDChip.
O compositor e conhecedor da e-music, João Rodrigo Chediak, diz que associar a música eletrônica ao Ecstasy é a mesma coisa que associar a maconha à praia. "Pode ter uma galera do Posto 9, em Ipanema, que fuma, mas não é todo mundo. Seria o mesmo que associar o funk ao sexo explícito, que ocorre em alguns bailes. Nem todos os bailes são assim".
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