Frank
Jorge é um guri nascido em 1966. E também é um dos músicos
gaúchos que mais consegue mobilizar o público ao seu redor, dada
sua simplicidade genial. Além de músico, Frank também é
escritor, produtor, compositor, marido e pai. Muitas coisas ao mesmo tempo?
"Normal... não tenho um direcionamento, tudo rola naturalmente.
Meu plano é seguir vivendo. Ser tudo isso é parte do meu cotidiano,
acaba virando uma coisa só. Muito boa, por sinal!" Frank nos recebeu
em seu apartamento para uma conversa informal sobre sua trajetória. E
se mostrou um ser humano amável, simpático (sorri o tempo todo),
caseiro e tranqüilo (menos quando está no palco, onde a adrenalina
toma conta). Ao seu lado estavam a esposa Dani e do caçula Érico
(que, aliás, rendia outra matéria para a Mood. Parece o pai: sempre
rindo. Passou o tempo inteiro brincando com os pais e com o todo o povo da Mood
que invadiu sua casa. Isso que o Érico tem só um ano e meio de
idade).
Começamos
o bate-papo pelo trabalho atual: o álbum solo Carteira Nacional de Apaixonado.
"Eu não alimentava expectativas em relação ao sucesso
do disco, mas sabia que ia gerar interesse". Quando Frank fala sobre este
CD e também sobre seus horizontes como artista, mostra uma intensa preocupação
em fazer um trabalho de acordo com a sua estética pessoal, suas referências
e intenções musicais, para não massificar e manter uma
coerência com seu projeto artístico. "Na banda, não
estamos preocupados com o mercado. Principalmente eu", ri. A declaração
torna-se evidente na primeira audição do álbum, que, assim
como todos os trabalhos de Frank, tem uma identidade própria e marcante.
As gravações de Carteira começaram em 1998 - com dinheiro
próprio - pelo puro prazer de compor, tocar, arranjar e produzir. "Um
pouquinho egoísta." Das músicas gravadas em 1998, 4 entraram
no Carteira, entre elas "Tá na boa", que, por ser executada
há mais tempo em seus shows, é uma das canções mais
bem recebidas do disco.
Frank se diz muito satisfeito
com o resultado. "Umas das primeiras pessoas que elogiou o disco foi
a Fernanda Takai, do Pato Fú. Ela me mandou um e-mail falando tão
bem do CD que eu fui lá ouvi-lo de novo pra ver se era tudo isso mesmo
que ela havia escrito..."
Outro traço marcante
na obra de Frank é a criatividade. Mas, quando perguntado de onde vem
sua inspiração, sua criação, Frank sorri, pensa,
divaga: "Criar? Compor? Compor é tudo isso", diz ele, enquanto
aponta para a TV ligada, que transmite a novela das sete. "É ver
novela, brincar com o Érico, andar pela rua, enfim, o dia-a-dia...
Às vezes acontece de vir a letra na rua, e depois eu faço a
música, e vice-versa. Componho aos poucos, a partir do que estou ouvindo.
Gosto muito de fazer a música pensando no arranjo, também".
Da mesma forma nascem seus textos: fragmentos de tudo o que se capta, multiprocessados
pelo cérebro inventivo de Frank.
Frank começou na
música tocando violão, passou para o baixo e depois pegou o
piano, onde cita Júlio Porto (ex-Ultramen) como um grande professor.
("Tu vê, logo ele, que é um baita guitarrista!") Começou
a levar o projeto mais a sério quando montou a banda Prisão
de Ventre, já ao lado do grande amigo e parceiro Marcelo Birck.
Da Prisão de Ventre,
Frank ingressa nos legendários Cascavelletes. Na primeira formação
era tecladista, mas o acaso acabou levando-o a assumir a guitarra: certa noite,
num bar da Cidade Baixa, seu instrumento foi... roubado. Daí passou
para as seis cordas. Conforme Frank, foi nos Cascavelletes que perdeu a timidez
de tocar no palco e pegou experiência de estrada. Resolveu sair porque
havia uma grande disputa entre o Flávio Basso e o Nei Van Sória,
e ele não tinha espaço para colocar suas idéias. "Não
sou muito saudosista da época dos Cascavelletes, mas aprendi muita
coisa lá". >>>
segue>>>