cerne do barulho nesta capital. Do apartamento, de frente pra rua, o principal ruído que se escuta é o do vai e vem dos carros.Do bar não se ouve nada. Ou quase nada. Quando as janelas estão abertas, a música soa ao longe. Mas o que mexe com o imaginário de Lidyane não é o som, e sim o borburinho das pessoas na fila para entrar. Freqüentadora do bar, para ela a diversão está em controlar o movimento da casa. Quantas vezes não ficou observando da janela as figurinhas que passam em direção ao bar... "Já aconteceu de eu ver o povo na rua à 1h30min da madrugada, tomar um banho e ir para a festa", confessa. Essa praticidade pode ser um ponto favorável para quem é vizinho de bar.
Não é preciso gastar com condução, por exemplo. E assim, sobra grana para mais uma cerveja - diriam os beberrões -.
No entanto, nem todo mundo tem o mesmo ponto de vista. Saindo das ruas movimentadas e chegando a uma parte sossegada e residencial da cidade, encontrei Henrique Vieira, estudante e vizinho de fundos do Barbazul, um barzinho bastante agitado do bairro Petrópolis. Da janela da sala ele escuta os atendentes do bar arrastando engradados de cerveja durante a madrugada. O barulho o incomoda.

"Acho que até por causa disto não freqüento o bar", diz. Uma enfermeira que não quis ser identificada mora no quinto andar do mesmo edifício, em um apartamento de frente. Para ela, o pior barulho é o das pessoas saindo das festas. Solução: colocou vidro duplo nas janelas para diminuir o volume das conversas.

Outra reclamação era o caminhão que passava para recolher as garrafas logo cedo, atrapalhando o sono de quem estivesse dormindo. A atitude amigável de consultar o pessoal da casa solucionou o problema.

"Agora o caminhão passa mais tarde e podemos dormir um pouco mais", comemora. Um ponto a favor do bar é a segurança que este oferece aos moradores da rua. "Tem gente cuidando o dia todo. Mas, se eu pudesse optar, ainda preferiria colocar uma guarita em frente ao edifício a ter a companhia do bar", enfatiza a enfermeira. Não teve jeito. Qualquer argumento parece fraco para este pessoal que, pelo visto, não é muito de festa.

 
A convivência entre bares e vizinhos é, sem dúvida, um assunto controverso. Há vizinhos que reclamam dos bares, há bares que reclamam dos vizinhos. Há quem não se importe em dividir espaço e há aqueles que até gostam. Minha incumbência, digamos, era encontrar estas pessoas. Iniciei minha peregrinação por ruas movimentadas, onde o trânsito é, costumeiramente, mais barulhento que qualquer bar ou boteco.Nestas andanças, encontrei Lidyane Araújo, uma jornalista festeira como poucos. Lidy, como é conhecida pelos amigos, mora ao lado do Cabaret Voltaire, na Avenida Independência,