A
seguir veio "A Gaiola das Loucas", de Edouard Molinaro. Sua trilha
conta com um tema principal apropriadamente alegre e dançante, porém
o resto deixa a desejar. Ele assinou a música de "Così Come
Sei", de Alberto Lattuada, contendo pelo menos duas boas melodias desenvolvidas
de uma forma preguiçosa e lenta, como se o próprio compositor
estivesse com a paciência esgotada de tanto escrever a mesma coisa. Ainda
assim, a performance do habitual colaborador Oscar Valdambrini (trompete e flugelhorn)
assegurava um toque superior ao produto final. Finalmente, a música de
"L'Umanoide", de Aldo Lado, denotava que Morricone ainda tinha muito
a dizer. Uma pena, entretanto, que seu trabalho acabasse atrelado a filmes que
não o mereciam, como esse insignificante clone de "Guerra nas Estrelas".Mesmo
trabalhos bastante comentados como "La Banquiere" não se
sustentam quando comparados aos anteriores. E ninguém consegue explicar
o que o compositor estava fazendo em "A Ilha" ou "Windows",
dois filmes assustadores de tão ruins, pois nunca se imaginaria que
ele deixasse de musicar filmes italianos medíocres para trabalhar em
filmes americanos ainda piores. Do período, pouco se salva. "Il
Prato", sua segunda e última colaboração com os
irmãos Taviani, é música de qualidade, enriquecida pela
flauta de Marianne Eckstein, e merecidamente foi agraciada pelos críticos
da indústria fonográfica italiana. Já "O Bandido
dos Olhos Azuis" beneficia-se de uma trilha jazzística excitante.
No entanto, no quadro geral, tinha-se a impressão de que Morricone
era um compositor decadente, destinado a sobreviver escorado em seus antigos
sucessos. Era como se sua carreira tivesse terminado precocemente e ele se
arrastasse escrevendo pastiches de obras anteriores. A situação
não mudaria tão cedo. Somente lá pela metade da década
seguinte ele reinventaria sua música para retornar em grande estilo.
A SEGUIR: Ressurreição -- Os Anos 80
Referências:
(1) Resenha publicada em Musica sul Velluto #70 de outubro de 1994, p.10.
(2) Em documentário sobre o compositor, dirigido por David Thompson
e exibido na BBC em 1995.
(3) Em entrevista a Loris Curci e Claudio Fuiano em Fangoria #135 de agosto
de 1994.