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Por
Anderson Oliveira
Tudo
bem. Sair com os amigos é legal. Passar uma noite maravilhosa ao
lado da pessoa amada é fantástico. Mas dormir é muito
bom.
É
a melhor coisa que se pode fazer depois de um dia estafante no seu McJob
ou depois de um programinha mais agitado (a definição de
agitado fica por sua conta). E quando dormimos, sonhamos. Sonhamos com
paisagens paradisíacas, com cenas ininteligíveis, pessoas
que conhecemos, que já se foram ou que nunca vimos na vida. Sonhamos
até mesmo com a própria morte. Mas as grandes perguntas
que permeiam este mistério noturno, e todo mundo já deve
ter pensado nisto, é: o que é exatamente um sonho, e por
que sonhamos?
A
resposta não surge tão fácil quanto a pergunta. Os
sonhos são estudados de diversas maneiras, sob diferentes aspectos.
E essa diversidade implica também em diferentes interpretações
para cada sonho ou para cada função do sonho no sono nosso
de cada dia. Por acreditar que os preceitos mais lógicos do estudo
sejam os baseados na psicanálise, vamos abordar o tema sob este
aspecto.
Numa
definição prática e simples sobre o assunto, o sonho
nada mais é que uma história que a pessoa assiste ou até
mesmo toma parte durante o sono. E apesar de serem acontecimentos imaginários,
a ciência já provou que os sonhos estão intimamente
relacionados com as experiências diurnas e a realidade das pessoas
que vêem estes "filminhos" durante a noite. Freud, o mestre
da psicanálise, acreditava que os sonhos são uma forma bastante
particular de pensamento, que só é tornada possível
devido as condições propícias do sono.
O
que o sonho busca, segundo a psicanálise, é solucionar conflitos.
Conflitos gerados por desejos que não foram plenamente satisfeitos
durante o dia ou momentos anteriores da vida, até mesmo (e principalmente)
da infância. Logicamente estes sentimentos não se localizam
numa área de "livre acesso" da memória das pessoas,
mas sim no seu inconsciente. (Para situar: a mente humana é dividida
em duas partes distintas chamada de consciente e inconsciente. O consciente
é aquilo a que nossos sentidos habitualmente tem acesso, enquanto
o inconsciente é a verdadeira realidade psíquica, algo desconhecido
quanto a realidade do mundo exterior, segundo Freud.) E vivendo com estes
desejos insatisfeitos, as pessoas viveriam psicologicamente perturbadas.
Freud
diz que as características do sono são ideais para que se
atinja o inconsciente com maior facilidade. Desta maneira, com os desejos
saindo de um estado de censura determinado pela consciência, os
conflitos internos de insatisfação viriam a tona, impedindo
uma noite de sono tranqüila. O sonho busca satisfazer este desejo
assim que ele surge, impedindo este sentimento de se instalar no consciente.
Assim, o sonho acaba por facilitar o sono, já que temos uma sensação
de desejo satisfeito, embora mentalmente. O sonho surge pela necessidade
que todo ser humano tem de dormir e para satisfação de seus
desejos reprimidos por uma censura pessoal ou imposta, funcionando como
um guardião, garantindo o sagrado descanso de oito horas diárias
(às vezes menos, dependendo de quem está com você,
mas isto é outro assunto).
Os
sonhos se originam de estímulos externos ou psicológicos
que a pessoa que sonha recebeu. Compreende eventos e sensações
que a pessoa experimentou durante seu dia ou até mesmo durante
fases anteriores da vida. A maior parte delas vem com certeza da infância.
Mas o desejo não aparece tão escancarado assim no sonho.
Ele sempre aparece sob uma espécie de disfarce, uma deformação.
Segundo
Freud, isto vem da interpretação das pessoas aos seus desejos
e temores que aparecem nos sonhos. Por isso não existe uma maneira
ou uma fórmula que possa ser utilizada para interpretar sonhos:
elas variam de acordo com desejos reprimidos e interpretação
que cada inconsciente faz destes desejos. A consciência das pessoas
comanda uma espécie de censura que impede a aparição
deste sentimento descaradamente. Este mascaramento se dá de duas
formas: condensação e deslocamento.
Na
condensação, diversos sentimentos e desejos podem aparecer
fundidos em um único sonho. Por exemplo, você está
se sentindo acuado no trabalho, sem dinheiro para pagar as contas, brigou
com o (ou a) namor e se sente sozinho. Então você sonha que
está acuado em uma pequena caixa, sufocado, sem achar a saída
(tá bom, é meio cretino, mas dá pra entender o exemplo,
né?).
O
deslocamento do sonho significa utilizar um termo pelo outro. Isso surge
por influência da censura psíquica. Você sonha coisas
que podem não fazer o menor sentido à primeira vista, mas
que tem a ver com desejos reprimido - embora não se perceba, pois
esta censura impede que o consciente saiba qual é. (Eu não
sei porque esta censura existe, mas me pergunto: como satisfazer meus
desejos reprimidos sem saber quais são eles?)
O
importante disso tudo é entender que um sonho nada mais é
do que a realização um desejo reprimido. E que compreendê-los
envolve muito mais do que comprar um simples livrinho de interpretação
de sonhos. Eu com certeza, depois de ler tudo que li para escrever essa
matéria, vou começar a prestar mais atenção
nos meus sonhos e tentar interpretá-los. Se bem que me conhecendo,
não parece uma boa idéia...
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Por
Tiago Casagrande
Nós
sonhamos muito?
Muitas vezes por noite, e principalmente nos estágio REM do sono.
Para quem não sabe, uma noite bem dormida se divide em ciclos de
sono N-REM (não-REM, subdividido em 4 níveis de profundidade,
e REM (que é caracterizado pelos movimentos rápidos dos
olhos, ou rapid eye movement - daí a sigla.) O sono REM ocorre
aproximadamente de 90 em 90 minutos e dura de 10 a 30 minutos - e nesse
período, sonhamos o tempo inteiro. O que não significa que
não sonhemos nos outros "tipos" de sono; nos 4 estágios
de sono N-REM, também é freqüente ocorrerem sonhos.
Por
que raramente lembramos de nossos sonhos?
Porque quando sonhamos, ativamos os estados sub e inconscientes da mente
- e suas experiências não ficam gravadas na chamada memória
de curta duração do cérebro. É por isso que
você só se lembra de um sonho quando acorda no meio dele
- a interferência do consciente ativa a memória, embora ainda
seja fugaz. Se quiser lembrar do sonho, ao acordar tente relembrar os
eventos vividos, ou anotá-los.
Pesadelos
são freqüentes?
Muito mais do que você consegue lembrar. Quando nos acordamos em
meio a um pesadelo, é porque ele era muito ruim - e despertamos
com as mesmas sensações experimentadas. De acordo com pesquisas,
aproximadamente 13% dos sonhos tem a ver com ansiedade; 9%, com surpresa
e raiva; 7%, felicidade; 5%, tristeza; e 2%, vergonha.
Não
lembro do que estava sonhando, mas acordei excitado(a). Era um sonho erótico?
Não necessariamente. O fato é que durante o sono REM, os
órgãos sexuais do homem e da mulher ficam excitados (em
95% dos casos). Por quê? Ainda não há explicação
científica.
Tem
gente que consegue sentir cheiros nos sonhos, mas isso nunca aconteceu
comigo. Sou normal?
Sim! O sentido olfativo só é ativado em menos de 2% dos
sonhos - assim como o tato e o gosto. Ao contrário, a audição
é sentida em 64% dos sonhos, e a visão, 100%.
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