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| Leva
mais ou menos de um mês a dois para você se dar conta que está
efetivamente morando sozinho. A mudança, coisas para consertar na
casa, todos os perrengues possíveis se alternam em harmonia com festinhas
e uma constante máfia de amigos. Um dia, num domingo de tarde, com
uma bigorna na cabeça, você percebe que aquela pocilga cheia
de lata de cerveja pelo chão é a sua casa. Você faz
algo inusitado: cata todas as latas, varre a casa, lava a louça e,
no final, olha orgulhoso para ela. E ela - só no feminino dá
a devida noção de proteção - é toda sua
e te envolve como um abraço. Isso até a hora que aquele seu
camarada que divide apartamento com você acorda de cueca, cabelo em
pé e arrotando - acabou a magia.
Grande parte da galera que sai de casa acaba dividindo o espaço com uma ou mais pessoas. É o imperativo da grana, qualquer papa da economia sabe que onde come um, comem dois facilmente (só não contaram para os economistas de Brasília). Aí você percebe que essa experiência está sendo duplamente construtiva: montar e curtir um espaço com a sua cara, mas aprender a conviver com as manias e chatices do seu co-habitante e ele com as suas, em um árduo esforço de criar uma comunidade, uma espécie de contrato social. Mas como contratos são feitos para serem quebrados, a adaptação é difícil e demora um tempo para vocês acertaram os ponteiros. Afinal uma hora vocês vão ter que dividir tarefas. Luz, gás, telefone, condomínio, compras, aaaaaahhhhhh..., mas não dá faltar papel higiênico! Então é melhor que tudo fique bem acertado, para não rolar aquele velho "deixa que eu deixo". Assim, de repente, você se vê enrolado com questões que até um tempo atrás você achava o cúmulo da preocupação "pequeno-burguesa", do tipo: "tenho que ligar para o bombeiro para desentupir a pia da cozinha", ou "pô, a empregada não varreu debaixo da cama!". Você resiste. De repente, no entanto, você percebe que consegue trabalhar à vera, sair à noite, fazer aquela aula que gosta, e ainda cuidar de cada pentelhação que a sua casa apronta. Mas até que você não se aporrinha mais, pois cada vez mais a sua casa te dá prazer. Com o tempo, você percebe que está saindo menos, que seu quarto é seu universo pessoal e que te dá o maior prazer ficar em casa naquele dolce far niente, com um livro, um cigarro e quem sabe até um vinho. Se súbito você olha para trás e percebe como essa experiência te mudou, te amadureceu. Parabéns, você está menos crítico e mais feliz. Você pode se considerar adulto, sabendo, intimamente, que seu espírito de criança não morreu.
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esquemas apresentados a seguir são um guia para você se prevenir
antes de embarcar nessa nau e não ter que voltar correndo para o
porto seguro. Lembre-se que os números abaixo, por mais pornográficos
que parecem ser, são a pura verdade, pelo menos para a cidade do
Rio de Janeiro. Lembre-se também que esses valores apenas incluem
aquelas coisa que você nunca pagou na casa dos pais, excluindo noite,
birita, comer fora, cinema e todas as outras coisas que não se referem
à casa, ou seja, você começa o mês com menos esse
valor individual que está relacionado abaixo para cada categoria,
de acordo com a sua bala na agulha.
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