Imaginem que alguém chega e pergunta por um só adjetivo que caracterize o ser humano. Apenas um, que englobe sentimentos, pensamentos, atitudes. Pedido difícil? Sim, mas não impossível. Muito provavelmente, ao tentar tal façanha, chegaríamos a chamar o homem de "insatisfeito". É triste concluir isso, mas também inevitável. Normalmente nos pegamos pensando em como a vida seria melhor "se eu estivesse no lugar do outro, vivesse como o outro, pensasse como o outro, fosse o outro". Outro esse, verdade seja dita, constituído por uma colagem de ideais nossos. Afinal, não existe um outro absoluto e perfeito.

Indo além, numa tentativa de convergência deste tema, nos deparamos com um aspecto ainda mais específico para "insatisfeito": a insatisfação humana acontece, principalmente, no amor. Claro que não temos a intenção de generalizar (apesar de já generalizando), mas é como se a busca por alguém fosse eterna - esse alguém nunca pode ser a pessoa que está na sua frente.

Que se pense que isto é um lamento, tudo bem. Mas a verdade é que é apenas uma constatação de fatos, de frases soltas que são ouvidas por aí, nas esquinas do lamento. "Quem nunca fez isso, que atire a primeira pedra", diria alguém lá no fundo, e nós sabemos que pedra alguma seria jogada para o alto. Todos, em algum momento, se deparam com a infelicidade amorosa - mesmo após ter desejado muitíssimo aquela pessoa e aquele momento. Simplesmente, quando menos se acredita, o sentimento foi embora, se esvaiu. E, então, surge a necessidade de recomeçar - ou continuar - a trajetória maluca desta "busca".

Agora, para conseguir definir esta "busca" nos vemos num beco de teorizações. Porque raramente as pessoas estão contentes com o que têm, e saem de modo inconseqüente na procura por algo melhor. Pensando em um contexto histórico, devemos considerar o fato de vivermos em meio a uma sociedade absolutamente consumista e descartável.

Para qualquer desejo, as opções são variadas. Cores, formatos, valores, tudo, tudo, tudo em demasia. Assim, queremos cada vez mais em quantidade, diversidade, e rapidez. É a lógica do consumismo total deste momento contemporâneo, com oferta dinâmica e instantânea de produtos. Claro que, ao conceituarmos produto, estamos falando de qualquer coisa que satisfaça a necessidade humana: objetos, viagens, serviços e... pessoas. Ou melhor, imagens de pessoas, porque é muito triste pensarmos que pessoas são produtos. Mas esta tem sido uma realidade atual - somos tratados como produtos, comestíveis, degustáveis e, após um tempo, jogados fora. "As pessoas estão exigindo resultados imediatos a cada dia. Nenhuma paciência, nenhum investimento no ser humano ou no amor", constata Ângela, 45 anos.

Entretanto, algo que tem tornado o homem ainda mais insatisfeito é o fato de nos encontrarmos em um verdadeiro paradoxo. Apesar deste estado consumista e imediatista, ainda somos muito presos aos valores tradicionais e temos estes como parâmetro. Todos querem um lar, uma família, um amor. "Vivemos em conflitos com a realidade. Daí a necessidade de perguntar cada vez mais: como é que eu faço?", diz Eduardo, 31 anos. Eterna angústia, dúvida, questionamento e teorização. Muitas vezes, o contexto no qual o sujeito se encontra acaba pesando mais, a despeito do sentimento. É comum ouvirmos "tenho medo de me envolver", fazendo com que situações legais desçam por água abaixo.

Daí, surge uma nova característica a ser apontada: o problema da comunicação entre as pessoas. Problema este causado, principalmente, pela falta de compreensão do que a outra pessoa está falando e pensando. Para Bárbara, 21 anos, a história é bem pragmática: "uma coisa que significa x para um pode significar exatamente o oposto para outro.