Ou coisas que não significam nada para um, significam muito para o outro". E, então, voltamos à questão da falta de paciência de tentar entender o parceiro. Basta um empecilho para que o relacionamento morra na praia. E isso não tem o menor problema, pois são tantas as opções de pessoas ao nosso redor... "para que se estressar?".

Estresses de comunicação e interpretação à parte, a verdade é que hoje em dia não temos o menor saco nem sequer de tentar. Locke, filósofo e político inglês, ao tratar da filosofia da linguagem, não hesitava em afirmar que as pessoas estão sujeitas à incompreensão e que isso acontece em função do erro da linguagem. Segundo sua teoria, a palavra é o intermédio entre as idéias (internal ideas ) do falante e do ouvinte. Se não sabemos utilizá-la, então não sabemos lidar com o outro. Por seu otimismo, ele acreditava numa melhora não total, mas parcial.

Melhora essa que seria benéfica para o desenvolvimento da sociedade. Sem dúvida, essa é uma boa justificativa para a falta de entendimento tão presente nesses tempos modernos. O egoísmo e o individualismo que não nos deixam olhar para dentro de cada um, não nos dão tempo e espaço para olhar no olho e ler as entrelinhas de cada gesto.

Mas, voltando à eterna busca a que nos referíamos, o cerne da questão se baseia no porquê do homem ser tão irrequieto e nunca estar saciado. A bem da verdade, esse é um aspecto que não surge à toa, e não nos deixará tão cedo. Eduardo, 36 anos, ao contar dos achados de sua filha de 2 anos afirma que "o mais engraçado é que ela não vai parar nunca de buscar respostas e elas não vão nunca deixar de acontecer. Cada fase da vida da gente é assim: cheia de momentos novos e descobertas novas".

E isso é válido para todos, independente da idade. Dessa forma, não dá mesmo para ficar satisfeito com o que temos. Queremos sempre mais e melhor. E opções não faltam.

Para qualquer desejo, as opções são variadas. Cores, formatos, valores, tudo, tudo, tudo em demasia. Assim, Conseqüência inevitável: exigimos muito uns dos outros. Tentamos fazer com que se adaptem ao que esperamos deles, mesmo que essa adaptação seja falsa, mesmo que seja uma máscara. Matias, 20 anos, se coloca contra tais máscaras impostas: "namorei três anos com uma mina que não gostava de mim do jeito que eu era, mas sim do jeito que ela queria que eu fosse. Não gostava que eu saísse, mas eu saía mesmo assim; não gostava que eu fumasse, mas eu fumava sem ela saber; não gostava das mesmas músicas que eu, e eu não colocava minhas músicas perto dela. Chega! Pôxa, eu tinha 15, 16, 17 anos... hoje não tenho mais paciência. E também não quero que ninguém vista uma máscara quando esteja comigo, saca?".

O problema entre duas pessoas é que buscamos muito a felicidade no outro, em suas palavras, sugestões e opiniões. Se o retorno for positivo, então acabamos por nos satisfazer, mesmo que momentaneamente, mas se este for negativo, tudo se torna pesado. A decepção é capaz de detonar um dia, um momento, um sentimento. Para Paula, 20 anos, isso só é um problema porque as pessoas deixam ser, "a busca da felicidade não está exatamente no outro, e sim em nós mesmos. Se nos amarmos e estivermos satisfeitos conosco, seremos livres para amar ao próximo. E não há coisa mais simples do que o amor. A gente tem mania de complicar tudo, exigir tanto".