j@guar, que preferiu não dizer seu nome verdadeiro, considera-se um viciado em chat. "Hoje já consigo separar 3 dias da semana para sair com meus amigos ou fazer outra atividade, de preferência na rua. Se estou em casa, acabo me conectando", diz. Parecido com ele pensa min@, nickname da porto-alegrense Aldrei Bruckschen. "Deixo de fazer muitas coisas para teclar nos chats". Min@ tem 14 anos, é estudante e trabalha com programação. Da mesma forma que j@guar, afirma entrar nos chats para conhecer e fazer amigos. "Durante a semana tenho pouco tempo, mas nos finais de semana eu viro a noite nos chats".

De diversão esporádica, os chats viraram substituto para curtições noturnas convencionais. "Pra mim, teclar em uma sala de bate-papo é um programa tão bom quanto sair pra dançar", diz Pedra (20 anos, estudante, origem e nome real não revelados). "Chat, para mim, é mais uma opção do que fazer à noite. Se não tenho certeza que a festa vai ser muito boa, não saio da frente do micro".

Estaria o chat provocando reflexos sociais? Com certeza. Fundam-se novos círculos de amizades virtuais, que podem ou não materializar-se. Indivíduos tímidos ou com dificuldade de relacionamento podem encontrar na internet uma forma fácil de assumir novas identidades, expressar-se melhor, e dessa forma preferir estar na frente do computador do que conhecer pessoas de carne e osso. Ou não, simplesmente achar mais legal teclar do que sair pra rua, não há certo ou errado - sem entrar no mérito da discussão sobre se o hábito é saudável ou não. O fato é que cada vez mais gente prefere o micro ao contato com humanos.

E engana-se quem imagina que bater papo pela internet é coisa de gurizada. Susan (nick: riot126) tem 59 anos; Carol (nick: carol8444), 56; e ms_t_499 (não disse seu nome real), 63. Em comum: encontros quase diários nas salas do Yahoo! Chat americano. A nova-iorquina ms_t_499 conta que o chat "fez com que ela parasse de ver TV" e que é, com certeza, viciada. "A sala de chat é a minha família". Das três, Carol é a única que diz conciliar vida social noturna com sessões de bate-papo. Já Susan e ms_t_499 pouco saem de casa.

Podemos afirmar que os chats já rivalizam com bares e casas noturnas pela programação noturna das pessoas? Talvez não na mesma escala, mas a taxa de chatters cresce. Se é melhor ou pior, cada um que faça seu juízo; afinal, assim como dançar, beber e conversar, chat também é uma forma de diversão. Como me contou butylife2002, habitante de um país chamado Zodiac, em outra galáxia, que tecla para relaxar do estafante trabalho de fabricar humanos.