Porto Alegre sempre foi conhecida por ser uma metrópole provinciana, capital com cara de cidade do interior. Há alguns anos atrás, quando assistíamos ao Jornal Nacional observávamos engarrafamentos nas avenidas de Rio de Janeiro e São Paulo com um certo olhar de superioridade - tranqueira, aqui, só em dia de temporal. Da mesma forma, as estatísticas criminais dessas cidades tinham números assustadores, que pareciam muito distantes do Rio Grande. Esse tempo já acabou.

A capital do Estado cresceu muito nos últimos 15 anos e continua progredindo. Mas a sensação é de que, num passe de mágica, ganhamos os malefícios que já faziam parte do cotidiano das metrópoles do no centro do país - que se desenvolveu econômica e demograficamente muito antes do que nós. Parece que não há absolutamente mais segurança nesta cidade. É como se a criminalidade "endêmica" do Centro tivesse se espalhado por todos os bairros. Como se um pedaço de Porto Alegre tivesse sido arrancado da gente.

Histórias próprias, de amigos, parentes, ou mesmo o amigo do fulano sobre assaltos, roubos ou coisa pior não faltam. Engrosse a lista aí: em pouco menos de três meses de MOOD em Porto Alegre, fomos assaltados três vezes. Na primeira, foi o relógio do Leandro Gejfinbein. Caminhava pela Goethe quando passaram dois pivetes - provavelmente daquela corça que anda assolando os bares menos tradicionais como Dolphins e Twister, em frente ao Kripton -, agarraram o relógio e fugiram correndo. Segunda: Diego Prado está chegando em casa, na Gaspar Martins, cheio de livros de RPG e outras coisas na mão. No topo da pilha, o celular. Enquanto pega a chave do bolso, passam dois ladrões e levam o telefone - e o Diego dando graças de os ladrões não terem resolvido entrar no prédio nem terem notado a chave do carro. Terceira: o carro do André Barbosa. Estacionado em frente ao Teatro Renascença, na Rua da República, teve sua porta arrombada com um pé-de-cabra. Resultado: roubados o aparelho de som (que estava sem a frente destacável) e dois celulares, além de terem quebrado alavancas e console do carro.

Raiva? Indignação? Sim, e muita. Constatamos que, oh!, aquela velha frase clichê (que todo mundo já ouviu e muita gente nunca deu bola) faz sentido: não estamos seguros em lugar algum. Do topo da invencibilidade intrínseca à juventude, muito marmanjo (e marmanja também) não houve os conselhos da mãe (que exagera, é verdade) e acaba se dando mal. O que você pode fazer? Por enquanto, não precisa contratar segurança particular. Apenas tome cuidados básicos, do tipo:

o Não caminhe sozinho pelas ruas. Quanto maior a turma, melhor.
o Se você tem carro, pague um estacionamento. É mais barato e mais seguro do que pagar a franquia do seguro ou ter sua coleção de cds roubada.
o Ainda assim se recusa a pagar estacionamento? Pare seu carro em ruas iluminadas e movimentadas. Não deixe nada lá dentro.
o Em noites chuvosas, cuidado redobrado: tem menos gente na rua, ou seja, campo livre para a ação de marginais.
o Por mais raiva que você sinta do maldito ladrão, não reaja. Já tem muito pivete andando com armas por aí, e você pode acabar sem o tênis e sem um pedaço do corpo. Se sobreviver
o Já aconteceu: aqueles vendedores de rosas da Lima e Silva agarram o celular ou a carteira de cima da mesa e saem correndo. Guarde no bolso ou na bolsa da namorada (que, obviamente, também deve estar protegida).
o Alguns metros antes de chegar em frente à sua casa ou prédio, pegue a chave na mão. E olhe para os lados antes de abrir a porta pra ver se não tem ninguém suspeito.
o Vai deixar a gatinha em casa? Nada de amasso dentro do carro!!!

Assim como não adianta ficar paranóico e acabar não curtindo a noite, ignorar sua segurança pessoal pode acabar com muitas delas. Enquanto não houverem soluções mais efetivas por parte dos responsáveis, precisamos aprender a lidar com a violência. Afinal, Porto Alegre cresceu, em todos os seus benefícios e malefícios.