Ei, ei, ei, Porto Alegre é gay... Isto te assusta? Pois é o que garantem as centenas de homossexuais quedesfilaram em defesa de seus direitos como cidadãos na última Parada Livre, dia 25 de junho, nesta capital. Se a cidade não é gay, ao menos é GLS! Isto eu posso afirmar. Como em nenhum outro lugar do Brasil (ao menos dentre os que conheço), as tribos homo e heterossexual convivem pacificamente dentro dos mesmos
ambientes. Quer dizer, também não é bem assim. Nos bares e boates GAYS encontra-se gente de todos os tipos e preferências, o que não significa que a recíproca seja verdadeira, afinal, o preconceito existe e é característica marcante em alguns grupos
sociais. A pergunta que não quer calar é: porque então alguns heterossexuais preferem freqüentar ambientes GLS? A resposta é simples e direta: os chamados simpatizantes estão em busca de diversão e garantem, a noite gay é muito mais animada que a noite hetero!
Os irmãos Felipe e Denise Menchen fizeram esta opção com o incentivo de amigos. Felipe, 23, foi em busca de boa música. Denise, 20, seguiu os passos do irmão por
não agüentar mais a mesmice das festas tradicionais. "Fui atrás de coisas diferentes, tinha amigos que freqüentavam e resolvi experimentar. Acabei conhecendo pessoas e gostando", diz ela. Para Felipe, os gays são pessoas culturalmente mais avançadas. "Freqüento a noite gay sem problemas. Sou bem resolvido quanto à minha sexualidade e sou bastante respeitado neste meio. Nunca tive problemas com assédio", comenta.
Para quem não é homossexual, um forte apelo da noite GLS é o desconhecido. A curiosidade foi, portanto, o que levou o casal Christiano Moritz, 27, e Carolina
Brandt, 24, até os bares alternativos. Juntos há um ano e meio, costumam brincar nas situações mais delicadas. "Às vezes somos convidados a participar de surubas, mas levamos na boa", diz Christiano. "Mas isto é raro. Na maioria das vezes somos tratados muito bem", completa, rindo, Carol. "Como em todo tipo de ambiente, a festa depende muito das pessoas, mas o que observamos é que o público gay é mais descontraído,
mais livre, não tem tantos preconceitos. Nos sentimos à vontade para fazermos o que der vontade", explica ela. A intenção da dupla, que já virou habitué de bares GLS, é fugir da monotonia que se tornou a noite hetero. "O problema é que nos bares tradicionais o que
se encontra é sempre a mesma coisa. Sabemos que as meninas vão estar dançando à procura dos homens, que estarão parados observando tudo o que acontece. Na
noite gay as pessoas só estão preocupadas em curtir a noite", afirma Chris.
Esta teoria de que na noite hetero o principal objetivo é encontrar um parceiro encontra outro adepto na jovem alemã Doreen Schaible, de 21 anos. Morando em Porto Alegre há um ano, Doreen só freqüenta a noite GLS. "Isto porque é muito mais divertido! As pessoas são mais animadas, descontraídas e não estão necessariamente em busca de companhia, mas sim preocupadas em curtir a noite e se divertir", diz. "O que observei nesta cidade é que há muitas pessoas como eu, que não são gays e freqüentam este tipo de ambiente. São lugares bons, com bom atendimento, boa qualidade musical e cheio de gente bacana", completa.
"Mas, em compensação, os lugares e festas heterossexuais daqui são um saco! As pessoas só se preocupam em encontrar alguém para ficar", indigna-se Doreen, que afirma não entender como funciona este `processo´. "Na Alemanha, as pessoas não estão tão preocupadas em encontrar alguém como estão aqui! Deve ser o tal calor humano dos brasileiros", brinca.
A garçonete Leninha Hoffmann, 21, trabalha em bares gays há dois anos e em dias de folga não troca a noite GLS por nada. "Me divirto muito mais em companhia de gays. São, geralmente, pessoas mais atenciosas, mais abertas, mais inteligentes, até. São, com certeza, pessoas com ótimo nível cultural, ao contrário do que os preconceituosos pensam. A noite gay não é baixo nível. É possível ser simplesmente gay", diz. Mas
então, como será para uma jovem bonita, de orientação heterossexual, trabalhar em um ambiente gay? E o assédio? "No início é preciso abrir a cabeça, conhecer pessoas. Vi que são pessoas mais bonitas, mais felizes, que só querem se divertir. Quanto ao assédio, não vejo problema nenhum e, quanto a namorados, sempre tem um hetero perdido no meio da noite", surpreende Leninha.