Considerado o último filme de horror em preto-e-branco digno de nota, conta com uma tomada inesquecível: a equipe de pesquisadores explora Hill House pela primeira vez e, ao chegar numa varanda, os personagens olham para cima, contemplando a casa. A tomada do ponto-de-vista dos atores é seguida imediatamente de outra feita do alto da casa mostrando os atores bem pequeninos lá embaixo, sugerindo que a casa também os estivesse fitando -- adversários encarando-se antes do embate.

Esse estilo de filmar encontra-se em franco processo de extinção: quando "Desafio ao Além" foi refeito em 1999, sob o título "A Casa Amaldiçoada", o diretor Jan De Bont não poupou efeitos especiais de fantasmas perambulando pelos corredores ou anjinhos que deslizavam sob os lençóis. O horror não era mais sugerido, e sim revelado em vários tons digitais sequência após sequência, para deleite do público.

Era um adeus à sugestão e uma acolhida à banalidade. O que enfraqueceu sobremaneira a história do filme, uma vez que a fragilidade mental da protagonista, Eleanor, poderia explicar em parte os acontecimentos da primeira versão, mas ficava em segundo plano na atualização.

A mudança no padrão dos filmes de terror - o pulo do implícito para o explícito - deu-se na virada entre as décadas de 60 e 70. Com o "boom" do cinema de sustos, a ênfase passou a ser em maquiagem e baldes de sangue. A violência dos filmes transitava pela fronteira da tolerância, testando progressivamente os limites do público. Os estúdios aproveitavam-se do clima liberal que se instalava na sociedade e inseriam mais nudez e mortes sangrentas nas histórias. A grande maioria dos filmes produzidos desde então é um horror. Literalmente. Carregados de imagens repugnantes, porém carentes de roteiro ou bons sustos, servem apenas para tirar o sono de adolescentes.