Quando a internet virou febre entre as pessoas, as histórias de gente que se conhecia através da rede ficaram corriqueiras. Muitos papos e identificações faziam com que a possibilidade de conhecer outras pessoas triplicasse. Muitos se conheciam, ficavam, viravam amigos, alguns chegaram a casar. Foi, aí, o ponto inicial da tal sociedade baseada no discurso. Você era entendido pelo outro por aquilo que estava dizendo de si mesmo, pela forma como se descrevia, etc. Não, necessariamente, pelo que você era, de fato.
Hoje, esse encontro está sofrendo uma transformação brusca. Ou melhor, não há mais esse encontro. O discurso passa a ser o único elo entre as pessoas. Estranho? Pois então vamos aos esclarecimentos e às evidências.
Um amigo vira-se e conta que vem recebendo mensagens enigmáticas de uma menina, que ele não tem a mais vaga idéia de quem seja. Frases poemas, trechos de livros, textos próprios, letras de música, questionamentos, divagações. A bem da verdade, o enigma é tanto, e tão eficiente, que nem a certeza do sexo do emissor se pode ter. Mas isso não é o que importa para nós. Não vamos questionar a identidade proposta. O lance aqui é mostrar que a nova forma de relacionamento que está surgindo.
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