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| Em
um pub em Londres ou em Birmingham, na Inglaterra, um rapaz (ou menina,
não importa) bebe sua segunda cerveja, sentado sozinho no balcão
e decepcionado com sua vida, que insiste em ser maldita, difícil
e complicada. Mas no fundo da mente e do coração nossa personagem
sabe que as coisas vão mudar. Pra melhor.
Se
a Blemish fosse uma cena de filme, ela seria assim. Longe de ser triste
ou pessimista, a banda traz em seu germe a essência da introspecção
e a vontade de gritar bem alto tudo o que sente. Na estrada desde 1998
e natural da cidade de São José dos Campos/SP, a Blemish
é formada por Tito (guitarra/voz), Ivan (baixo), Daniel (guitarra)
e Luís (bateria). Primeiro ponto: todos bons instrumentistas. Nenhum
deles é o "melhor do mundo"; e, mais importante, nenhum
deles pensa que é. Todos tocam com competência e a garra
que os humildes têm. E
o som? Um som forte, coeso, que remete às melhores passagens das
melodias à la Soundgarden e guitarras distorcidas como Nirvana
e Sonic Youth. Tudo isso envolvido por um aconchegante veludo de sonoridade
inglesa - mas não aquele inglês brit pop, maçante,
que é o que bandas como Blur e Oasis costumam fazer quando não
estão chupando riffs de sucessos de outros músicos. Algo
como se Seattle tivesse saído de Washington e se mudado para os
arredores de Londres. (Aliás, Seattle não merece o destino
de estar nos Estados Unidos.) As composições - democraticamente
criadas por toda a banda, geralmente dando "palpites" nas bases
que Tito traz - transitam do noisy ao melancólico em faixas que
não tem medo de ultrapassar os 5 minutos de duração
- sem perder o pique ou a beleza. A juventude dos integrantes - o mais
novo, Daniel, tem 19 anos; Ivan, o mais velho, 23 - transparece no som
sempre arejado e com cheiro de novo. Atualmente
a Blemish está com um split CD sendo lançado pela London
Burning Records. Contendo 4 faixas - Falling Star, Silver Box Song, November
Days e Love Me Until You Hate Me Enough -, o disco pode ser adquirido
(por 6 reais, já inclusas despesas de postagem) pelo e-mail blemish@zipmail.com.br.
E no site da banda (www.blemish.cjb.net)
dá pra baixar o mp3 de Silver Box Song. Que por sinal é
uma das melhores construções sonoras que eu já ouvi
por estas terras verde-amarelas em muito tempo. Boa letra, guitarras marcantes
e cruas, refrão pegajoso... muito melhor do que 85% das músicas
que tocam nas boas rádios da sua cidade. Os
paulistas fizeram uma passagem relâmpago por Porto Alegre em 25
de maio, sexta-feira. Estiveram nas rádios Ipanema e Unisinos (duas
das três rádios da cidade que prezam o rock) divulgando o
show e o CD - inclusive com direito à canja ao vivo na Unisinos.
O show, no Garagem Hermética, ao lado da Superphones, foi excelente.
Apesar dos problemas técnicos no início do show (o amplificador
do Daniel insistia em desligar), a Blemish surpreendeu o público
que encheu o Garagem e fez um set list de timing e carisma perfeitos para
a noite. Teve quem pogou, teve quem ficou imóvel, teve quem abraçou
mais forte a namorada; mas ninguém ficou indiferente ao som, que
surpreendeu pela competência e pela vontade de tocar dos caras,
estampada na testa de cada um deles. O final, do show, então, insanidade
total: depois de anunciar a única música "em português"
da banda, começa um caótico/hipnótico tema instrumental
que culmina com Daniel pulando do palco com guitarra e tudo no meio do
público, que a essa altura está estupefato. A chama de Jimi
Hendrix continua viva, e é inglesa. |
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