Pi ,além de ser osímbolo matemático equivalente a 3,14, é o nome do filme independente do mesmo diretor de "Requiem para um Sonho", Darren Aronofsky. O longa,de 1998, chega aos cinemas brasileiros com quatro anos de atraso, mas valeu à pena esperar.

A trama, que chama atenção pela forma, gira em torno de um jovem matemático obcecado pela idéia de padrões que possam reger todas as manifestações da natureza. O preto e branco em contraste marcante foram as cores que Aronofsky usou para retratar a crueza do assunto, além de expressar duas realidades distintas e aparentemente inconfundíveis: a que nos cerca e a que o matemático tenta comprovar como sendo uma resposta absoluta.

A busca por esta resposta toma conta de sua vida de uma maneira tão incontrolável que ele começa delirar. Para completar, ele sofre de enxaquecas devastadoras, que o obrigam a ingerir uma série de drogas, muitas vezes inúteis. Será que existe um padrão para o aparecimento das dores de cabeça? Essa dúvida não é respondida.

Por mais louco que tudo possa parecer, o matemático é perseguido por executivos da bolsa de Wall Street e por membros de uma seita religiosa. Cada qual com seu motivo, ambos querem desesperadamente saber um segredo numérico. Prova de que nem todos o acham tão pirado assim.

A música eletrônica utilizada na trilha compõe o clima com perfeição, além de várias movimentações de câmera que retratam o panorama da confusão mental do matemático. O tempo de filme também é perfeito: 84 minutos, suficientes para que o assunto não fique saturado. Com tantas peculiaridades interessantes, vai agradar em cheio até quem odiava matemática em épocas de colégio.