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Não
é novidade, mas o silêncio das vítimas
faz com que este crime permaneça fora da mídia
e das estatísticas oficiais. O “Boa Noite
Cinderela” é uma espécie de versão
século XXI do soro da verdade: a vítima
fica em transe, entre o sono e a inconsciência,
e acaba não apenas falando tudo o que o agressor
quer ouvir – a senha do cartão do banco,
por exemplo –, mas também entregando suas
posses sem oferecer resistência.
O golpe atinge um público
bem definido – os homossexuais. Quem comete o
crime respalda-se no preconceito da sociedade: acredita
que a vítima não irá a uma delegacia
para registrar a ocorrência, temendo assumir sua
escolha sexual. O medo e a vergonha superam o senso
de justiça. Dessa forma, a ação
da polícia fica restrita, e as estatísticas,
muito aquém da realidade. O crime não
é previsto no código penal. Dados divulgados
pelas ONGs de defesa dos homossexuais mostram que os
criminosos costumam agir sem cautela, atuando nos mesmos
locais e até nos mesmos grupos de pessoas. Sem
temer a punição, o criminoso fica à
vontade para seguir praticando os delitos.
Bastante sutil é
o modus operandi. O ataqueocorre geralmente em bares
ou boates – mas também foram registradas
ocorrências na praia e em parques. O agressor
aborda a vítima, usando o charme e a lábia
para conquistar simpatia. Depois de alguma conversa,
sugere um encontro mais íntimo, geralmente no
apartamento da vítima ou num hotel. Seu objetivo
é fazê-la aceitar a bebida oferecida, onde
está dissolvido um indutor de sono. Com a vítima
desacordada, aproveita-se para roubar dinheiro, cartões
de crédito, talões de cheque, carro, jóias
e tudo de valor que puder.
O caso que reacendeu
o debate recentemente ocorreu com Carlos Takeshi, apresentador
do canal pago Shoptime. Takeshi foi dopado em sua própria
residência por Jairo Delgado Justo, que roubou
cartões de crédito, talões de cheque
e o automóvel do apresentador. O criminoso acabou
preso porque colidiu em alta velocidade com um outro
automóvel, parado em um semáforo. A motorista
desse outro carro morreu na hora.
Para evitar o golpe,
é recomendado andar em grupo, não levar
desconhecidos para casa, e seguir o velho conselho da
mamãe: não aceitar bebidas de estranhos.
Mesmo se você for ao banheiro, leve o copo consigo
ou termine seu drinque antes. Se você for vítima
do golpe, não deixe de exercer o seu direito
e cumprir seu dever. Avise à ONG de defesa dos
direitos homossexuais mais atuante e vá a uma
delegacia de polícia. Vítima que não
denuncia é conivente com a violência, e
permite que o criminoso continue atuando.
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