| O
tempo fez bem para Buddy Guy. Você nunca daria 65 anos
para ele. Essa vitalidade, que faz Buddy parecer ter vinte
anos a menos no calendário, tem mantido o bluesman
no posto de um dos melhores guitarristas e cantores de blues
da atualidade. Sua voz, que se nos anos 60 já era carregada
de feeling, hoje possui um poder tão forte quanto sua
guitarra.
Acompanhado
de Tony Z nos teclados e do novato e promissor Frank Band
na guitarra base, Buddy Guy começou de maneira um pouco
tímida, mas já na segunda música ninguém
poderia dizer que ficou indiferente ou achando apenas “muito
bom”. Em “Five Long Years”, Buddy mostrou
ao que veio e arrepiou o público com seus vocais que
balançavam entre lamentos chorosos e gritos de fúria.
A carga emocional passada foi tão intensa, que pareceu
necessário um descanso na levada da próxima
música. Não para ele, é claro.
Quem nunca viu Buddy Guy ao vivo antes e depois compra um
disco do bluesman, pode se decepcionar. A experiência
não é nem um pouco parecida. Buddy ao vivo não
possui todo aquele compromisso com o que gravou. Ele quer
é poder realizar uma verdadeira demonstração
de blues. Na metade do show, ele conversa com o público
e revela que pode tocar algumas coisas de outros artistas
se houver interesse. Buddy toca a introduções
como “amostra grátis” de clássicos
de Hendrix, John Lee Hooker, Cream, Ray Charles, Albert King,
Marvin Gaye... um verdadeiro desfile de influências
que ajudaram a consolidar o status de Buddy Guy como o mestre
do blues que é hoje.
Pitadas de humor e descontração também
marcaram sua apresentação. Buddy fez truques
com a guitarra e anunciou suas músicas com frases como:
“Essa foi Feels Like Rain do álbum intitulado...
Feels Like Rain” ou “Essa se chama Damn Right
I’ve Got The Blues do álbum que se chama... Damn
Right I’ve Got The Blues”. Buddy também
desceu do palco e tocou entre a platéia eufórica
que o cercava a cada acorde distorcido de sua versão
de Tramp, de Lowell Fulson.
No
final de duas horas de show que passaram voando, Buddy encerra
com uma versão instrumental de Cold Shot, de Stevie
Ray Vaughan, deixando o palco para seus músicos jorrarem
seus últimos solos, mantendo todos atentos até
a última nota.
Sem sombra de dúvida e nenhuma pretensão, acredito
que quem teve o privilégio de estar presente no ATL
Hall naquela noite, pôde voltar para casa de alma lavada
e carregando a lembrança do melhor show de blues dos
últimos anos.
29-10-2003 8:42
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