A décima quinta edição da Giovanna, festa de recepção dos calouros da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, acabou em pagação de mico geral via internet, graças a uma brincadeirinha de mau gosto. Segundo boatos, pessoas muito bem-intencionadas do Centro Acadêmico construíram uma salinha de tapumes com um pufe bastante convidativo no meio, especialmente para os casais mais afoitos. Do lado de fora via-se um cartaz com os dizeres “SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO”. Ninguém deu a mínima e o final foi da história não poderia ter sido mais constrangedor: um e-mail com cerca de 20 fotos com os momentos mais íntimos e a performance de alguns casais circulando pela rede.

De quem é a culpa: dos casais que não se contiveram ou daqueles que bolaram a armadilha? Não faz diferença. O vexame está feito e não tem como voltar atrás. Aliás, pagar um mico numa noitada não é nada difícil e existem vários fatores que só servem para contribuir. Bebidas em excesso podem ser o caminho mais fácil de aumentar a probabilidade de se fazer algo impensado, como se insinuar para aquela pessoa que, sóbrio, você não beijaria nem por decreto. Ou apenas sofrer os danos do álcool sobre sua integridade física. Quem aí nunca tomou um tombinho por estar mais pra lá do que pra cá?

A estudante de Ciências Sociais Naira tem uma história memorável de um porre coletivo. Para uma reunião marcada à noite na universidade em que ela estuda, cada um dos convidados chegou com uma garrafa de bebida em baixo do braço: vinho, pinga, conhaque... “Sentamos todos em volta da escrivaninha e um dos participantes propôs o desafio de quem bebia mais”. Foi o que faltava para, literalmente, o povo encher o pote.

Impressionantes são as idéias que surgem quando se está bebum. Naira quis subir em um prédio que estava em construção e foi prontamente seguida pelos amigos. Lá no topo a bebedeira prosseguiu. “Foi quando senti falta da Desordeira (que apelido...), uma amiga minha. Sem pestanejar, resolvi pegar um ônibus com o pessoal e ir até a casa dela”. Durante a viagem, ela deu um show digno de deixar a antológica personagem Heleninha Roitman com inveja. “Peguei uma garrafa de Velho Barreiro e praticamente obriguei um cara que estava sentado no ônibus a tomar o velho. Depois só falei em inglês. Em seguida, quando vi que o ônibus era amarelo, resolvi cantar “we all live in a yellow BUSmarine”. Depois de todo o escândalo ela milagrosamente conseguiu chegar até a casa da Desordeira. “Apaguei lá mesmo e quando vi estava no quintal e acordei vomitando, coisa horrorosa.”

Outro mico com substâncias etílicas envolveu o web designer Hiro Ozaka. Neste caso ele não foi o protagonista, e sim espectador da bela demonstração de como se paga um mico catastrófico. “Certa vez eu e um amigo passamos férias em Vitória e lá fomos a uma boate. Meu amigo estava muito bêbado e inventou para o segurança do segundo andar que estava rolando uma confusão para que ele pudesse entrar no suposto ambiente vip”, conta. A parte tragicômica ainda estava por vir. “Como estava muito escuro ele não viu que o segundo andar estava, na verdade, em obras e quando entrou, o chão abriu e ele ficou preso entre as duas toras de sustentação, com as pernas balançando freneticamente. Em seguida, os seguranças vieram e o tiraram de lá”. Que papelão...

Tem gente que não precisa de aditivos químicos pra dar vexame. O designer gráfico e ator trash da Pepa Filmes Felipe Motta confessa que, por fazer os filmes da Pepa, “pagar mico” tornou-se uma rotina. “Vários casos já viraram lenda”, conta. Um deles foi uma festa da Revista Geração, para a qual Felipe fazia ilustrações. Visualizem a cena. “Estava conversando com um cara e de repente, quando eu gesticulei os braços, passou uma garçonete com uma bandeja que tinha uns molhos japoneses. Acertei o maior tapão por baixo da bandeja, que virou com tudo em cima de um maluco que eu nunca tinha visto na vida”.

COMO ENCARAR A SITUAÇÃO

É, meu chapa, depois de pago o mico, não adianta pensar em como poderia ter evitado. Só resta esperar para ver como será sua noite depois do ocorrido. Na maioria dos casos, rola aquela vontade de sumir. “Eu não sabia onde eu enfiava a cara. A única coisa que eu queria naquele momento era uma bomba-ninja de fumaça para explodir e sair pela esquerda”, exagera Felipe. Já Hiro admite que caiu na gargalhada juntamente com o amigo, para não perder a esportiva. “Ele foi o herói da noite. Todos o cumprimentaram pelo mico homérico que ele tinha passado”

De acordo com o site Paguei Mico, festas são o segundo lugar onde mais se pagam mico, com 395 ocorrências. O primeiro lugar ficou para as escolas (perdoem esses adolescentes...). Só o fato de existir um site para o qual milhares de pessoas escrevem suas próprias histórias é um indício de que a maneira mais sábia de driblar a situação é rir. “A melhor atitude é assumir e achar graça, tentar fingir é sempre pior”, sugere Hiro. Naira também é das que sacodem a poeira e dão a volta por cima. Depois de um dia inteiro distribuindo micos ela ainda teve forças para encarar uma nova festa. “Paciência, já tinha acontecido. Fui pra casa e fiquei 3 horas no chuveiro e depois saí.” Acreditem: ela voltou bêbada de novo! Deve ter pagado mais uns miquinhos para fechar a noite com chave de ouro...


 

27-02-2007 2:20