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A frase do lead é a melhor definição
para o subterrâneo estilo musical, derivado do indie
e do alternativo norte-americanos. (Infelizmente não
é minha; a ética ordena dar os devidos créditos
a Mark Padgett, repórter do jornal Orlando Weekly,
que forjou a frase acima numa matéria sobre o assunto.)
Talvez você nunca tenha ouvido falar em math rock.
(Não se preocupe, o problema não é você
– talvez nenhum leitor tenha.) Nascido nos EUA do início
dos anos 90, despontando principalmente nas cidades de Chicago
e Washington DC, o gênero teve seu ápice produtivo
em meados dessa década, quando grupos como Polvo e
Chavez chegaram a atingir grande sucesso – na escala
das bandas fiéis à
cena independente, é claro. Filhote da fragmentação
do que se convencionou chamar de rock alternativo/independente
ou simplesmente indie, é um derivado do pós-rock
e do pós-punk somado a características do rock
progressivo dos anos 70. Dessa forma, comumente são
citados
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| Nível
I - Básico
O
The
Vermicious Knid é uma boa maneira de
começar. Quatro jovens canadenses que fazem
um rock com pitadas de math e emo com bastante
energia e sentimento – tente “No Life
Crisis”. Para entrar no clima mais cerebral
do math, as garotas do V for Vendetta
desfiam duos de guitarras com vocais chorosos
e sussurrados, fazendo um math rock de qualidade
e simplicidade. E se você gosta de Pixies
e Sonic Youth, provavelmente vai gostar de Cursive
. A faixa “Pulse” traz alguns dos
elementos do math com muito cheiro de indie rock.
Nível II - Intermediário
O June of 44 é a base de inúmeras
bandas de math e também uma das grandes
referências no mundo indie. Nos anos em
que existiu – a banda acabou em 2000 –,
o June foi chamado de “superbanda”,
por reunir tantos músicos influentes e
que redefiniram o indie rock nos anos 90. Na página
dedicada à banda no Epitonic, há
seis faixas para download – comece pelas
dissonâncias da guitarra de “June
Miller”, continue com as atonalidades de
“Escape of the Levitational Trapeze Artist”
e encerre com o jazz-rock de “Anisette”.
No site da gravadora
, também se encontram alguns outros
mp3.
Se você prestou atenção, notou
que os vocais recebem menos atenção
do que os instrumentos neste estilo de música.
Uma das características dos artistas de
math rock é a adoração por
faixas instrumentais. Mas nem sempre elas são
longas ou complicadas demais – como é
o caso das músicas do The
Letter E , quarteto do Brooklyn da qual faz
parte Sean Meadows, ex-guitarrista do June of
44. “Goodbye” é uma música
que prepara os ouvidos para desafios maiores.
Preparado? Se o The Letter E é mais simples
e com acento pop, o The
Mercury Program eleva à arte o talento
de compor música. Inspiração
em linhas de baixo melodiosas e enérgicas
aliam-se a um toque de onirismo – garantido
pela inclusão de um vibrafone na formação
fixa da banda. O clima de intimismo da faixa “The
Secret to Quiet” parece negar as origens
do quarteto – que vem da tropical Flórida.
Math Rock Avançado
Aqui reside uma das poucas bandas que orgulha-se
do seu rótulo. E também é
uma das primeiras a ser chamada assim –
lançou seu primeiro álbum em 1992.
Seus músicos são venerados e quase
sempre citadas como influência. O Don
Caballero leva o math rock para o seu lado
mais math, ou seja, verte para o lado mais jazz
do estilo. Até mesmo porque o grupo não
tem vocalista – todas as composições
são instrumentais, recheadas de melodias
intrincadas, arpeggios em profusão, linhas
de baixo proeminentes e um rapaz chamado Damon
Che na bateria. Incensado por 9 entre 10 bateristas
da cena indie, Che tem técnica e pegada
cada vez mais raros nesta geração
de loops e programações eletrônicas
– ele consegue fazer uma melodia transformar-se
num solo
e não chatear o ouvinte! Aliás,
essa é uma particularidade das músicas
do Don Cab: as faixas ultrapassam facilmente os
7 minutos de duração, mas as mudanças
de andamento e tempo evitam o sono e os solos
que só servem para satisfazer o ego do
músico. Comece por “June is Finally
Here”, uma homenagem aos amigos do June
of 44.
Outra banda que segue o instrumental apurado é
o The
Mahogany Throttle, cuja longa carreira os
transformou numa espécie de altar do estilo.
Aproveite que eles são generosos e disponibilizaram
dezenas de mp3 no seu site – escute primeiro
“Spur of the Movement”.
Seguindo uma linha mais noise, estão os
alemães do Soon
Li . Levando atonalidades e ruídos
ao extremo – tendo até um trombone
sua formação fixa, o Soon Li é
uma das poucas bandas a fazer math rock fora da
América do Norte – a outra vem da
Escócia, chama-se Eska
e traz o math para bem próximo do rock
‘n’ roll visceral.
Quer mais?
O site Epitonic
é uma boa fonte de mp3 e informações
sobre as bandas, separadas pelo estilo. Outros
bons diretórios ficam no site da loja online
CD
Baby. Achar CDs de math no Brasil é
tarefa hercúlea – para não
dizer impossível. Mas nos sites das bandas
há informações de como adquirir
os álbuns. |
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como influências o King Crimson e o Rush – e,
na outra ponta, bandas como, Fugazi e especialmente o Slint
– uma espécie de pai do math rock, que, nas músicas,
abusa das variações de tempo, da alternância
de vocais sussurrados com gritados, sempre tocando baixinho
para em seguida explodir os alto-falantes.

Tão breve como nasceu, o rótulo de “math
rock band” foi rejeitado. Numa época onde um
retorno às sonoridades cruas e toscas eram valorizadas
– e o Nirvana era alçado à salvação
do rock –, prezar linhas instrumentais complexas e até
mesmo ególatras era ir na contramão do mundo
demais. O math rock dificulta e intelectualiza as coisas de
propósito, ao contrário da tendência,
que era a sonoridade suja, tosca, de garagem. Os detratores
do estilo o tacharam de música para nerds. E num momento
particularmente propício para que bandas do underground
conseguissem exposição na mídia e bons
contratos, tocar “nerd rock” era ficar cada vez
mais enterrado no mundo indie. Das muitas bandas hoje identificadas
como e com o math rock, apenas meia-dúzia assumiram
o estilo em sua época – entre elas Don Caballero,
que em pouco tempo tornaria-se referência para quase
todas as bandas de math.

Mas dizer que math é algo como o “hardcore com
predisposição ao jazz” é simplificar.
A melodia é sempre presente; é um estilo emocional,
muitas vezes melancólico. Em abundância ocorrem
sobreposição de vocais, linhas de baixo harmônicas
e marcantes, guitarras angulares, bateria imponente e com
pegada, alterações de andamento, “paradinhas”
silenciosas (descubra em “Grand Design”, do The
Union of a Man and a Woman . Tudo isso com pitadas de
dissonâncias, atonalidades e microfonia. É como
se um punk esquizofrênico começasse a tocar a
Nona de Beethoven. Algumas bandas chegam a soar como um Slayer
mais quebrado (caso do Gaffer);
outras aproximam-se do virtuosismo instrumental elevado à
perfeição (como o Volta
do Mar e seus dois baixos, um de cinco cordas e o outro
de seis). A energia é mantida também por causa
do tamanho das bandas, geralmente enxutas e coesas –
às vezes mesmo duos, como o Zod
, que é formado apenas por baixo e bateria, e o Bozart,
guitarra e bateria.

Falatório à parte, a relevância do math
rock é a revitalização da técnica
instrumental sem deixar cair a peteca do rock, em várias
vertentes – ainda há uma boa quantidade de bandas
trabalhando no estilo, desde as mais pop até as puxadas
para o metal. Sem negar a origem punk, redireciona a atenção
para o talento. Freqüentemente as músicas não
são fáceis de ouvir; por isso lhe falta popularidade.
Mas, inegavelmente, merece seu espaço na prateleira
e no playlist daqueles que admiram o rock melhor trabalhado
e acabado.
28-10-2003 23:54
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