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Punk. O estilo seminal nascido
no final dos anos 70 trouxe de volta à música
a simplicidade e a energia direta do rock – Ramones
e Sex Pistols respondendo a Pink Floyd e Rush, às cusparadas.
Mas se o punk rock tinha testosterona sobrando, o mesmo lhe
faltou de criatividade. O estilo encerrou-se em si mesmo,
limitando-se à dez, quinze anos de variações
sobre o mesmo tema, como num jazz genial – mas que nunca
pára de recriar-se sobre os mesmos três acordes,
e acaba cansando o ouvinte.
Dessa
limitação surgiram variantes e derivados: o
hardcore, mais voltado para o metal; o poppy punk, feito à
mão para adolescentes gastarem sua mesada em cds anunciados
na MTV; e o emo (também cretinamente chamado, no Brasil,
de “hardcore melódico” (!)), onde a harmonia
recebe importância maior. Nomes, rótulos –
e mudanças pouco significativas. A maldição
do punk perseguiu seus filhotes, e a aparente originalidade
destes estilos acabou tão rápido quanto começou.
Quantas bandas de poppy punk podem ser distinguidas de Green
Day?
Aí
chega o Finch. Ao invés de fazer simplesmente hardcore,
emo ou poppy, eles misturam os três batidíssimos
gêneros e criam um diferente. Um rock moderno, com pegada
e ganchos pop grudentos, em constante alta voltagem, carregado
de melodias bem compostas e linhas vocais que sobrepõem
o melódico ao throat/gutural do death metal. As guitarras
trazem os riffs de praxe, porém com mais corpo, fazendo
um som bastante cheio e de cuidadosa composição/produção.
Na cozinha (baixo/bateria), pouca improvisação,
mas precisão e segurança de sobra.
Diferente da música que produzem, a história
da banda não tem nada de original. Cinco guris do interior
da Califórnia que odeiam sua cidade, Temecula, conhecem-se
na high school e resolvem montar uma banda. Aprendem a tocar
fazendo covers de Deftones. Lá pelas tantas começam
a compor material próprio; um dos integrantes conhece
o dono de uma gravadora e pronto, EP lançado, disco
no forno, popularidade. O chiclete de ouvido “Letters
to You” virou hit nas rádios americanas, graças
a seu refrão impossível de evitar: é
ouvir e sair cantando junto. “Perfection Through Silence”,
juntando harmonias típicas do emo e a agressividade
padrão do hardcore, logo tornou-se a mais pedida nos
shows. Uma band nascia, já com pretensões de
banda grande.
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Se
o Finch começou a tocar imitando
Deftones, logo depois espelhou-se muito
mais no Glassjaw. O quinteto de Long Island
é uma espécie de Finch mais
cru e pesado – ou seja, menos pop
e mais difícil de ouvir pelos não-iniciados,
por ser mais orientado para o metal. O vocalista,
Daryl Palumbo, é amigo de Nate Barcalow,
voz do Finch, e fez backing vocals em duas
faixas de What It Is To Burn (Project Mayhem
e Grey Matter). A banda assinou recentemente
com a Warner e por esse selo lançou
seu terceiro álbum, Worship and Tribute.
Com shows marcados para o Ozzfest, o Glassjaw
é outra banda que vai galgando postos
nas paradas indie – mas dificilmente
vai emplacar no mainstream, por causa de
suas composições densas e
rasgadas demais para os ouvidos “alterna-metal”
da juventude americana. |
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A gravadora que os lançou é a Drive-Thru Records,
meca do pop/punk/hardcore alternativo norte-americano. Sediada
em Los Angeles, catapultou bandas como o incensado New Found
Glory e é responsável pela maior parte das novidades
do segmento (em seu catálogo, estão promessas
como Allister, The Starting Line, Rx Bandits e Midtown). O
primeiro EP do Finch, Falling Into Pieces, foi lançado
em outubro de 2001 e vendeu 6 mil cópias – para
uma banda quase independente, é um número astronômico.
Em março deste ano, saiu What It Is To Burn, o primeiro
álbum – e o que chama a atenção
é que percebe-se um esforço gigantesco para
dar o melhor de si em cada faixa. O resultado é um
disco que, na técnica, parece ter sido gravado por
veteranos, e na vitalidade, por adolescentes.
O Finch faz um tipo de música que não serve
para fazer fundo. A grande intensidade das canções
exige atenção do ouvinte. Doses exageradas de
angústia, raiva e ... amor – o vocalista e líder
da banda, Nate, adora desfiar reflexões e brigas apaixonadas
em suas letras. Um toque de melancolia e ansiedade, mas nada
de choradeira – afinal, o Finch é fiel à
sua raiz punk.
O apelo forte também passa pela postura da banda.
Eles são os caras que tocam na garagem ao lado, a banda
da sua rua: garotada gente boa, de aspirações
simples e diretas. Todos recém saídos dos 20
anos, contando histórias que jovens de 20 anos vivem,
com a emocionalidade e a agressividade tão características
dessa idade. E essa música revigorante e imprevisível
torna-os seriíssimos candidatos a grande banda de 2003,
ano em que o sucessor de What It Is To Burn deve ser lançado.
É mais uma aposta na renovação do saturado
mercado do rock americano, que há tempos vem perdendo
espaço para europeus e brasileiros.
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