| fotos:Helena
Nacinovic
Sábado foi um dia movimentadíssimo do ponto
de vista indie/rock: show do Casino na Bunker e Skylab na
última Loud do ano. Imperdível, eu diria, mas
já tenho 24 anos e não tenho mais pique para
filas, rock'n'roll, lugares claustrofóbicos, e ainda
pagar caro por isso. Ok, tenho pique sim, mas uma coisa de
cada vez. Na verdade, o programa dessa vez foi muito mais
obscuro e muito mais simpático: imagine um show de
uma banda de blues formada por jovens (há uma diferença
entre garotões de vinte e tantos anos tocando um gênero
não muito popular com uma levada quase rock e veteranos
da guitarra que, apesar de incontestavelmente bons, só
atendem às necessidades de entendidos no assunto, certo?)
num pub irlandês em plena Copacabana. Quer mais? Amigos
queridíssimos na platéia, e não necessariamente
amigos da banda, elogiando e achando "foooodaaaa"
- quer dizer, blues tem público, é só
haver uma boa divulgação e um local condizente
com o tipo de som.
Apesar de todo o mito elitista que cerca o gênero e
de apreciadores de blues serem considerados invariavelmente
pessoas de notório bom gosto (e sim, blues bons são
realmente muito bons), blues é música-povão,
de estrutura simples e direta, blues é a raiz do rock'n'roll.
Por que ficar restrito a festivais e lugares "chiques",
se é um gênero que não tem erro, não
existe quem não goste e o único senão
é ter um gosto um pouquinho diferenciado do resto da
população (justamente para poder curtir um tipo
de música que com o tempo saiu do gosto popular)?
Unindo
o blues tradicional a clássicos do rock, passando por
algumas canções obscuras, o Starving Bluesmen
Quartet lotou o Paddy Fla's na noite de sábado, proporcionando
uma das soirées musicales mais agradáveis dos
últimos tempos - clima intimista, bom humor (“olha,
quem sair até a terceira música não paga”,
dizia o gaitista Nix antes do show) repertório equilibrado
com hits nos lugares certos para não deixar a platéia
perdida (a referência a "Sweet Home Alabama"
no meio de "Sweet Home Chicago" foi de tocar o coração),
músicos excelentes (segundo a própria banda,
faltou entrosamento. Segundo o público, que viu claramente
que o quarteto de três é formado por amigos que
resolveram tocar juntos, a química entre o grupo é
perfeita, ainda mais para uma banda que não tem um
mês), tudo isso no lugar certo - o bendito pub irlandês
onde praticamente só se ouve blues todas as noites.
Então
ok, você perdeu a oportunidade de ver um show ótimo,
de uma banda que só tende a melhorar, num lugar agradabilíssimo
- todo mundo que começa a freqüentar o pub logo
o transforma em sua segunda casa, é impressionante!
Nada tema, haverá outras oportunidades - reza a lenda
que o Starving Bluesmen Quartet (ah, sim, dizem que o baterista
morreu de fome) tocará lá de quinze em quinze
dias, ou enquanto durar o estoque. Me parece uma ótima
oportunidade de ouvir algo diferente do que toca "na
night", encontrar gente legal e ficar meio zureta de
Heineken - isso sim é um programa alternativo, nada
de festa para mais de mil pessoas ou de pessoas dançando
viradas para a parede. Já virei fã, e se eu
fosse você, acompanhava as notícias do Starving
Bluesmen Quartet aqui:
http://starvingbluesmen.blogspot.com
Quer saber o que eles tocaram e você perdeu?
1º Set
1) Flip, Flop and Fly / Shake Rattle and Roll - Big Joe Turner
2) Key To The Highway - Big Bill Bronzy
3) Hoochie Coochie Man - Willie Dixon
4) Pride & Joy - Stevie Ray Vaughan
5) They're Red and Hot - Robert Johnson
6) Blowin' 'n' Jumpin' - Nix
7) Am I Wrong - Keb' Mo'
8) Rolling and Tumbling - Muddy Waters
9) Walking Blues - Robert Johnson
10) Talk to Me Baby - Elmore James
2º Set
11) Johnny B. Goode - Johnny Johnson
12) Walk On / I'm Stange Here - Sonny Terry and Brownie McGhee
13) Tore Down - Freddie King
14) Mama Don't 'Low No Guitar Playing Around Here - James
Son Thomas
15) Midnight Special - Tradicional
16) Dust My Broom - Robert Johnson
17) Sweet Home Chicago (com vinheta de Sweet Home Alabama)
- Robert Johnson
18) All Along The Watchtower - Bob Dylan
19) Born To Be Wild - Steppenwolf
20 They're Red and Hot (Bis)
Lia Portocarrero é editora do zine Conga
Conga Conga
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