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que leva dois jovens a saírem de Porto Alegre, encararem
24 horas de estrada no buzum e virem para o Rio de Janeiro
em pleno mês de novembro (baixa temporada)?
( ) o amor ao drum’n’bass
( ) a oportunidade de zoar na Cidade Maravilhosa
( ) tocar junto dos bambambãs da cena
( ) fazer novas amizades
(x) todas as alternativas estão corretas.
O
Organizers é o projeto de uma dupla de produtores gaúchos
(Cardoso, 23 e Nes, 19) de drum’n’bass e breakbeats
criado no final de 98. De tanto ouvir Remarc e Dream Team
(nos primórdios) e Roni Size, Ed Rush, Andy C e outras
feras da atualidade, os dois resolveram produzir cada vez
mais seus próprios sons (todas as faixas são
criadas no estúdio caseiro montado na casa dos dois
com um par de PC’s equipados com meia dúzia de
editores de som e seqüenciadores) e se diferenciarem
do mercado. Essa diferenciação os trouxe ao
Rio, em sua primeira tour fora de Porto Alegre. Tour essa
no estilo gonzo: ficando na casa de amigos, contando com parceiros
cariocas, comendo o que o dinheiro puder pagar. Na largação
mesmo.
Neste
estilo, eles desembarcaram no Rio na terça-feira dia
05 de novembro quando o céu quase caía de tanta
chuva. Desanimados com a má sorte, resolveram descansar
para a primeira parada da tour, que seria no dia seguinte
na Bunker, em Copacabana. Chegado o dia da estréia,
a ansiedade tomava conta dos garotos. O dia inteiro foi com
uma chuva torrencial que teimava em alagar as ruas. Por sorte,
quando escureceu, São Pedro deu uma trégua e
o tempo ficou normal. Chegando no local, pararam para a tradicional
cervejinha no boteco do lado da casa enquanto o público
não chegava, coisa que carioca sabe fazer bem.... Ali
mesmo, conheceram muita gente da cena que já os conheciam
pelos mp3’s disponíveis na internet e pelos excelentes
textos de Cardoso (do famoso site gaúcho cardosoonline).
Lá pela uma da manhã o som começou a
ficar ´sério’ com T’ai Head, o DJ
residente às quartas-feiras. Impressionados pela dimensão
da casa, os gaúchos fizeram um set irrepreensível
e bem animado, com a pista cheia e o pessoal muito receptivo.
Ajudados pelo MC Marioz, que rimava de improviso em cima das
bases, detonaram músicas inéditas e, ajudados
pela altura absurda do som, fizeram um set tipo “estamos
na área, se derrubar é pênalti”
impressionando autoridades máximas
no assunto que estavam presentes, como o DJ Lucio K (“Eu
gostei dos Organizers, eles têm muitas produções,
mas infelizmente ainda não consegui nenhuma. Eles conseguem
fazer um set só de musicas próprias. E finalmente
conheci o lendário Cardoso, metade dos Organizers”)
e o próprio T’ai Head (“Também curti
bastante o som dos caras...e ainda são super bacanas...
quando quiserem pintar de novo é só falar...”).
Até pessoas que nunca tinham ouvido um drum’n’bass
tão forte se rendeu ao som sulino. Passada uma hora,
o DJ Fábio Machado assumiu as pick-ups e mandou um
set agressivo, como ele próprio frisou: “Sendo
minha primeira vez na BUNKER, e há mais de três
anos tocando drum’n’bass, tinha que mostrar um
pouco do meu trabalho de break beat / jungle. O set desse
dia foi pesado por que era assim que tinha que ser, e por
que em todo o lugar do país eu toco o mesmo set e ainda
não tinha tido a oportunidade de tocá-lo na
minha cidade e numa casa dessa importância. Tive que
chocar mesmo pra mostrar que eu não sou apenas mais
um na cena”. Bom, quem tava lá sabe do que estou
falando.
O
dia seguinte, quinta-feira dia 07, foi importante para recarregar
as energias depois de uma noite hardcore. À noite os
guris iriam mostrar seu trabalho no reduto do drum’n’bass
carioca: a Casa da Matriz e a festa FEBRE. Chegada a noite,
rumamos para Botafogo. Impressionados pela peculiaridade do
local, Cardoso e Nes se sentiram em casa. Eles me disseram
que tinham alguns locais em Porto Alegre que se pareciam com
a Casa da Matriz. Dominada a sala de TV, ficamos vendo “Os
Simpsons” em clima legalize. Feita a apresentação
da dupla aos mestres das carrapetas da festa FEBRE, Calbuque,
Dalua e Yanay, o Organizers fez um set tosco, mas que serviu
para exibir suas produções perfeitamente. Ficou
comprovado que o lance deles não é a qualidade
de DJ’s que eles pretendiam mostrar e sim a qualidade
de arranjadores e produtores de drum’n’bass, até
por que querer competir com feras como Dalua e Calbuque estava
totalmente fora de cogitação. Em seu segundo
set no Rio, alguns hits já despontavam como No Skirt,
No Panties, Degeneração da Alma e do Corpo,
Telefone (remix), além dos hits undergrounds Up To
The Sky e Big Lizard (esta do outro projeto da dupla, Cabaré
101). Como o estilo dos DJ’s da Casa da Matriz é
algo meio entre o jazzy e a bossa misturada com o drum’n’bass,
aproveitaram e lascaram uma versão DB do Tim Maia feita
por seu conterrâneo Nando Barth, arrancando boas vibrações
das pessoas que pulavam na sala 2, e fazendo a conexão
para Dalua comandar o resto da noite. Finda a apresentação,
várias idéias foram trocadas e vários
elogios recebidos de gente como Marcelo D2, Fábio Calunga,
além dos donos da festa e o público em geral.
A
última etapa da tour foi na inauguração
da casa FLUX, em Petrópolis, numa sexta-feira gelada
na serra, o que agradou aos gaúchos. Local tradicional
de festas petropolitanas, a casa que abrigou a festa já
trocou de nome algumas vezes por conta do marketing, mas sempre
levou o pessoal que curte e-music para suas dependências
e desta vez não foi diferente. Feita a tradicional
social no boteco em frente com o pessoal local (muito receptivo,
por sinal), rumamos para o local. O DJ Paulinho tocava house
para esquentar a galera e fomos para o camarim também
dar uma ‘esquentada’. Quando o Organizers assumiu
os CDJ’s da mesa de som, o público, que já
era bom, aumentou e prestigiou através de passos inusitados
as batidas enfumaçadas do Sul do Brasil. Com a platéia
nas mãos, fizeram o melhor set da viagem, conseqüentemente
essa noite foi a mais divertida. Mais uma vez, a música
de Nando Barth encerrou a apresentação, arrancando
aplausos. Na sequência, começando com Alegria
(da banda capixaba Zémaria), o DJ Fábio Machado
fez seu tradicional set pesado de jungle / break beat. A noite
em Petrópolis constatou que a cena da serra é
misturada, diferentemente do que acontece no Rio. O pessoal
que gosta de e-music gosta de todas as suas sub-divisões,
por exemplo, quem curte house curte drum’n’bass
e trance ao mesmo tempo. A noite lá abrange todos estes
estilos, num mesmo lugar, numa mesma casa, porém com
DJ’s diferentes.
Cancelada
a noite de sábado em Itaipava, Cardoso e Nes aproveitaram
uma noite na Lapa e um dia de sol de domingo no Rio para conhecer
o famoso Posto 9. Partindo para Porto Alegre (dessa vez de
avião) de noite, imaginavam o choque de uma segunda-feira
‘normal’ em Porto Alegre. Definitivamente, essa
mini-temporada marcou suas carreiras e apontou novos caminhos
para a e-music gaúcha em novas paragens.
Links
úteis :
ORGANIZERS
CARDOSO
BUNKER
CASA
DA MATRIZ
CABARÉ
101
NANDO
BARTH
FABIO
MACHADO
ZÉMARIA
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