| NOTA
1.000:
Por Joca Vidal
A
expectativa era enorme para a quarta edição
da Música Urbana, festa patrocinada pela Trama (comemorando
4 anos) e que traz seus (ótimos) artistas em shows
divididos em várias tendas dos mais diferentes gêneros
musicais. A terceira edição desse mesmo evento,
que rolou há um mês atrás e trouxe como
atração principal a Fernanda Porto, encheu de
gente, deu confusão, filas quilométricas, bares
insuficientes e outros tipos de reclamações.
Ainda bem que eu não estava lá. Deixei pra ir
nessa, que tava com uma quantidade de público ideal
(sem playboyzada, era uma galera bem mais antenada), mais
bares servindo (se bem que fiquei na área VIP, cercado
de garçonetes e comendo um sushi com SKOL versão
Beats) e atrações bem escolhidas.
O pior de tudo era tentar estar em todos os lugares ao mesmo
tempo. Eram tantas as atrações que, por exemplo,
a tenda Freestyle (trazendo artistas de rap/r’n’b)
ficou sem a minha visita. Consegui ver o pitoresco show do
Totonho e Os Cabra e sua tradicional mistura de eletrônico-mpb-com-sotaque-da-paraíba.
Agradou geral, menos meu amigo JP, tradicional roqueiro que
estava tenso por não ouvir uma guitarra solando e por
ainda não ter conseguido uma pulseira VIP.
O Otto seria o próximo a subir na tenda principal.
Muito louco, como de costume, estava feliz por estar no Rio
e, até quando vi, fez um show alucinante. Aliás,
fico imaginando como o Otto consegue fazer um show totalmente
diferente um do outro. Só ele mesmo. E não faltou
“Bob”, “Dias de Janeiro”, “Condom
Black”... todas em homenagem à sua musa Alessandra
Negrini, na fila do gargarejo. No meio do show do pernambucano,
saí fora para a tenda Trama, antes vazia com o set
do DJ Baractho. Lá ia se apresentar a revelação
paulista de drum’n’bass Drumagick (veja matéria
nesta edição). Passadas duas horas de ferveção
na pista, voltei para o palco principal e estava acabando
o show do Jairzinho (ou Jair ?), um dos cinco artistas que
fazem parte do New Samba Revue, um comboio que excursionou
recentemente pela Europa (Londres, Berlim, Amsterdan, Lisboa,
Viena e Turim) em clubes de jazz (fora Londres e Lisboa) arrancando
boas críticas, principalmente na Alemanha. Max de Castro,
também do comboio, é o próximo e detona
sua bossa/funk/soul do maravilhoso Orchestra Klaxon, seu último
lançamento, e pérolas de seu debute como Onda
Diferente. Eu estava completamente anestesiado pela qualidade
dos shows vistos até então, quando Simoninha
vem em seguida e mantém o alto nível, para minha
surpresa. Os dois outros artistas que fazem parte do New Samba
Revue, Patrícia Marx e Mad Zoo, também participaram
da festa, mas não tive a oportunidade de conferir,
o nascer-do-sol sinalizava no horizonte e tive que correr
para a paisagem deslumbrante da Marina da Glória para
reverenciá-lo.
FURADA
URBANA
Por João Paulo Cuenca
Você
bota a pulseira que dá acesso à área
vip bem frouxa no seu punho e fecha o lacre de forma que você
possa tirar e botar. Passa pelos seguranças, sai com
uma cerveja escondida no bolso, outra na mão, troca
a pulseira com alguém e pronto. Ou então você
entrega a sua pulseira pra alguém lá dentro,
que sai e traz mais alguém. Em dez minutos todos os
seus amigos estão na área VIP, se achando muito
VIPS.
Achei
o serviço de bebidas satisfatório, mas não
rolou garçom. Você tinha que ir lá e pedir
- cevejinha Skol Beats, uísque, Redbull, Tequila e
Vodca. Fiquei na Skol Beats, uma boa cerveja, mais forte do
que a Skol normal, garrafinha bacana de segurar e uma boa
arma caso algum artista da Trama chegasse perto. Os salgados,
bem distribuídos em duas ou três mesas, davam
pro gasto. A mesa de sushi foi bem servida mas não
durou. Comi oito sushis em dois minutos. Não desceu
legal junto com o presunto e a cerveja. Faltava mulher também
naquela área VIP. Os promoters tem que ter a manha
de encher as áreas VIPS de modelos, atrizes e meninas
de catálogo. Os penetras se encarregam do resto. Chega
dessas áreas VIPS lotadas de publicitários,
estagiários e o "pessoal do marketing", porra!
Que se fodam. Odeio ambiente corporativo dentro de festa.
Apesar
do lindo palco e da estrutura luxuosa, o som não estava
legal. Como a festa não encheu, o volume sobrou, alto
demais, reverberando pela cobertura de plástico. Nem
deu pra entender as besteiras que o Otto fala entre as músicas.
A pista dois, com drum'n bass, também não bombou
(como eu adoro esse termo! é...), mas estava bastante
agradável, recheada de patricinhas de dezessete anos
que moram em condomínios na barra e usam biquini de
alcinha na praia do Pepê. Delírio, mas em relação
a sexo fácil o mais radical que ali havia era uma ou
outra hippie do baixo gávea. Não fui na pista
de Hip-hop.
Como bebi rápido demais e tomei uma bola que caiu estranho,
aproveitei a carona e fui embora cedo. Destaque da festa?
O baseado baiano que um outro MOODER apresentou. Bom demais.
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