| Era
pra ser uma noite como uma que rolou em setembro do ano passado:
Patife estava de volta ao Rio pra quebrar tudo, não
deixar pedra sobre pedra com seu drum’n’bass peculiar.
O problema (problema ?) foi quando o público começou
a chegar na mais tradicional casa noturna de música
eletrônica do Rio e deu de cara com um cartaz pregado
na porta : “Por motivos de overbooking, o DJ Patife
não pôde comparecer. Em seu lugar estarão
os DJs Marky e Xerxes”. Não, peraí, esfreguei
os olhos e li de novo – era verdade. Patife não
pôde ir e pediu uma mãozinha aos seus amiguinhos
(coisa comum no drum’n’bass, quando um DJ não
vai o outro comparece em seu lugar), simplesmente os melhores
produtores e DJs do MUNDO no estilo.
Por
volta de 2 e meia da manhã, depois do residente T’ai
Head mostrar trabalhos próprios entremeados com novos
hits do debê, os paulistas entram na cabine e começam.
Mesmo quem não está familiarizado com o tipo
de som percebe que o negócio ali ficou diferente. Melodias
marcantes, misturas únicas (com capoeira, por exemplo)
e a tradicional salada com a MPB. Isso é Marky e Xerxes,
o mundo inteiro queria estar lá para vê-los.
Londres, por exemplo, é a principal fonte de demanda
de seus serviços, e quem estava na Bunker lotada pôde
se sentir privilegiado. Aliás, a pessoas sabiam disso
já que a cara de felicidade de cada uma era latente.
E
tome “Dia de Sol”, remix de Xerxes para Gilberto
Gil, presente no novo cd do programa AMP MTV, dedicado á
música eletrônica. E tome “Calhambeque”,
remix para o Rei Roberto Carlos, presente em seu novo cd.
E tome, claro, “LK” (ou “Carolina Carol
Bela”) na versão do DJ Scorpio. E mais, papas
da distorção mundial, como Ed Rush, Dillinja
e por aí vai. Os dois estavam exultantes – janeiro
no Rio alegra as pessoas, e entre goles de champagne levam
seu set até quase 5 da manhã.
Santo overbooking do Patife... |