A MOOD é uma revista guerreira, feita por guerreiros. Aqui nós temos jornalistas, advogados, publicitários, economistas... enfim, tudo quanto é tipo de gente. Todos seguem sua vida profissional como atividade principal (o famoso sustento), com o mesmo nível de cobrança de qualquer proletário moderno (ou até mesmo primitivo), mas sempre (ou quase) encontram um tempinho para escrever uma matéria como esta, feita quando o chefe não estava olhando.

De uma maneira geral, quem tem a noite como uma segunda atividade – seja profissionalmente ou por hobby, tendo uma banda ou atuando como DJ, produzindo ou divulgando festas e eventos – conhece bem essa história. E conciliar essas duas vidas não é tarefa das mais fáceis. Uns conseguem segurar a onda com menos dificuldade, já outros passam o maior perrengue.

O publicitário Luiz Cavalheiros, por exemplo, rala para produzir, divulgar e ainda ser um dos DJs da sua própria festa a Little Black Is Fuck, que acontece desde 98, e hoje ocupa os sábados do Espírito das Artes, na Cobal do Humaitá. “Hoje em dia procuro sempre fazer a festa às sextas ou sábados. Mas já fizemos festas nas quintas e quartas. Era foda. A solução era dormir na hora do almoço, para agüentar o dia. Nunca faltei ao trabalho por causa da festa. Todo mundo sabia q eu tocava e não poderia dar este mole.” – conta Luizinho LBF, sua alcunha de DJ, e diz que a energia para agüentar esse tranco vem do público, da vibe da pista. “A verdade é que tocar no Rio é uma cachaça. Não tem prazer maior do que ver uma pista bombando com seu set, sua música. Acho que muito da nossa incrível inconseqüência de continuar insistindo nessa ralação vêm da resposta das pessoas mesmo. Parece papo de político, mas é a pura verdade. O público alimenta.” – revela.

Para o também publicitário e DJ David Tabalipa, as coisas já funcionam com um pouco mais de tranqüilidade. Ele diz que a fórmula para isso é definir prioridades “Consigo conciliar as duas atividades, pois a minha profissão é a propaganda. Ser DJ eu encaro como um hobby que se profissionalizou. Eu evito tocar dia de semana justamente para estar bem no dia seguinte. E quando isso é inevitável, procuro não beber. O resultado no dia seguinte é bem ‘menos pior’. Trabalho com criação e isso exige mente e corpo tranqüilos. Ressaca e sono são mortais. Você não rende.” – David diz ainda que é importante ter alguém para dividir as responsabilidades. “Também não costumo produzir festas sozinho. Sempre tem algum parceiro que cai mais dentro, corre mais atrás do que eu. Atualmente esse cara é o Mário Bros, que faz comigo a festa Jazzid, às sextas, no 00.

Mas nem tudo são flores e não é todo mundo que consegue tocar esse barco. O designer Rafael Cazes conta que teve de abrir mão da sua segunda atividade de baterista quando, além de tentar conciliar música e trabalho, chegou a época de apresentar o seu projeto final na faculdade. “Quando era estagiário, os chefes eram mais compreensíveis. Deixavam eu sair mais cedo em dia de show ou para ensaiar. À medida que fui crescendo profissionalmente, as cobranças tornaram-se maiores e, ainda por cima, quando chegou a era de eu ter que me formar, tive de dar férias ao baterista. Só não foi mais doloroso porque música, para mim, sempre foi curtição. Não tinha nem um pouco do peso das minhas responsabilidades como designer” – Mas ele tem esperança. “Agora que consegui me formar e me estabilizar no trabalho, daqui a pouco eu volto pras baquetas.”