| Por
Lucio K
Há 2 anos, ouvi uma faixa de um grupo que chamou a
atenção por ser holandês, mas ter uma
cantora brasileira. Gostei do resultado e logo consegui o
primeiro disco ("Outro lado", 1999), ouvi inteiro
e fiquei surpreso. Tinha a maioria das musicas cantadas em
português, e misturava com sensibilidade e bom gosto
ritmos como samba, drum'n'bass, maracatu, funk, bossa, afro...
Adorei, tive a impressão de estar ouvindo uma "MPB
do futuro feita na Holanda", e passei a incluir musicas
deles nos meus sets, e algumas viraram hits, como "um
coco", que mistura canto folclórico brasileiro
com drum'n'bass.
Lilian
Vieira, Fluminense de Teresópolis que foi há
13 anos pra Holanda, em 98 formou com um alemão (Stefan
Schmidt, tecladista) e um holandês (Stefan Kruger, baterista)
o grupo. E os dois, tomando a cantora como referência,
partiram da "vibe" brasileira e só a enriqueceram
com suas diversas influências musicais. Tanto que o
Zuco 103 poderia ser uma ótima inspiração
para a própria MPB atual, que muitas vezes fica tropeçando
em fórmulas repetitivas e não sai do lugar.
Até que em 2003 os agitadores culturais Geraldinho
Magalhães e Bruno Levinson farejaram uma ótima
oportunidade no evento 'Holanda Hoje - Arte, Design, Urbanismo
e Responsabilidade Social', promovido pelo Consulado Geral
dos Países Baixos, e conseguiram um apoio que possibilitou
a vinda do grupo pro Brasil, pela primeira vez.
Fui ao show, sexta feira 21, no Balroom, convidado pelo Marcelinho
Dalua, e adorei. O público era uma mistura de europeus
entusiasmados e gente curiosa e bem informada, que foi pra
checar a perfomance do grupo. A banda, com baterista, baixista,
dj, tecladista e Lilian nos vocais, carismática e talentosa,
foi ganhando o público rapidamente, que no final do
show já estava pulando e vibrando com musicas nunca
ouvidas antes. O Zuco faz versões ao vivo bem diferentes
do que é encontrado no Album, o que torna o
show ainda mais interessante. "Ao vivo é melhor
do que em estúdio", diz Lílian, bem-humorada.
"Ao vivo tem feedback, a gente arca diretamente com as
consequências..." E as "consequências"
têm sido excelentes, em todo lugar do mundo onde o grupo
se apresenta. "Uma das apresentações mais
legais foi no japão", comenta Lílian. "Aqui
no Brasil eu estava mais tensa do que em qualquer outro lugar,
foi como trazer o namorado pela primeira vez pra casa da mãe,
sabe?" Devido ao sucesso de público, foi decidido
fazer um segundo
show no dia seguinte.
No
ano passado foi lançado o segundo album, "Tales
of High Fever", que recomendo ainda mais. MPB de primeira,
surpreendente e competente, com influências de jazz,
eletronica, rock, samba, disco, até um clima lounge,
dado pelos teclados vintage do produtor Stefan Schmidt. Por
incrível que pareça, ainda não tem uma
representação brasileira, é preciso comprar
importado.
No final da entrevista, Lilian me falou o porquê do
nome do grupo. Em 98 eles já se apresentavam localmente,
e usavam o nome provisório de "Rec.A", mas
queriam adotar um nome definitivo. Numa reunião informal,
Stefan (o holandês), ficou tirando onda que sabia falar
português e chamou suco de "zuco". Ela achou
engraçado e sugeriu batizar o grupo assim. "Mas
só zuco? Tem que ter um complemento, algo que complemente
a sonoridade". Então alguem
disse "Ah, mas o suco de voces é algo forte, chapante,
tipo um coquetel!" E outro completou :"Coquetel
com 103% de alcool!"
Por Joca Vidal
Uma
noite que uniu o drum'n'bass jazzy com os mais variados ritmos
brasileiros é a principal definição do
que foi o primeiro show no Rio da banda Zuco 103, formada
por uma brasileira (Lilian Vieira, a vocalista) e músicos
de várias nacionalidades, como os companheiros Stefan
Kruger e Schmid. Kruger é baterista e holandês
e Schmid é o tecladista, nascido na Alemanha. Os três
vêm fazendo juntos shows concorridos na Europa e só
agora vieram ao Brasil, lugar mais aguardado por eles para
tocar. Aqui no país desde o dia 16 de março,
quando fizeram a abertura da programação "Holanda
Hoje – Arte, Design, Urbanismo e Responsabilidade Social",
no Instituto Tomie Ohtake (SP), resolveram dar uma passadinha
no Rio para dois shows (o segundo marcado ás pressas
para o dia seguinte).
Apesar de uma incômoda chuva que abalou o Rio horas
antes de show, o público compareceu ao Ballroom para
conferir o som da banda e não se decepcionou. Era uma
da manhã, quando o DJ Dalua parou de tocar e os integrantes
subiram no palco e de lá só saíram duas
horas depois. Tocando canções de seus dois discos,
Outro Lado e Tales Of High Fever (lançado este ano),
eles conseguiram entrar em sintonia com o público durante
todo o show. O mesmo público que se acabou de dançar
com a misturada de música eletrônica (praticamente
drum'n'bass, mas com algo de house em alguns momentos) com
Lilian, carioca que desde garotinha aprendeu a gostar de música
por causa dos pais. A identificação foi tão
imediata que fez com que um suposto nervosismo dos integrantes
fosse dissipado em minutos, sendo transformado em feeling
ao longo do set. Maracatu Atômico e Bebete Vambora,
clássicos da MPB, foram revisitados eficientemente
em belíssima combinação DJ + banda (gringos)
e vocais brasileiros em um dos melhores shows já vistos
na casa por este que vos digita. Em determinado momento contaram
com o auxílio luxuoso do percussionista Marcos Suzano.
Depois do show a galera ficou dançando ao som do jungle
bossa de Dalua e o comentário entre os DJs (eram vários
que estavam presentes) era só de elogios. Zuco veio
pra ficar.
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