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Todo mundo sabe que o International Deejays Gigolo Records
pertence a DJ Hell e funciona como a central de comando do
neoelectro, com toda uma horda composta por Miss Kittin, The
Hacker, Vitalic, Tiga e outros indecentes. Mas poucos atentam
para um detalhe pitoresco: o selo alemão foi fundado
a partir da música “Innerwood”, do produtor
e DJ francês David Carretta, que se apresentou no Dama
de Ferro na quinta-feira 15.
Apesar
de ser ferozmente contra a popularização da
vertente – “O electro não é música
popular, eu não quero vê-lo na MTV” –
Carretta preocupou-se em agradar tanto aos gregos-doentes-por-música-eletrônica,
com delicioso techno retrô, quanto aos troianos-estou-aqui-pelo-hype,
que se divertiram com electro de referências disco (isso
mesmo!). Isso foi só para ilustrar a variação
musical do set do gigolo, que fez analogia com o heterogêneo
público da noite. Afinal, como ele próprio gosta
de dizer, é tudo música eletrônica: “Eu
odeio ter que usar um nome novo toda vez que um tom muda”.
Do lado de fora do clube ipanemense acontecia o místico
eclipse total da lua, mas lá dentro ninguém
fazia sombra em ninguém, apesar da superlotação.
A pista de dança colecionava fervidos homens, mulheres
e entendidos desde o memorável set de Rafael RM2, e
emendou ainda mais cheia quando David Carretta tomou a cabine.
Apesar do sistema de som tímido, o primeiro piso foi
a melhor opção para responder com o corpo à
convocação eletrônica do francês.
Nos
dias subseqüentes, Carretta ainda se apresentou em São
Paulo na festa Circuito, e em Porto Alegre, na primeira Gigolo
Party do Brasil. A partir de agora, os gaúchos aguardam
uma invasão de festas desta marca: a agência
Smartbiz, que representa a Gigolo Record no país, prevê
The Hacker e Savas Pascalidis em julho. Com sorte, Rio e São
Paulo aproveitarão a oportunidade e os convocarão
para apresentações locais.
Quem cometeu a sandice de perder Carretta poderá se
consolar com o CD “Le Catalogue Eletronique”,
lançado por seu selo Pornflakes. Será recalque
garantido.
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