| A
promoção da Rádio Cidade fez chegar ao
Cine Íris um público novo, neófito em
se tratando de Loud! Uma horda de meninas de dezoito anos,
pulseiras de tachinhas e cabelos vermelhos, juntou-se a cabeludos
de preto e a alguns mauricinhos e resultado : público
renovado e mais motivos pra eu me sentir um velho de setenta
anos dentro do cinema. Ficamos esperando que essa oxigenada
de público se traduza em mais festas no cinema - Loud!
que é Loud! tem que ser quinzenal e tá falado.
Sobre
o show da baiana Pitty as expectativas eram poucas. Um hit
em execução insistente nas rádios e MTV,
“Máscara”, e alguma promoção
para o disco de estréia, “Admirável Chip
Novo”. Mas, se quando começaram o público
estava frio, ao longo do show o cinema foi enchendo e animando-se
com a performance do quarteto. Ótimos músicos,
destaque para o guitarrista com timbres excelentes e bom gosto
incomum. O grupo acompanha Pitty com uma pegada hardcore que
em alguns momentos pende para o metal ou pro grunge dos noventa.
A boa sonoridade da banda, somada a excelente performance
de palco da Pitty (que, surpresa!, ainda sabe cantar muito
bem) deram ao show uma sobrevida inesperada. Há de
se destacar a ousadia de fazer um cover do Muse, “New
Born”, banda que, mesmo no reduto, pouca gente conhece.
Passando
o som na frente da galera, os recém chegados de Porto
Alegre, Ultramen, fizeram um bom show para um público
mais animado, mas que não chegou a lotar o cinema como
no show anterior, talvez pela demora no intervalo. Pra quem
não conhece, um show do Ultramen causa estranhamento
e pode parecer um saco de gatos. Eles passam do hip-hop ao
reggae, do dub ao hardcore, como eu bebo uma cerveja e peço
mais uma. Fazem isso com uma naturalidade desconcertante e
souberam amarrar bem seu show, pecando talvez por terem feito
um set muito longo. Mas como não fazer um set longo
se seus três discos possuem vários hits em potencial
? "Bico de Luz", do primeiro, "Dívida",
do segundo e "Máquina do Tempo", do terceiro
traduzem bem o espírito adolescente e a capacidade
dos gaúchos em segurar a platéia. Seguram ao
ponto de fazerem todos pedirem mais no fim da apresentação.
Foi quando detonaram pela primeira vez no Rio "Peleia",
música que evoca o tradicionalismo gaúcho misturando
a música típica sulina com o hip hop, ao mesmo
tempo salientando "Não podemos se entregar pros
ômi de jeito nenhum / Pois somos todos brasileiros do
Rio Grande do Sul". O Ultramen cada vez mais ultrapassa
as fronteiras lá de baixo.
E
o terraço ? Cheio desde cedo com o drum'n'bass brazuca
e enfumaçado de Dalua, que mostrou em primeira mão
a sua nova música que vai ser um dos carros-chefe do
seu primeiro cd solo: "Construção",
de Chico Buarque, cantada por Seu Jorge e com tempero debê.
É, você ouviu antes na LOUD! Parceiro de Dalua
na festa Febre, Calbuque, o outro DJ que tocava sob as estrelas,
manteve o alto nível de discotecagem mandando seus
tradicionais sons jazzy, para criar aquele clima que só
o Cine Íris proporciona. Os dois DJs contaram ainda
com a participação do MC Marioz nos improvisos
vocais, muitas vezes fazendo vibrar aqueles que subiram as
escadarias do Cine para ficar mais perto de Deus. Como os
integrantes do Ultramen no final do show: chegaram lá
e só saíram de manhã direto pra rodoviária
e mais 24 horas de ônibus até Porto Alegre. Não
se entreguem pros ômi, amigos, de jeito nenhum !!!
|