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Então somos moderníssimos Space Cowboys e Cosmic
Girls nas eletrônicas pistas do mundo. Somos mesmo?
Eu vejo aquele arrojado rapaz de óculos escuros, e
me questiono se o que ele tem ao seu lado é uma namorada
ou uma propriedade; já sobre a bonita moça de
rosto glitterizado, pergunto-me se ela acha o ciúme
masculino envaidecedor ou opressor.
Porque muito desrespeito é justificado como amor, e
isto está corrompendo os valores mais fundamentais
do ser humano. Ainda consideramos naturais (ou consideramos
sinais de amor) coisas como a limitação da liberdade
do outro ou a renúncia de nossas individualidades por
causa dos medos e desejos alheios.
Poucos casais conhecem a alegria de ser amado por livre e
espontânea vontade de seu par, sem chantagens, sem regras.
O amor é legítimo para aqueles que buscam a
felicidade em suas vidas independentes, para mais tarde se
oferecerem plenos, integrais, para o outro.
Caubóis espaciais? Meninas cósmicas? Talvez
apenas nas baladas. A máscara da vanguarda de muitos
descolados cai por terra quando o assunto é relacionamento,
revelando uma face pré-histórica. Nesses namoros
habitam mentirinhas-rex, ressentimentossauros, paranóias-de-sabre.
O que há de avançado nos pares que diminuem
suas próprias vidas e deixam para o outro a responsabilidade
de fazê-los felizes?
O Dia dos Namorados pode ser o momento que esperávamos
para modificar posturas neste âmbito – isto é
urgente. É de uma profunda tristeza o tratamento feudal
que gente tão sintonizada com as novas tendências
dispensa exatamente para aquele que escolheu para estar ao
seu lado.
Além disso uma nova atitude diante do amor é
imprescindível quando desejamos amor para esse nosso
planeta tão torto. Sem estabelecer um vínculo
de verdadeiros respeito e bem-querer com seu namorado ou namorada,
que está logo ali do seu lado, você dificilmente
conseguirá contribuir para que haja mais harmonia na
Terra como um todo. Pensar globalmente, agir localmente –
a fórmula genial.
Uma das aplicações mais extraordinárias
deste novo approach para o dia 12 de junho é que até
quem está sozinho pode manifestar enamoramento. Pode
ser pela Natureza, através de uma árvore (plante
uma!) ou de um animalzinho (alimente um!); pela humanidade,
através de uma criança (brinque com ela!); pela
beleza (pinte uma tela e presenteie a um amigo!)... por qualquer
coisa que resulte em carinho, ternura, para o mundo. O Dia
dos Namorados é, em essência, o dia da afetividade
– por seres vivos e por ideais.
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