Por Val Cotta


A Gigolo Party do primeiro sábado de agosto, na Bunker94 (RJ),trouxe os produtores e DJs da Gigolo Records , Savas Pascalidis e The Hacker. Promovida pela agência oficial do selo no Brasil, a Smartbiz, foi uma das festas mais esperadas dos últimos meses pelos amantes de e-music. Talvez só tenha perdido em hypação para a parceira de Hacker e, também gigolete, Miss Kittin. Mas essa festa, com certeza, conseguiu misturar mais gente de diferentes tribos numa só noite: várias facções de adoradores da música eletrônica, rockers e até gente que gosta de IDM marcaram ponto no local.



A noite foi mesmo memorável, casa cheíssima, com a capacidade máxima de 1.200 lugares lotada. Desde o começo dos sets, às 00h, quando o brazuca Maurício Lopes abriu os trabalhos nas pick-ups, até as 8h da manhã, quando um sorridente The Hacker bisava algumas de suas produções para uma platéia para lá de animada, e que não parecia querer arredar pé da pista e voltar para cas. A noite prometia trazer techno, electro e house de qualidade, e foi isso que se ouviu.

Os bares do local funcionaram a noite inteira, assim como os banheiros e seguranças, que não tiveram muito trabalho, já que a noite foi só alegria. Ponto para a Smartbiz e para a Bunker.


MAURÍCIO LOPES LEVOU O PÚBLICO CEDO PARA A PISTA

Um dos mais aclamados DJs de techno do Brasil e, reconhecidamente, um dos precursores da vertente electro nas pistas nacionais, Maurício Lopes abriu a noite e fez com que a festa já estivesse lotada antes de 01h da manhã. O público chegou cedo para ouvir o set do único DJ brasileiro da noite, que entregou as mks para o produtor alemão Savas Pascalidis, ás 02h30. Foi tão bom que depois da festa ouvia-se de muita gente que tinha sido dele o melhor set da noite.




OS GIGOLÔS

Mas a noite era mesmo dos esperados nomes da Gigolo Records, selo do alemão Hell, um visionário que faz marketing como poucos, que se antecipa e recicla o tempo todo para receber, sempre, seu hype em dinheiro. Sua última sacada foi colocar como ícone do selo, a top-performer transexual de Nova Iorque, Amanda Lepore. Savas e Hacker dividiram a opinião dos “estudiosos de plantão” da música eletrônica, ouvia-se que eles eram melhores produtores que DJs. Uns reclamaram das mixagens do primeiro e outros do excesso de hits no set do segundo. Mas o fato é que em momento algum a pista esvaziou.

SAVAS

Savas Pascalidis nasceu em Stuttgart, e foi lá, em 1987, que iniciou sua carreira de dj tocando disco e funk. Em 1991 começou a produzir e tocar em festas de techno e em 1995 começou a produzir suas músicas. Sua popularidade aconteceu quando ele lançou, em 1997, Sugarland Express, pela Kurbel Records.

O top ten do DJ e produtor alemão inclui: agoria - sky is clear (m. mayer mix); savas pascalidis - turn around ;luke slater - body freefall (s. pascalidis mix) ; silversurfer - welcome to berlin e outros. Em seu repertório da noite, Savas passeou pelo techno, electro e minimal, mostrou uma boa seleção musical com timbres mais pesados, e com direito a Blue Monday, do New Order . Mas não chegou a construir um set empolgante , além de ter errado muitas mixagens, dizem que por conta das três garrafas de champagne que ele consumiu.

THE HACKER

Michel Amato aka The Hacker, nascido no sul da França, é o parceiro da também francesa Caroline Hervé, mais conhecida como Miss Kittin, e se apresentou há dois anos no Brasil pela primeira vez. Dele ouvimos um set mais pop e dançante, a sonoridade das faixas que ele selecionou para tocar eram mais para o house/disco,como são as produções do seu selo, o Goodlife.

Sim, ele tocou todos seus hits e muitos de outros produtores de electro, o que fez a pista delirar e alguns torcerem o nariz por acharem dispensáveis músicas como Emerge, do Fischerspooner e Madame Hollywood. No seu repertório também tem muita coisa da década de oitenta como Behind the Wheel (Depeche Mode); The Fashion Party (The Neon Judgement) e Los Niños del Parque ( Liasions Dangereuses).

Hacker fechou tocando Frank Sinatra, com um monte de gente em volta da cabine cantando junto: "…suck my dick, lick my ass…". Mais do que apropriado para quem estava usando uma camiseta com a palavra shit escrita. Foi um set debochado, divertido e dançante, para acabar a noite bem feliz. E que venham Kiko, Romina Cohn e Tiga !




Por Joana Coccarelli

“DJs play dejá vu, as we were in 82”
- Miss Kittin & The Hacker

A felina já havia cantado o refrão no começo do ano, na ocasião de seus shows pelo Brasil; seu parceiro The Hacker esteve na Bunker em 2 de agosto para atestá-lo para a nata electroclash do Rio de Janeiro. Afinal, apesar da invasão em massa de gigolos que o país observa há pouco mais de um ano, jamais uma noite de electro carioca reproduziu tão bem a atmosfera oitentista quanto o DJ e produtor francês o fez recentemente.

Não que as apresentações antecessoras de DJ Hell, David Carretta ou Vitalic tenham fugido ao imprint synthcore de duas décadas atrás; o que na verdade incrementou a fantástica viagem no tempo foi uma fusão de fatores, como a penumbra underground da sala três da Bunker, o público seletíssimo e fiel ao estilo e o set do alemão Savas Pascalidis que, vestindo a camiseta International Deejays Gigolo Records, não deixou dúvidas sobre a legitimidade neoelectro do line-up.

Mauricio Lopes abriu o capítulo para uma pista já fervidíssima, que o adora como a autoridade nacional máxima deste estilo da e-music. Por causa dele, nada de longas sociais na porta da Bunker, o que, junto com uma produção organizada, evitou pesadelos na entrada. Savas Pascalidis veio em seguida com house ora funkeado, ora progressivo; levou a platéia à loucura quando do remix de New Order, no meio do set.

Sem dúvidas, éramos todos pac-mans num fliperama de apoteóticos raios lasers e fumaça de gelo-seco. O id movimenta memórias da infância.

Às cinco horas o fanfarrão Savas entrega o comando da casa lotada para o sisudo The Hacker. Balde e taças de champagne ao redor das pick-ups, atacou de Fisherspooner, David Carretta, Robert Calvin e Depêche Mode, e desfiou o seu rosário de infâmias gravadas na voz de Miss Kittin: “Rippin Kittin”, “Life on MTV”, “Madame Hollywood” e “Frank Sinatra” para o bis. A levada pedominante era techno retrô, com o clássico pancadão nas respiradas. De vez em quando o DJ alemão aparecia na cabine e passava a garrafa de Moët Chandon para a dezena de criaturas da noite que grudava os olhos nas carrapetas de The Hacker. Gigolo style.

A aventura eletrônica terminou às 8 horas de uma ensolarada manhã de domingo. Pac-mans pastilhados suportam horas de loucura vintage, mas sucumbem ao choque da claridade. Óculos escuros, pra que te quero.






Por Fábio Maia




Há poucas semanas atrás, o jornal carioca O Globo, baseado em 2 ou 3 festas que iam até depois das 3 da manhã (?!), “descobriu” uma “nova” “tribo” no Rio de Janeiro: a “Tribo Electro” (perdoem-me o excesso de aspas... mas são elas ou as gargalhadas).

Apesar de ter sido uma puta “forçação de barra”, de qualquer modo, para batalhadores do underground que somos, foi ponto pra gente: Era a grande mídia tentando mostrar para o público em geral o nascimento e a consagração de um movimento vindo das noites alternativas.

Pois bem, a prova dos 9 rolou no último dia primeiro, sábado, na Bunker. Afinal, era a primeira grande festa de electro após a polêmica matéria. Pense bem: o maior representante desta cena no Rio (Maurício Lopes) recebendo dois dos mais renomados DJs do gênero (o alemão Savas Pascalidis e o francês The Hacker) na festa que leva a marca do maior núcleo de new electro do planeta (a Gigolo Records). Só podia bombar! E bombou, maaaassss...

Vamos lá, comparações com São Paulo são inevitáveis. Afinal, essa mesma festa, na Terra da Garoa, foi no Credicard Hall (a segunda maior casa de espetáculos da América Latina... ou mais ou menos isso) e, por aqui, a tal tribo cabe dentro de um club para 800 / 900 pessoas. Por outro lado, enquanto paulistas se estapeavam para pagar 40 reais, aqui neguinho pagava, no máximo, 25 pratas. Melhor pra gente.

Sendo assim, chegar lá por volta das 5 da manhã de domingo e ainda encontrar a fila dos desesperados para entrar até que já era esperado. A Bunker parecia outra casa. Primeiro porque ela tinha sido alugada pelos produtores paulistas da turnê dos DJs e, logo de cara, via-se uma door com um sotaque diferente. Era a Simone, que demonstrava experiência e mão-de-ferro em matéria de conter os impacientes que já estavam a horas querendo entrar. Ela fazia o tipo marrenta, mas demostrou ser boa pessoa. Chegou até mesmo a descontar um cheque deste que vos escreve porque a Bunker não estava mais aceitando os “borrachudos” como forma de pagamento. E isso pegou muitos de surpresa.

Esse incidente fez com que eu perdesse quase todo o set do alemão, mas foi o suficiente para ouvir que, de electro, não teve nada. Pascalidis tocou (pelo que pude ouvir e segundo relatos de vários entendidos) essencialmente house. Fora um “Blue Monday”, do New Order, para a alegria dos oitentistas.

Em seguida, o tão esperado The Hacker. Parceiro da Miss Kittin, a musa global do Electro, e responsáveis por algumas das melhores produções do gênero. Produtor sim. DJ... sei não. Apesar do repertório sensacional (com direito aos resgates de Depeche Mode e Nitzer Ebb), o cara errou feio, tecnicamente falando, várias vezes. Com certeza, isso vai acabar reacendendo uma discussão recente que pegou fogo aqui na MOOD, sobre a importância da técnica na música eletrônica. Mas, cá pra nós, quando se paga mais caro para ouvir um DJ tido como “um dos melhores do mundo”, é bom querer sair da festa com a satisfação de quem viu e ouviu perfeição.

E ainda tinha o som. Ou melhor, não tinha o som. Tudo, muito mais do que distorcido, estava estourado. Era ensurdecedor. E não estou falando de volume. Mas de qualidade. Cadê o tal som que a Bunker tanto se gabou depois das reformas?

Mesmo assim, com muito pesando contra, a galera estava muito afim de se acabar e dançou até depois das 8 da manhã... com direito a alguns after hours que rolavam pela cidade. A maior alegria foi saber que, mesmo entre nomes de peso internacional, o melhor DJ da noite,para muitos, foi Maurício Lopes, que é coisa nossa.

Ah, e sobre a Tribo Electro, alguém viu alguém com as “obrigatórias” munhequeiras de tênis? E algum jornalista d´O Globo?