Se você ainda acha que os blogs são o maior fenômeno da Internet nos últimos tempos, é melhor se atualizar. Já existe outra ferramenta, com o nome bem parecido, que ganhou o status de nova onda.

Eu não poderia estar falando de outra coisa senão do Fotolog. De cara dá para perceber que tem a ver com imagem e foto, não é mesmo? Certíssimo. O Fotolog é um novo meio de comunicação virtual composto por milhares de usuários que, com a mesma facilidade de postagem de textos nos blogs, disponibilizam imagens diariamente. É só ter uma câmera digital na mão ou um scanner de mesa para que, em questão de poucos minutos, o mundo inteiro possa ver a sua cara ou o que mais você acredite que deva ser visto.

Os “fotologueiros” mostram quase de tudo, já que o Fotolog.net, site que hospeda os membros cadastrados, possui regras de conduta e não permite nada mais ousado. Mesmo com algumas restrições, dá para ver de tudo um pouco. Alguns flertam com a câmera, outros registram momentos simples do cotidiano, mas também tem gente que aproveita a facilidade do mecanismo do Fotolog para divulgar o próprio trabalho. Este é o caso da Sinistra, que mantém o visitadíssimo Bloody Kisses desde abril. Quem der uma passada por lá vai encontrar o os personagens e cenários da novela gráfica Fiend Fatale, criada por ela junto com o fotógrafo e artista plástico americano Sean C.Graham. Ela é a macabra personagem representada nas fotos.

O Bloody Kisses coleciona comentários favoráveis e a boa receptividade das pessoas tem deixado Sinistra bastante satisfeita.“A interatividade do Fotolog é muito interessante e os comentários me dão uma idéia do que as pessoas gostam, o que funciona ou não. É também uma ótima maneira de conversar com outros artistas, trocar técnicas e idéias”, diz Sinistra.

A agilidade da nova ferramenta também conquistou a jornalista e mooder Val Cotta, que aposentou o blog e atualmente participa de dois Fotologs: o pessoal (http://www.fotolog.net/val) e o Exquisite Corpse. Os dois sites são o seu mais novo vício e ela os visita diversas vezes ao longo dia. Para Val,o Fotolog tornou-se maneira mais prática de mostrar para os amigos o que ela anda fazendo: “Acho que uma imagem diz muito, então é bem melhor colocar uma foto e as pessoas terem o feeling do que está acontecendo com você, por onde tem
andado e o que tem feito”.

A jornalista percebe que dentro dessa filosofia crescente do ver e ser visto existe uma boa dose de voyeurismo. Mesmo assim, ela não gosta de utilizar o Fotolog como web cam e acha desinteressantes os Fotologs tipo Revista Caras. “É uma perda de tempo fazer esse shameless self-promotion, que só congestiona a banda com imagens de baixa qualidade. Mas a web é livre e cada um usa da maneira que acha melhor”, pondera. Sinistra conta que até cogitou a possibilidade de criar um Fotolog que mostrasse o dia-a-dia de uma maneira bem simplista, mas deixou a idéia de lado: “De certa forma os meus personagens revelam muito mais sobre mim do que fotos do meu cotidiano”.

As funções do Fotolog definem-se a partir da intenção de quem o cria. Logo ele pode tanto ser galeria de arte virtual como coluna social, editorial de moda, álbum de fotografia temático ou até mesmo um ponto de encontro para atividades realizadas fora da rede. Destes últimos podemos tirar as conclusões mais curiosas. Comunidades que transcendem os limites do Fotolog são cada vez mais comuns e a noite pode ser o passaporte para elas. É só dar uma pesquisada para atestar que existe um grande número de pessoas com afinidades musicais e hábitos noturnos parecidos que literalmente utiliza o Fotolog como lugar de partida para situações no mundo “real”.

O mecanismo é simples: os usuários vão adicionando-se uns aos outros nos “friends/favorites”, colocando comentários nos Fotologs conhecidos, visitando outros de amigos, os favoritos dos amigos e assim sucessivamente, de maneira que uma imensa rede de conhecidos se forma. Inevitavelmente, essa teia de usuários movimenta relações interpessoais em diversos níveis: “Já sei de relacionamentos que começaram através do Fotolog. Têm também aquelas pessoas que você só dizia ‘oi’ na noite e que passam a te tratar como amigos de longa data, o que não acho que seja uma falsidade, mas é que as pessoas ficam menos tímidas se relacionando através de seus logs do que pessoalmente”, conta um “fotologueiro” que preferiu não se identificar.

De acordo com ele, um grupo que vem interagindo bastante com uma ajuda do Fotolog é formado pelos notívagos do Rio e os de Belo Horizonte. “Existem grupos que ignoram as distâncias geográficas e se ligam nas afinidades, por isso que o Fotolog é uma ferramenta incrível, especialmente sabendo com o ele foi criado e como se expandiu. Se os caras da noite para o dia resolverem desativá-lo, não saberão o estrago que isso pode causar na vida social de muita gente”, acredita.