Noite de gala aquela que se desenrolou nos jardins da casa do arquiteto Lucio Costa, na Gávea. Produção impecável e amigos lindos, animadíssimos, super do bem. No line-up, o supra-sumo do progressivo brasileiro: Claudio Brio e Matera. Até o DJ que abriu a noite, Oppus, causou sensação. Para finalizar, Alhad e os donos da festa, Marian Flow & ZeO.

 



Os saudosos da épo
ca em que a cena trance era um botão de flor podem achar que me refiro a uma rave dos bons e velhos tempos, antes desta onda de desrespeito que arrasou com as pistas psicodélicas do país. Bem, é isto mesmo – com o detalhe de que aconteceu no dia 25 de outubro passado, como parte da série de festas da label Entre Amigos.

A Entre Amigos surgiu despretensiosa no começo deste ano, com a proposta fiel de ser festa para pouca gente, line-up superior e estrutura adequada. Sem papagaiadas, sem explanação, como acontecia há anos atrás. Ingressos a preços módicos que todo mundo paga com gosto, inclusive os jornalistas dos sites alternativos que vivem de lista de imprensa. Afinal, a private é um oásis na ressecada paisagem trance atual. Quem gosta de psicodelia eletrônica do fundo do coração quer mais é financiar a resistência.

Parece que a Osklen também gostou da proposta e patrocinou a última edição. A produção, encabeçada por Marian e ZeO, honrou o apoio e, como de costume, o público: nenhuma confusão para estacionar (flanelinhas, nem pensar), nenhuma confusão para entrar (apenas pessoas com e-mail na lista estavam autorizadas a pagar a entrada), ótimo equipamento de som e, o que é louvável, nenhum monstrinho perdendo a linha na pista de dança.

Então você volta a se lembrar de que uma festa é de fato boa quando todos estes fatores estão em sinergia. As pessoas resgatam a verdadeira essência do respeito e do senso de Arte, o nível de exigência volta a subir. O resultado foi uma vibe incrível do início ao fim, misturada com um sentimento de preservação daquilo que se curte. Daí, para ser feliz, é só uma questão de balançar o esqueleto.