A prática
de Yôga*
tem absolutamente tudo a ver com pista de dança.
Pratico Swásthya
Yôga e me jogo nas baladas em nome da Mood, esta
voz da noite alternativa. A intersecção entre
uma coisa e outra me atropelou.
Pra começo de conversa você
respira melhor, e se você respira melhor se cansa
menos. A respiração também expande
a consciência musical, ou seja, você mergulha
mais no som. Como se não bastasse, o balanço
fica mais fluido e pessoal, ninguém dança
parecido com você. Os próprios movimentos do
corpo são prazerosos, massageiam os músculos.
Para completar, há sempre a possibilidade de executar
um mudrá – lindos gesto reflexológico
com as mãos, que evocam as melhores vibrações
e ornamentam a dança.
Você se recorda que dançar é muito
mais do que marcar um ritmo com o corpo. Dançar é
para ser belo, é para evocar fluxos positivos, é
para brincar e é para deixar o resto do povo com
vontade de dançar gostoso também.
Não é à toa que a criação
do Yôga Antigo é atribuída a Shiva Natarája,
o dançarino cósmico que, apesar de ser figura
mitológica do hinduísmo, de fato existiu,
há cerca de 5 mil anos. Anahí
Flores, 26 anos, instrutora de Swásthya Yôga
(denominação do Yôga Antigo, após
a codificação) e autora do livro Coreografia,
explica que as técnicas corporais, denominadas ásanas,
são diferentes momentos de uma só dança
e que uma prática legítima de Yôga deve
ser feita com encadeamentos harmoniosos entre um e outro,
de modo que de fato seja uma coreografia.
Enquanto isso o pessoal do Swásthya Yôga prolifera
pelas festas e clubes da cidade. Diego Alfaro, 25 anos,
enfrentou o último festival trance Earthdance, em
Minas Gerais, à base de uma prática completa
de Swásthya pela manhã e execuções
isoladas de técnicas ao longo do dia: “Para
quem dança, alongar bastante e respirar direito é
fundamental. Um corpo flexível fica muito melhor,
mais solto e leve, e a respiração correta
fornece muito mais pique para balançar por horas
a fio. Além disso, as técnicas do Yôga
Antigo aumentam bastante a consciência corporal, o
que se traduz em um incremento absurdo do prazer proporcionado
pela dança”, conta.
Praticantes de Swásthya Yôga recusam o drink,
o cigarro e todos os outros aditivos que “temperam”
as baladas de alguns – afinal, o corpo humano, sozinho,
está equipado para proporcionar todo o prazer e a
resistência desejáveis numa maratona hedonista
na pista. As técnicas, por exemplo, permitiram que
Diego dançasse de seis a oito horas por dia de Earthdance.
Pránáyáma nos pulmões, ásanas
no bailado, mudrás nas mãos e endorfina na
corrente sangüínea: é você Natarája.
*A grafia correta é com y
maiúsculo e acento circunflexo na letra o. Confira
esta regra na bibliografia para o idioma espanhol (“Léxico
de Filosofia Hindu”, Editorial Kier, Buenos Aires
e na bibliografia para o idioma inglês (“Pátañjali
Aphorisms of Yôga”, de Sri Purôhit Swámi,
Faber and Faber, Londres; “Encyclopaedia Britannica”,
no verbete Sanskrit language and literature, volume XIX,
edição de 1954).