A e-music é o estilo musical que mais se vale dos recursos da internet para manifestar seus fluxos. Muito antes de vasculhar jornaleiros e livrarias em busca de publicações especializadas, ou lojas de discos na procura de novidades, os adeptos de suas diversas sub-vertentes devoram conteúdos de websites, baixam lançamentos do último segundo em MP3, trocam informações em tempo-real com gente do outro lado da esfera terrestre, adquirem plug-ins para a produção da própria música e as lançam no ciberespaço, alimentado parte deste ciclo frenético. Revistas e álbuns já estão velhos quando chegam no varejo. Universal e tecnológica até a medula, a música eletrônica vive essencialmente de www.

De modo que essa gente que se sacode madrugadas inteiras em pistas de dança pode ser encontrada online depois de urgentes horas de sono. Da necessidade de compartilhar essas experiências e centralizar novidades sobre seu estilo predileto proliferam as listas de discussão via e-mail. Grande parte delas são regionais (geralmente por cidade) e trata de uma só vertente. Os tópicos centrais são artistas, novos CDs, agenda e reviews de festas. Mensagem após mensagem, os integrantes trocam informações e progressivamente formam uma comunidade coesa, mesmo que jamais tenham se encontrado pessoalmente.

Quando a vertente está em plena evidência, como é o caso do electro, as listas ganham um gás que pode ejetar a interação do virtual para o real. A lista 55 Electro, por exemplo, celebrou seu primeiro aniversário em 10 de janeiro com uma efervescente festa na Bunker. Detalhe de ouro: a noite foi inteiramente comandada por três de seus integrantes: os festejados DJs Schild e Spark e o produtor Robson Waterkemper, do projeto Two Divided by Zero, que na ocasião lançou algumas faixas de “Appearance”, seu próximo álbum.

“A sala três da Bunker ficou supercheia, encontrei bastante gente que só conhecia virtualmente”, conta a mooder e administradora da lista Valéria Cotta. “Esperamos que esta seja a primeira de uma série. A idéia inicial é fazer outras edições, sempre com DJs da 55 para tocar”. O grupo tem ênfase no Rio de Janeiro mas, na qualidade de primeiro grupo exclusivamente de electro, ainda conta com integrantes de São Paulo, Belo Horizonte, Florianópolis, Brasília e até dos Estados Unidos e da Inglaterra.

Spark, o primeiro DJ da noite, atacou de electro robozão, bem old-school, e acha que participar da lista o ajuda a se manter atualizado sobre novidades, links de produções nacionais e a trocar figurinhas com outros DJs, além de levar mais gente para os eventos onde toca. Além disso, diz que “as festas deste tipo são legais porque ajudam a firmar amizades virtuais. O povo só se fala pela rede mas acaba tendo a chance de apertar a mão, dar um abraço no outro”.

Robson, que também é o owner da 55 Electro, revela que o número de assinaturas da lista disparou com o anúncio da festa, chegando a atual marca aproximada de 100 electronautas: “Entraram mais de 30 sujeitos. A lista propiciou um motivo legal para fazer uma festa focada no electro e isso gerou um interesse das pessoas em descobrir do que se tratava”.

Pelo ciberespaço afora existe lista de psytrance, house, techno, gótico. Mas se o seu negócio é revival oitentista e toda a variação de synths e technopop, a 55 Electro está aberta para adesões: 55-electro-subscribe@yahoogroups.com