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Foi uma Loud! perfeita. Até o clima, um friozinho
inusitado, combinou, no dia em que os gaúchos
Jupiter Maçã e Wander Wildner resolveram
fazer babar os cariocas. Já era de se imaginar:
todos os planetas de todo o universo alternativo estavam
lá, orbitando em torno dos caras. Casa cheia,
numa noite em que o estoque de uísque acabou
e as filas do banheiro se esticaram além do normal.
Jupiter Maçã
Os
DJs mais cultuados da noite - Zé, Melvin, Calbuque,
Butoke e Tito - esquentavam o público enquanto
o senhor Flávio Basso, mais conhecido como Jupiter
Maçã, não aparecia no palco do
cinema. Lá por uma da manhã, ele surgia,
acompanhado de uma afiadíssima banda de apoio.
Quem já conhecia o som diferente chegou pra perto
do palco e realmente cantou e se empolgou. Os não-familiarizados
com o estilo preferiram ficar acomodados nas poltronas,
atentos ao experimentalismo do gaúcho. No repertório,
músicas novas: A marchinha psicótica do
Dr Soup e Síndrome de Pânico. Os singles
fazem parte de Júpiter Maçã número
4, ainda não-lançado, praticamente todo
cantado em português e com ritmos brasileiros,
que marca uma nova fase de Flávio. Depois de
passar anos atendendo por Jupiter Apple, ele agora volta
a se chamar Jupiter Maçã, como no início
da carreira.
Mas também rolaram hits, como
Lugar do Caralho, gravado também por Wander Wildner,
e Menstruada, maior sucesso dos Cascavelletes, clássica
banda gaúcha dos anos 80 da qual Flavio fez parte.
Na segunda metade do show, músicas mais dançantes,
à la brit pop – uma das facetas do artista
- deram o tom.
Wander
Wildner
-
Oi, Wander, eu tô cobrindo o evento, posso fazer
umas perguntas pra você?
- Oba! Você quer me cobrir? Rá-rá-rá
Claro, só podia ser ele, o tosco
mais legal da cena alternativa. Pela correria nas escadas
e quantidade de gente entrando na pista do cinema, já
dava pra perceber que era Wander Wildner quem chegava,
depois de um curto intervalo. Foi um show digno de quem
gosta de pular. Todos os hits estavam lá: Eu
Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo, Lugar do Caralho
(mais uma vez), Empregada, Bebendo Vinho e Mantra das
Possibilidades, entre outros. Teve até Candy,
do Iggy Pop, cover que está no novo disco de
Wander, Paraquedas do coração, que o artista
está lançando em várias cidades.
De Paraquedas, destacou-se também Eu Não
Consigo Ser Alegre O Tempo Inteiro: “Eu não
consigo ser alegre o tempo inteiro / Eu não consigo
/ Eu sou o rei do ieieie”
Wander, que define seu estilo como
“punk-brega”, é uma unanimidade no
cenário independente, dono de uma autenticidade
especial, um sujeito que canta e toca como quem comemora
numa mesa de boteco com os amigos. Contou que o Rio
tem uma importância grande na sua vida e obra
e, em 1993, quando morava na cidade, formou uma banda,
a Máquina Melequenta. O novo disco, inclusive,
foi gravado aqui.
- Mas e aí, Wander, o que você
achou do show?
- Pô, precisa falar? Olha minha cara...
A cara, diga-se de passagem, era de
euforia extrema. A velha cerveja na mão, a voz
arrastada. Comemorando, como sempre. Tanto ele como
o Jupiter Maçã devem ter voltado satisfeitos
pro Sul, depois de tocar em um lugar que, dia 29 de
maio, foi mais do caralho do que nunca.
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