Muitos nascem pros palcos mas nem todos fazem de tudo lá em cima. O carioca Leopold Nunan, 25 anos, é um desses prodígios: “Eu canto, danço, atuo e chupo cana de açúcar em cena”, diz. É bailarino com formação assinada por Regina Sauer, Renato Vieira e Tatiana Leskova; fez nove anos de Tablado, a conceituada escola de teatro, atuando em espetáculos que levaram prêmios Sharp e Coca-Cola; aos 20 lançou dois singles de house music, “I´ve Got It” e “Feel the House”, que ferveram as pistas do Brasil e do exterior. Já inventou performances no Rio, em São Paulo e em Holiwood. Recentemente foi convidado para dirigir a turnê que o pianista americano Michael Mangia fez pela Costa Oeste, mais Filadélfia (quando abriram para Steve Tyler, vocalista do Aerosmith) e Nova Iorque. Elétrico, não resistiu e subiu ao palco em todos os shows: “Ele faz rock, não é muito a minha praia, mas me diverti bastante mesmo assim”

Leopold aproveitou para dar sua dentada particular na Grande Maçã: em 03 de julho passado fez um one man show (“Sozinho no palco, eu e Deus”) no clube The Urge, Segunda Avenida com 2 nd Street. Em esquema cabaré alemão/teatro revista, não poupou cílios postiços, cartola, maquiagem, indumentária. No primeiro bloco (e aproveitando que era véspera do dia da independência americana) encarnou um palhaço militar com ares de Hitler, “que era o palhaço mais famoso daquela época! E mau, muito mau”, debocha. No segundo esquete o show for brazuca total, cantou house com bossa nova, convidou um brasileiro que estava na casa para dançar com ele onstage. Foi a hora do malandro carioca do chapéu, corrente de ouro no pescoço, aquele gênero elegante e perfumado da máfia dos anos 40. Terminou com um sambão de escola de samba, tocou tamborim, fez coreografia de passista: “Minha intenção é lançar um Carnaval toda vez que piso no palco com esta performance. É superconfortante para mim, porque é o modo que encontrei para não sentir tanta saudade do meu país”.

Surpreendeu-se com a resposta calorosa da audiência nova-iorquina, “eles gostam de performances, de palco, de e-music. Estou acostumado com a platéia de Los Angeles, que é difícil, todo mundo fica te olhando com um ar meio desconfiado, é o lugar das almas plastificadas e do cinemão”. Quando terminou o show havia uma fila de pessoas querendo cumprimentá-lo, incluindo ninguém menos que o lendário cowboy do Village People.

Indiretamente, Leopold levou outros brasileiros para a cena: o figurino incluía uma calça legging de burnout velvet da paulista Fábia Bartsek e um corselet medieval do queridinho da alfaiataria moderna André Camacho, ambos participantes das fashion weeks legais do Brasil.

 

A próxima venue de nosso enfant térrible será em 20 de agosto em Los Angeles, quando abrirá para Lady Miss Kier, a inesquecível vocalista do Deee Lite. “Vou armar um ponto de macumba, fazer saudação para Ogun, orixá guerreiro santo”. Desta vez o figurino ficará por conta do estilista Monge, o hype das passarelas locais, e subirá ao palco com dois bailarinos. “Vai ser macumba-house!”.