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Por Clarisse Cunha Quando ainda éramos colônia e o Rio, a capital, já existiam por aqui alguns poucos cafés e botequins. Não diferiam muito uns em relação aos outros. Eram lugares onde os homens se reuniam para beber, fumar e prosear. Foi início do século XX que a vida boêmia carioca teve começou. O desejo de ser uma cidade com os requintes da capital francesa justificou o Bota-abaixo de Pereira Passos, desejando transformar o Rio na "Paris dos Trópicos". Para que a semelhança fosse real, tínhamos os jovens da época que andavam imbuídos de uma caráter revolucionário. Na França, isso acontecia na vanguardas, fossem essas artísticas, políticas, literárias. Montmartre com seus Moulin de la Galette, Moulin Rouge e Mirlinton, entre outros. Como não podia deixar de ser, foi no centro do Rio que a boêmia teve seus lugares especiais. Para dar um exemplo bem marcante, O Café Braguinha, na Rua da Constituição foi um dos primeiros cafés (na verdade, já vinha de meados do século XIX) e ficou sendo o mais famoso da época. A clientela era recheada de escritores como Laurindo Rabello, Machado de Assis e José de Alencar. O dono, Silva Braga, não podia deixar de aproveitar a especialidade de sua clientela e pedia a eles que redigissem frases publicitárias e surgiam coisas como "A Fama do Café com Leite - sem usura e sem mistura". Outro que contava com os dotados em letras era o bar Vermelinho em frente à Associação Brasileira de Imprensa. Ali era o mundo dos jornalistas, dos intelectuais e escritores. Palco de muitas discussões, imaginem se não. Leiteria Silvestre, Casa Cavé, Bar Luís, Nova Capela, Amarelinho... o Centro não podia deixar de ser o berço da boêmia carioca cheirando a perfume francês e camembert. Mais tradição do que isso, só mesmo a Confeitaria Colombo... A prova "viva" de que um dia fomos mais ou menos Paris. »»»
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