Por Clarisse Cunha

Conhecido como o "Pereira Passos das confeitarias", Manuel José Lebrão não poderia deixar seu estabelecimento de fora do estilo que estava em moda. Por isso, a Confeitaria Colombo passou a ter todo aquele aspecto "art-nouveau" que marcava a arquitetura e decoração parisiense. A vontade de ser a Paris abaixo da linha do Equador era tanta que, em 1914, o cardápio - ou melhor, menu - vinha escrito em francês.

Todo final de tarde, lá se encontravam as senhoras e moças de famílias emergentes. Ao anoitecer, o público mudava e então chegavam os homens que estavam saindo de seus escritórios. Temos aí, portanto, o "happy-hour" do início do século. É claro que existia todo um manual de etiqueta como roupas, chapéus, plumas, leques e flores para se freqüentar esses ambientes. Nada era assim, sem mais nem menos. Afinal, o "lobby" é algo praticamente inato ao ser humano... todos gostam de aparecer por aí, arranjar um parceiro interessante, bater um papo legal, "dar as caras", mesmo.

Seu Lebrão pôs o nome de Colombo porque ele era um europeu (português) que chegava na América, e a confeitaria era mesmo sua melhor descoberta - e a chance de se vencer na vida. E assim foi. Era um lugar com uma aura de êxito, além de uma importante artéria do movimento social e cultural do Rio. Acabou sendo conhecida como uma sucursal da Academia de Letras. Olavo Bilac, nosso poeta parnasiano, tinha a Colombo como sua segunda casa e enviava cartões portais dos lugares que visitava na Europa. »»»