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Mãos
e pernas e... um volante e beijos e abraços .... um câmbio.... uma
joaninha da polícia. O constrangedor barulho do zíper fechando...
uma carteira se abrindo... R$ 50 voando do seu bolsinho. Desde que
o mundo é mundo, a combinação entre gemidos de fogosos amantes e
vidros embaçados atrai muitos adeptos. Afinal de contas, dar uns
amassos dentro do carro já uma tradição que atravessa gerações.
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Até
meados dos anos 60, a Barra era uma imensa área semi-deserta: perfeita
infra-estrutura para se instituir ali um motel ao ar livre. Numa
época em que parecer inocente era muitíssimo importante e os motéis
praticamente não existiam, ficar olhando o céu da Reserva dentro
de um Gordini poderia ser um extasiante programa. O Alto da Boa
Vista, bem mais seguro naquela época, também era outro lugar visadíssimo
pelos "brotos", ainda muito cheios de mãos e dedos.
O
tempo foi passando, a liberdade sexual bateu à porta de casa, os
motéis se consagraram... Mas há quem não dispense a luz da lua para
uns bons sarros. Ou porque as coisas ainda não são tão fáceis, ou
porque a sensação de perigo é um ingrediente a mais na hora de baixar
os bancos.
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| É
o caso do estudante Paulo, 21 anos. Ele se confessa freqüentador dos
"namoródromos", em especial da já citada Reserva, na Barra, quase
Recreio. "Nos fins de semana, entre meia-noite e duas horas, não tem
nem vaga", garante. "É muito, muito escuro, e não tem absolutamente
nada por perto. Só a praia". Lá, ele nunca foi pego por nenhum policial,
mas conta que já ouviu muitas histórias.
Como
a do Marcelo, 26 anos, economista. No auge da animação, o rapaz
ouviu o "toc toc toc" no vidro. "A sorte foi que os caras não puderam
ver a gente dentro do carro, porque as janelas estavam completamente
embaçadas. Deu pra que eu e a minha namorada nos compuséssemos em
tempo". Nosso amigo foi então devidamente extorquido: "acho que
foram R$ 30... era o que eu tinha na carteira. Saiu quase ao preço
de um motel..." diz, um tanto quanto arrependido. "Pelo menos, eu
dei sorte. Um amigo meu se apavorou, lá em Pitangueiras, na Ilha,
e arrancou com o carro. A polícia conseguiu pará-lo mais a frente,
e ele e a namorada foram parar na delegacia. Muito otário!" ri,
o muy amigo.
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Nossos
freqüentadores enumeram ainda outros lugares, como o Mirante do
Sétimo Céu, no Leblon, seguindo pelo lado esquerdo da Rua Aperana,
atrás da Visconde de Albuquerque. "Já comecei um namoro ali", conta
meu xará Fernando, 21. "Juro que não foi proposital, não costumo
ir à esses lugares. Não tínhamos o que fazer, pra onde ir, sugeri
que ficássemos conversando, olhando a vista. Nem era eu quem estava
dirigindo. Conforme eu ia dando as coordenadas do caminho, que é
escuro e cheio de curvas, a pessoa ia ficando mais apavorada...
hahahahahaaha...". O namoro acabou e Fernando também nunca mais
voltou ao mirante. "Mas, me traz ótimas recordações".
Namorar
no carro pode ser uma ótima mesmo, mas, brincadeiras à parte, também
perigoso. Nunca é demais lembrar que isso é considerado um crime
de atentado ao pudor, e a coisa pode sujar feio pro seu lado. Além
disso, existe o perigo eminente de assaltos e outros tipos de violência.
Mas, nem tudo é ilegal ou imoral ou engorda. Pode até dar barriga,
mas engordar, exatamente, não. (Infame... ugh!)
Por
Fernando Coelho.
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