Por Alexandra Marchi

Tudo é uma questão de gosto e personalidade. O estilo de uma pessoa é como um cartão de visitas, revelando aspectos de seu modo de pensar e sua atitude em relação ao mundo.

Pessoas são seres únicos e complexos. Partindo dessa premissa, estilos também são. Para alguns, é um pouco mais difícil conviver com essa diversidade de opiniões, gostos e manias, alguns mais excêntricos, outros mais comuns. Odiado pela maioria, o rótulo é uma tentativa de facilitar o entendimento de uma coisa diferente do que já conhecemos. Mas para quem é constantemente rotulado de alguma coisa, tudo pode não passar de uma certa "preguiça" em conhecer profundamente as características do outro.

Na noite, então, parece rixa entre galeras. Os roqueiros que não gostam dos playboys, que por sua vez brigam com os "jiujiteiros", que não vão com a cara dos clubbers, que não suportam os pagodeiros. Tem piercing, então é clubber, mesmo que a sua inspiração tenha sido a Carla Perez. Está com blusa de banda, então é roqueiro. É loira e queimada de sol, então é paty. Se você está meio branco e resolveu se vestir de preto, virou gótico! O estudante de publicidade Bruno Cardoso, 20, se assusta com esse tipo de pensamento. "O que me espanta é a maneira radical de tirar conclusões a primeira vista", diz ele. E completa. "É tão normal se enganar com as pessoas, se tem uma coisa que hoje eu sei que não faz diferença é julgar pela imagem. Não é difícil ver metaleiro careta e patricinha doida".

  Se estudar física é coisa de louco, a estudante Fernanda Oliveira, 20, ainda não sabe. Entretanto, ela é tachada de maluca e nerd por ter escolhido essa carreira. "Quando eu falava para as pessoas que eu ia largar a faculdade de odontologia para fazer física, todos diziam para eu não fazer isso pois só tinha gente bitolada na física", conta. Mas ela também costumava rotular a sua amiga Flávia Abdalla, 20, de patricinha, por motivos irrisórios. "Quando eu vi aquela menina loirinha e toda arrumadinha na faculdade, já achei logo que era uma paty. Mas depois que eu a conheci, vi que ela não era nada paty, muito menos "loira", pois não dizem que loira é burra?" brinca. E se ela fosse meio patricinha mesmo, mudaria alguma coisa? "O papo dela não tem nada a ver com shopping, futilidades, só atrapalharia a amizade se ela fosse assim, e isso não teria nada a ver com rótulo de patricinha".  

Na maioria das maioria das vezes, os rótulos acabam sendo aplicados de forma pejorativa, podendo inclusive afastar as pessoas. "O rótulo cria preconceito. As pessoas podem deixar de interagir por causa de uma idéia pré estabelecida sobre a outra e isso pode ser prejudicial", opina Lia, que acredita que não tem muito por onde fugir disso. Ela arrisca uma solução. "Eu tento não me enquadrar em nada específico, tento ser eu mesma e isso varia de acordo com cada grupo que eu ando". Bruno prefere ver isso tudo de uma forma mais leve e engraçada. "Tenho um amigo que há pouco tempo fez uns dreadlocks no cabelo, ele não tem nada a ver com os rastafari, muito menos com Bob Marley. Mas já é inevitável vê-lo e automaticamente dizer "coé rasta!!!", se diverte.

A palavra que rege o convívio pacífico de tantos estilos é o respeito. Vale a pena ter em mente que sempre existirá alguém que pensa diferente e, já que não há verdades absolutas, nunca saberemos quem é o certo e quem é o errado. Quem sabe não é melhor tentar aprender com o que nos é estranho do que simplesmente repelir e criticar?