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Há
mais de 100 anos homens vêm decorando seus corpos
com os mais variados desenhos através de tatuagens.
Esta técnica foi aceita e incorporada por inúmeras
culturas, especialmente entre os jovens. Permanente,
desesperava pais que associavam aos filhos recém-tatuados
uma preconceituosa idéia de marginalidade, e
obrigava ex-namorados a esconderem o nome tatuado da
amada por debaixo de um outro desenho qualquer.
Fadas,
borboletas, heróis, luas e estrelas... quantos
não dariam de tudo para remover desenhos agora
ultrapassados para o universo das tatoos? E foi exatamente
a solução para esse problema que mudou
completamente o significado da tatuagem para os jovens
que adentram o século XXI. Por ser permanente,
a tatuagem envolvia toda uma ideologia. Era dolorosa,
exigia coragem, e sobretudo muita determinação.
Não havia chances para se arrepender. Depois
de terminada, era olhar-se no espelho e aceitar o fato
de carregar o desenho para onde quer que se fosse, durante
o resto de sua vida.
Decisão
complicada, caminho sem volta. Sem espaço para
os "e se" . "E se eu enjoar do desenho?",
"E se me negarem um emprego?", "E se
o namoro terminar?".
Com o desenvolvimento das técnicas de remoção
a laser, pais e jovens arrependidos encontraram uma
solução não muito barata, porém
prática. Enjoou? Arrume uma grana e mande tirar!
Nada de mais.
Mas
o laser não apenas tira as tatuagens. Ele tira
muito da carga emocional que acompanhava o ritual de
se tatuar . Não é preciso mais pensar
dez mil vezes antes de optar por um determinado desenho.
Não terá que se imaginar aos 80 anos com
um dragão cuspindo fogo estampado no peito. Melhor?
Nem tanto. O processo envolvia a permanência,
e a solução para este empasse tem levado
o homem a descobrir novas técnicas de se trabalhar
com o corpo.
A
popularização das tatuagens desgastou
o processo, e a remoção a laser foi o
fim da picada. Natural do homem, a busca pelo prazer
e por novas experiências trouxe até nós
a body modification. Afiar dentes, cortar a língua
ao meio, implantar chifres... as coisas não ficam
por aí. O branding e a scarification vêm
se popularizando num ritmo absurdo, que nos faz crer
que venham ocupar o espaço deixado pelas tatuagens.
Processos distintos, só têm em comum o
fato de serem permanentes. Para quem nunca ouviu falar,
uma pequena explicação das duas práticas:
Scarification - Também conhecido
como "a arte do quelóide", consta em
se fazer cortes na pele, profundos o suficiente para
que esta se abra. Se a pessoa que está sendo
cortada tem a pele muito clara, deposita-se tinta utilizada
para se fazer tatuagens em seu interior. Já em
peles escuras, coloca-se um alcalóide cinzento.
Algumas pessoas preferem cortar a pele com uma faca
aquecida, o que a cauteriza durante o corte. Não
se utiliza anestesia durante o doloroso processo.
Branding - Prática extremamente
dolorosa e que pode causar inúmeros problemas
de cicatrização. Consta em se queimar
a pele com ferro em brasa, também com a finalidade
de se marcar permanentemente a pele com desenhos. Essa
prática é a mesma utilizada para se marcar
gado.
As scarifications, assim como o branding, são
explicados dentro de um conceito estético, similar
ao da tatuagem, mas não se pode deixar em segundo
plano a conexão que essas práticas têm
com os rituais sadomasoquistas. Os adeptos da prática
SM, que coloca entre a dor e o prazer uma tênue
linha de distinção, muitas vezes fazendo
destes uma coisa só, já utilizavam as
duas técnicas citadas acima, sem nenhuma apelação
estética. Estes sim são caminhos sem volta,
pelo menos até o momento. Mas não demorará
muito até a ciência aparecer com uma solução,
e homens com novas idéias. Que futuro a criatividade
reservará para nossos corpos?
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