Se formos falar em estatísticas, a opção sexual da humanidade pode ser dividida da seguinte maneira: 90% heterossexuais, e os 10% restantes homossexuais. Mas nesses números não foi reservado espaço para os homens e mulheres que sentem atração por ambos os sexos – os bissexuais.

Conversamos com um jovem de 20 anos, que se define bissexual, numa tentativa de compreender o que leva uma pessoa a fazer esta “opção”.

Raul* ficava com garotas, até o dia em que foi surpreendido pelo conhecido de uma amiga. Apenas um rápido beijo, que bastou para que o gosto se desenvolvesse. Hoje, Raul* namora um cara há alguns meses. Durante este intervalo de tempo, ele não deixou de ficar com mulheres, mas apenas “expandiu seu leque de opções”. Raul* diz que os gays são mais desencanados, e afirma que com uma pessoa do mesmo sexo é mais fácil “chegar lá”, já que está lidando com um corpo igual ao seu.

Para ele, o excesso de informações, adquirido principalmente através da internet, foi um dos responsáveis por ter despertado a curiosidade neste campo. O mundo gay se torna uma realidade acessível, ao mesmo tempo em que a identidade da pessoa é preservada.

Em um determinado momento da vida, alguns bissexuais acabam por optar por um dos dois lados da moeda. Mas Raul* não concorda com isso. Também não concorda com quem tenta tachá-lo de acordo com o parceiro com quem está no momento: “As pessoas acham que, por eu estar namorando outro cara, eu sou homossexual. Quer dizer que se eu estiver namorando uma mulher eu vou passar a ser hetero? Isso não existe!”

Apesar de muitos acharem que os bissexuais são maníacos por sexo e incapazes de amar, Raul* jura não trair o namorado, e ainda diz que o sexo não basta para garantir um relacionamento estável. “O sexo pode definir uma relação, mas o ideal é encontrar o equilíbrio entre o afeto e o sexo. Só sexo não basta”. Independente do que se acredite, numa coisa ele tem razão: O que importa é ser feliz ao lado de alguém.