brasovMisture os clássicos(?) da infância como hits da Gretchen, o jingle das “Piscinas Tony” e o tema do seriado “Chips” com músicas do Leste Europeu, Cabo Verde, México e Rússia. Tudo isso e muito mais é o som da irreverente banda carioca Brasov. Formada há dois anos por Daniel Vasques (saxofone), Fabiano Krieger (guitarra), Felipe Rocha (trompete), Lucas Marcier (baixo), Rafael Rocha (bateria), Raphael Miranda (percussão) e Ricardo Dias Gomes (teclado), a banda vem marcando presença nos principais palcos do Rio e já fez incursões em Londrina, São Paulo e, agora em fevereiro, na Alemanha.

A banda foi tocar em Munique fazendo trilha sonora para a Companhia de Dança Dani Lima. Porém, deixou o trompetista e também ator Felipe Rocha, que não pôde ir por estar em cartaz no CCBB com a peça “A resistível ascensão de Arturo Ui”. Felipe conta um pouco da história e projetos desse inusitado grupo.

 

Quais são as influências do som de vocês?

É muita coisa. Tem muito a ver com as trilhas dos filmes do Emir Kusturica, que têm essas coisas de metais, lá daquela região da Europa: Romênia, Iugoslávia. A partir daí a gente foi pesquisar grupos de sopros, de ciganos, daquela região. Também tem muita coisa da infância, uma idéia assim de pegar o lixo antigo como adubo para fazer uma coisa nova: as coisas de Gretchen, Chips, que talvez pudessem ser ruins mas a gente ouvindo é como se a gente se libertasse. Não precisa ser certinho, não precisa ser chique. Você pode se soltar e gostar dessas coisas. Uma outra referência forte é o trompetista americano Herb Alpert, super cafona, que tinha um grupo chamado The Tijuhana Brass. A gente ouve muita coisa dele, fora as músicas que são nossas, aí nem sei de onde vem a influência. É muita coisa misturada. O som de vocês é rotulável?

Tomara que não seja. Se conseguirem rotular a gente faz uma outra coisa. Na verdade, faz tempo que os grupos eram de reggae, de rock, de funk… e de uns tempos pra cá isso foi se quebrando. Eu era garoto e os Titãs tocavam reggae, punk, rock, tocavam balada, essa coisa dos vários ritmos… A gente quando vai no tijolinho do jornal a gente sugere que a pessoa ponha em pop porque não é MPB, não é clássico… Mas ao mesmo tempo é um pop que não tem nada a ver com Skank ou com Patu Fu. Mas eu acho legal esse conceito do pop como uma coisa que pode chegar a muita gente, como uma coisa que pega elementos do cotidiano para fazer uma coisa diferente.

 

E como começou o Brasov?

A banda começou em 1998, quando a gente foi fazer um espetáculo para a Companhia de Dança Dani Lima. Eu estava escrevendo as músicas e queria juntar uma galera pra tocar isso ao vivo. A maioria dos músicos eram amigos de escola do meu irmão que é o baterista do grupo. A gente já conhecia os meninos de convivência. A maioria já tocava junto em uma outra banda chamada Cachaça Jazz. Aí a gente se juntou pra tocar nesse espetáculo.

Foi super legal, ganhamos um prêmio de melhor trilha da Rio Arte. E a gente ficou a fim de dar seqüência nisso, começamos a montar um repertório. Em 99 a gente estreou como Brasov. A gente continua até hoje com esse trabalho de trilha.

 

Como surgiu o nome Brasov?

A gente foi fazer um desfile da Luiza Marcier, a nossa figurinista e naquele dia a gente decidiu que tinha que ter um nome. Como é que pode ter uma banda sem nome? E a gente não conseguia, não achava, não descobria. Aí eu peguei um globo inflável que eu tinha lá em casa e fui olhar na Romênia, Iugoslávia, Bulgária, nomes de cidades. E tem uma cidade na Romênia chamada Brasov. E aí achei muito legal porque é como um Brasil russo, um Brasil com uma ligação com a música dessas cidades.

 

Por que tocar vestidos de porteiro? 

Eu sempre gostei de uniformes, essas lojas de roupas de empregada, roupas de mordomo. E conversando com a Luiza eu sugeri a idéia do uniforme completo dos porteiros porque a música que a gente toca é de países que são meio que a América Latina do mundo. A Bulgária é a América Latina da Europa, o México que é a América Latina da América do Norte, a África, esses lugares pobres… Então eu acho que esta identificação com os porteiros, com as empregadas, com os trocadores me agrada muito. E aí a Luiza teve essa idéia dos porteiros coloridos, cada um ter a sua cor e trouxe uns óculos bacanas. Aí eu achei num brechó umas toucas horríveis de natação…

 

Vocês já têm previsão de gravar de gravar um CD?

A gente vai gravar esse ano, por conta própria, com uma dupla que a gente gosta muito o Kassin e o Berna, e vamos tentar vender ele pronto. Quem quiser a gente gravou uma faixa, “O Homem Objeto”, no CD do CEP 20.000 que saiu com edição da Trip #83. A música é a do clip que a gente fez e foi indicado para a MTV como melhor democlip. A gente foi pra São Paulo no Vídeo Music Awards, todos vestidos de porteiro, pagamos um mico danado. Foi super legal, a gente fez com a TV Zero. Esse ano, uma coisa legal que vai acontecer é que a gente vai tocar no Abril Pró-rock em Recife e em São Paulo. Esse ano vamos tentar fazer isso: gravar o disco, tentar tocar no máximo de festivais que a gente puder, mostrar a cara.

 

Como você explicaria para alguém, que nunca viu a banda, o que é o Brasov?

Antes de qualquer coisa eu adoraria convidar esta pessoa pra ver o show do Brasov, é a melhor coisa. Falar é estranho. Agora que a gente vai gravar o disco, a gente tá na maior sinuca de como transpor essa coisa performática e visual para um disco. Porque no show a gente toca o tema do “Chips” em cima de duas bicicletas ergométricas com capacete, peruca e dá uma dura em alguém da platéia. Depois a gente faz um número de magia e transforma uma moça virgem da platéia, que a virgindade é o elemento fundamental da magia, e a transforma na macaca Conga. Tem striptease dos músicos, tem danças ridículas… Então como transpor isso para um disco? A gente não sabe. Mas são músicas muito animadas, vigorosas, improváveis e talvez inesperadas.