E assim se fez a designologia

Por Leandro Gejifinbein

Certo dia, não muito distante, algumas pessoas andavam pela mata, pensando, entre o ir e vir dos animais velozes, em como a vida foi lascada.
Orgulhosos, eles levantavam seus arcos e flechas e olhavam para o céu. Um agradecimento de aprendizes ao seu mestre. Nunca foram filósofos, e muito menos sabiam ou saberiam o que significava isso, mas se questionavam: Por que todas as coisas têm forma? Por que toda forma é única? Por que não há só uma única forma?
- Olhem aquela pedra! Sem forma definida. Tão feia. Parece até uma árvore.
- Parece? Se parece tem forma. Uma forma que não é a sua, é a forma da árvore.
- Mas cada árvore tem sua forma, que árvore então se parece com aquela pedra?
- Talvez não exista, a forma daquela pedra é ser uma forma única. Nem de pedra, nem de árvore. A forma é dela.
- Mas então como sei que é uma pedra?
- Não sabes. O que há é a impressão de ser. Olhaste e viste uma pedra, é sua primeira forma. Mas achaste que a pedra mais parecia árvore. Porque sabes que árvore também tem forma, mas nunca vai ser uma pedra. Por isso pedra é pedra.
- Mas então que forma de pedra aquela pedra tem?
- Depende. Estamos vendo de um lado só. Aproxime-se alguns passos e diga de novo a impressão que terás.
O índio então chegou mais perto. Olhou com cuidado. Levou um susto. E voltou muito rápido.
- Corram! Corram o quanto puderem. Não é pedra nem é árvore. É bicho. E nem queiram saber forma de que bicho tem! Corram!
Todos correram e sumiram na mata fechada. Não sabiam pensar mais nada. Só gritavam olhando para cima: Porque todas as coisas têm forma? Por que toda a forma é única? Por que não há só uma única forma?
Enquanto mais distantes ficavam e suas vozes enfraqueciam, as nuvem deixavam de ser velozes, ficavam escuras, e não demoraria muito para cair os primeiros pingos de chuva.
- Estamos chegando na aldeia, podemos descansar um pouco.
- Mas assim, a chuva nos alcança.
- Chuva só molha. Não há do que ter medo.
- Não tenho medo da chuva. Tenho medo é de água. Estamos cansados porque corremos de bicho que, com forma de árvore, parecia uma pedra. Muito mais medo tenho de água, porque ela pode ter qualquer forma. Como então vou saber de quê, antes de precisar correr? Tenho medo da forma, e pavor do que se transforma.
Decidiram então seguir caminho e só pararam cada um em sua oca. Oca que com sua forma pode proteger da chuva e do vento. Tudo no mundo tem forma, para que cada coisa seja uma coisa. Nunca mais eles voltaram na floresta. Mas ainda guardam os arcos e as flechas. E pensam. Sabem que não podem mudar o mundo, mas a todos que saem para a mata eles aconselham:
- Só confiem em pedra, se não tiver forma de árvore. E não esqueçam o guarda-chuva.

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