Por Dominique Valansi
Para o "Mooder" que quer dar um tempo das saídas sem perder a agitação, uma das opções para ficar em casa e se divertir (muito) é ler os livros do cubano Pedro Juan Gutiérrez.
Ele deixa o clima nostálgico e suave do filme "Buena Vista Social Clube" para trás e apresenta em pequenas crônicas uma outra Cuba: erótica, sensual, mestiça, suja, pobre e sujeita ao clima instável do Caribe, cheio de calor e tempestades.
E também mostra ao leitor, mesmo sem falar diretamente de política, as conseqüências do cruel embargo americano à Cuba que trouxe miséria, fome, o desemprego, a prostituição, e lógico, fugas quase que suicidas para Miami. Para quem gosta de uma literatura à la Charles Bukowski, o autor é a pedida certa.
Em seus dois livros lançados no Brasil pela Companhia das Letras, Trilogia Suja de Havana e O Rei de Havana, ele trata da realidade de seu dia a dia na capital cubana disfarçada em ficção, com sexualidade explícita regada a muito rum e salsa. Sua obra não é, de forma alguma recomendada aos moralistas e santinhas de plantão. Confira um trecho:
"Sexo não é para gente escrupulosa. Sexo é um intercâmbio de líquidos, de fluidos, de saliva, hálito e cheiros fortes, urina, sêmen, merda, suor, micróbios, bactérias. Ou não é. Se é só ternura e espiritualidade etérea, reduz-se a uma paródia estéril do que poderia ser."
O autor muitas vezes retrata em suas crônicas o lugar em que mora: um terraço no oitavo andar de um prédio com vista para o mar que, como muitos em Havana, está caindo aos pedaços. Mesmo assim, ele ama Cuba e repete em entrevistas que não pretende sair de lá.
Pedro Juan Gutiérrez esteve recentemente no Brasil durante a Bienal do Livro. Ele é também jornalista, poeta e escultor. Quando começou a trabalhar, aos onze anos, vendia sorvetes. Depois, trabalhou como soldado, técnico de construção e até cortador de cana-de-açúcar. Hoje, aos 50 anos é um escritor mundialmente famoso, com seus livros sendo vendidos em mais de vinte países, mas que curiosamente não é publicado em Cuba, onde as editoras alegam "razões comerciais" para não publicá-lo.
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