Os Funerais de Mamãe Grande

Por Clarisse Cunha

"Os funerais de Mamãe Grande" é um livro de oito contos do consagrado autor de nosso tempo, Gabriel García Márquez. Dedicado ao "crocodilo sagrado", García Márquez não deixou de lado sua preferência pelo realismo mágico como forma de narrativa, o quê o fez levar o Prêmio Nobel de Literatura em 1982 pelo seu romance "Cem anos de solidão" (aliás, muitíssimo recomendado!). Em "Cem anos", o autor mostra que sabe fazer uso do tal realismo mágico e consegue nos deixar confusos quando ao que é sério, trivial, horrível, lúdico, trágico ou cômico.

Em "Funerais", temos o mesmo tipo de narrativa. Os oito contos presentes neste volume ("A sesta de terça-feira"; "Um dia desses"; "Nesta cidade não existem ladrões"; "A prodigiosa tarde de Baltazar"; "A viúva de Montiel"; "Um dia depois do sábado"; "Rosas artificiais" e "Os funerais de Mamãe Grande", todos de 1962) mostram a vida da população de Macondo, uma pequena cidade na América do Sul muito presente na obra de García Márquez. Um lugar imaginário, misterioso e mágico onde seus habitantes passam por situações maravilhosas e fatais. Todos os extremos são aceitos.

No realismo fantástico (ou mágico), temos a representação e descrição de eventos simples junto com elementos derivados de mitos e contos de fadas. São como que experimentações que confundem e encantam os leitores, além de caracterizar as personagens desta pequena cidade de modo íntimo e envolvente.

É o caso da Mamãe Grande do conto homônimo ao livro. Uma autêntica soberana de Macondo que morre aos 92 anos e deixa a população praticamente em estado de sítio. Tudo pára em função desta mulher que é tida como dona do mundo, literalmente. E a confusão acontece no momento em que ela determina seu testamento pois são inúmeros tanto os dependentes quanto os bens. Hilário e encantador.

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