
Por Sergio Bruno Martins
Neil Gaiman já provou ser um dos autores mais criativos da atualidade. Integrante, junto com Alan Moore e Frank Miller, de uma espécie de "santíssima trindade" dos roteiristas de quadrinhos, ele criou uma obra única, temperada por mitologia, subversões históricas e um certo humor negro. Mais recentemente, Gaiman mostrou a mesma desenvoltura em livros como "Belas Maldições" (em parceria com Terry Pratchett), "Stardust" e o excelente "Neverwhere".
Agora, o autor britânico volta à cena com uma mistura de quadrinhos e literatura. Como o nome do livro já entrega, em "Sandman: The Dream Hunters" Neil Gaiman retoma sua maior criação. A história é uma releitura de uma lenda do Japão medieval. Tudo começa com uma aposta entre um texugo e uma raposa para expulsar um monge de seu isolado templo. A raposa acaba se apaixonando pelo monge, e se vê compelida a salvá-lo da ameaça de um poderoso feiticeiro, o Onmyoji, que planeja matá-lo para roubar sua paz de espírito. Sim, é uma fábula. E deliciosa, diga-se de passagem.
Gaiman domina totalmente esta linguagem, e escreve o texto de uma forma quase contemplativa, em perfeita sintonia com o cenário e o enredo. Em termos de roteiro, o Rei dos Sonhos é apenas um coadjuvante. Mas a temática de seu reino domina a história, tornando-se seu palco principal.
Toda a atmosfera da história é capturada com maestria pelo ilustrador Yoshitaka Amano. Ele acrescenta visualmente ao cenário onírico do livro, tornando-o uma verdadeira experiência. Destaque para a ilustração em quatro páginas do Rei dos Sonhos em seu manto esvoaçante.
A edição (em inglês, capa dura) é muito bem acabada, digna de um colecionador. E se o livro tem um defeito, pode-se dizer que é o seu tamanho. São 125 páginas, algumas com apenas alguns parágrafos, outras várias com ilustrações, que podem ser facilmente lidas em um fim-de-semana. Fica inevitavelmente um gostinho de "quero mais". Como se você tivesse acordado no meio de um sonho bom.
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