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por Clarisse Cunha
RJ
Pachú

DJ Pachú é uma das pessoas mais irreverentes do cenário Hip Hop da cidade… Super envolvido com o que produz, ele não tem papas na língua, fala o que dá na telha e não se liga em pudores alheios. Tido como uma pessoa do bem, tá sempre querendo animar a galera… ultimamente, adotou o Funk e tem botado pra ferver.

Confira o papo que tivemos com ele:

Como começou seu interesse pela música? O que levou você a começar a tocar?
Posso dizer que o fato de eu andar de skate desde dos doze anos de idade, me influenciou a ouvir musicas diferentes das que tocavam no rádio e televisão. O skate tem sua própria cultura, sua própria música. E essa música não vinha ate mim, eu tinha que ir atrás dela. Comecei a tocar em campeonatos de skate e daí pra pistas, foi um pulo. Com o tempo fui sentindo falta de um "acabamento" no meu trabalho. Apenas escolher músicas era muito fácil, eu queria mais que aquilo, queria compor durante o meu trabalho. Juntei dinheiro e comprei um toca-discos. Desde então, tento treinar todos os dias e tirar tudo que eu posso desse maravilhoso instrumento musical, pelo qual sou apaixonado, o toca-discos.

Quais são suas influências?
Meus amigos, meu bairro, o skate, o rap americano da costa leste, a música eletrônica em geral, o funk carioca, a música brasileira... Ah! Muita coisa, até música de vídeo game me inspira, tudo que é feito com coração, e se comunica comigo, eu presto atenção.

Lugares especiais que você já tenha tocado...
Bem sabe como é, as pessoas fazem o lugar. A Zoeira é o lugar onde as pessoas mais se identificam com o meu som, me conhecem e tal, passa um apresenta alguém, passa outro deixa uma cerveja... os meus melhores momentos nos toca-discos foram, definitivamente, na Zoeira.
Outros lugares também tiveram grande valor para mim, uma vez estávamos eu e o DJ Babão em um evento de hip-hop na Mangueira, estava meio vazio, então coloquei dois discos iguais e comecei a fazer uns back to back e alguns garotos da comunidade começaram a chegar perto para observar, todos estavam meio de queixo caído, acho que nunca tinham visto aquilo tão perto. "Realizei" como a técnica é importante e com ela e como que, com vontade, você consegue alcançar qualquer um, em qualquer lugar. Tenho que citar também o Rock in Rio, tocar para tanta gente... não esperava acertar a mão daquele jeito foi irado!

Um bom disco na sua opinião deve....
Pra mim um bom disco é aquele que te surpreende positivamente ou aquele disco que você ouve várias vezes e continua com vontade de escutar... descobre outras faixas que você gosta e nem sabia.

O que você costuma escutar em casa?
Hip-hop, eletro, DB, funk, MPB, jazz... O foda é que eu vejo o disco rodando e tenho vontade de meter a mão nele e fazer algum barulho, às vezes acabo dando preferência a ritmos propícios a isso. Quando realmente quero escutar algo fico com MPB e jazz.

Como você se define enquanto DJ?
Gosto de tentar o difícil, às vezes erro na frente de geral, mas tem dias que a mão tá abençoada e aí é só alegria! Você tenta algo que nem em casa você faz e acerta... a pista vem a baixo, acerta outra, leva o baile acertando, é o melhor da profissão, vai pra casa leve!

Qual o maior problema que os DJs têm que enfrentar hoje em dia?
Promoters, equipamento... tocar vinil é complicado e caro. Falta de infra e profissionalismo, o cara quer que você toque quase de graça e com o CCE que ele pegou emprestado da tia dele, aí não dá para ser feliz.

Para você, como é a relação entre DJ e seu público?
Depende do nível alcóolico e do astral do lugar. O DJ tem que se adequar ao público sem perder as características próprias. Ele tem que ser flexível no set, mas sem perder a personalidade.

E você costuma se adequar ao público?
Sim. Você não está ali para seu bel prazer, mas para fazer as pessoas dançarem. Por isso tem que achar um denominador comum entre o som do DJ e o público. Isso é um exercício para o DJ... Mas pode acabar prejudicando o som. Aí, o DJ tem que estar preparado para qualquer tipo de ocasião. Por exemplo, o Dj anterior toca samba e você entra para tocar rap... tem que saber passar de um para o outro sem esvaziar a pista. Exige treino, não é uma coisa espontânea.

O que caracteriza um público legal?
Tem dois públicos legais. Um é o específico, que conhece o DJ, está lá sabendo exatamente quem é o cara que está tocando. Esse público é mais difícil porque é mais exigente.
Mas tem também o público que está a fim de dançar, não interessa quem é o DJ. Com esse público, a gente tem mais liberdade de criar.

Existe um cenário carioca de música eletrônica?
No Rio não tem cenário eletrônico, porque quase nada é produzido aqui. Apenas reproduzido. Na verdade, falta uma produção de música eletrônica nacional, não tem identidade brasileira. Falta um uso melhor de elementos percussivos brasileiros, samplers, tempero... um sotaque mesmo.
O cenário está engatinhando... e tem ainda o público que não tem conhecimento, então complica. As pessoas não se ligam em quem produz. O negócio é o resultado final.

Qual você acha que será o futuro da música eletrônica no Rio?
Assim que tiver uma cara própria e os DJs produtores pararem de sampliar o que já foi sampliado por outros, a coisa anda. E também, aqui não tem público consumidor.

Você concorda com a afirmação de que a lógica da música eletrônica é a de sair do mainstream?
Alternativo de hoje é mainstream de amanhã. Tem uma mudança na direção do que se usa, do que vira moda. Antes os estilistas ditavam o que as ruas usariam, agora é o contrário. Eles têm que se adaptar à imaginação das ruas.
Agora, a tendência da música eletrônica mais elaborada é dar ao ouvinte uma história, uma viagem que cabe muito melhor numa pista do que numa rádio, que é o sinônimo do mainstream.
A única música que se mantém fora do mainstream é a que quer estar fora. E, por mais que se diga que é uma música fora, é uma música que foi feita para dançar, é pra pista, tudo bem que não é para se ouvir na rádio. Mas, definitivamente, é para ser ouvida e consumida.

Quando pensamos em música eletrônica, pensamos em drogas (ecstasy, ácido, etc.). Você acha isso verdadeiro?
Não precisa ser mas, obviamente, um público que estiver com a consciência alterada por uma química qualquer, tem uma maior probabilidade de se desligar dos conceitos convencionais e ouvir, sem preconceitos, a história que o DJ quer contar no seu set.

Para os DJs, a mixagem é considerada uma arte da composição. Como é isso para você?
É a arte da composição, sim. Veja bem… porque todos os campeonatos de DJs quem ganha são os de hip hop? Porque é o ritmo mais difícil de se passar de uma música para outra. As músicas são cantadas e muitas delas impedem essa passagem, umas já até começam cantadas… e aí, você pode botar uma batida em cima da outra, mas não em cima de uma voz. Então, o tempo de passagem de uma pra outra é menor. Isso forçou os DJs de hip hop a elevarem o nível técnico sobre o toca-discos, precisam de mais ferramentas. Foi aí, inclusive, que a cultura de DJs nasceu. Já os DJs de eletrônica em geral têm mais liberdade e podem explorar melhor a criatividade durante o set. Claro que isso também pode ser feito no hip hop… aí vem o trip hop, onde a onda é exatamente essa… uma viagem musical.

DJ Pachú manda um alô para…
Alan, Dani, Mariana, Aganju, Athria, DJ Dalua, DJ Juan, Dj Mario Bros, DJ Castro, MC Aiara, MC Braga, Mahal.

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