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DJ
Pachú é uma das pessoas mais irreverentes do
cenário Hip Hop da cidade
Super envolvido com
o que produz, ele não tem papas na língua, fala
o que dá na telha e não se liga em pudores alheios.
Tido como uma pessoa do bem, tá sempre querendo animar
a galera
ultimamente, adotou o Funk e tem botado pra
ferver.
Confira o papo que
tivemos com ele:
Como
começou seu interesse pela música? O que levou
você a começar a tocar?
Posso dizer que o fato de eu andar de skate desde dos doze
anos de idade, me influenciou a ouvir musicas diferentes das
que tocavam no rádio e televisão. O skate tem
sua própria cultura, sua própria música.
E essa música não vinha ate mim, eu tinha que
ir atrás dela. Comecei a tocar em campeonatos de skate
e daí pra pistas, foi um pulo. Com o tempo fui sentindo
falta de um "acabamento" no meu trabalho. Apenas
escolher músicas era muito fácil, eu queria
mais que aquilo, queria compor durante o meu trabalho. Juntei
dinheiro e comprei um toca-discos. Desde então, tento
treinar todos os dias e tirar tudo que eu posso desse maravilhoso
instrumento musical, pelo qual sou apaixonado, o toca-discos.
Quais
são suas influências?
Meus amigos, meu bairro, o skate, o rap americano da costa
leste, a música eletrônica em geral, o funk carioca,
a música brasileira... Ah! Muita coisa, até
música de vídeo game me inspira, tudo que é
feito com coração, e se comunica comigo, eu
presto atenção.
Lugares
especiais que você já tenha tocado...
Bem sabe como é, as pessoas fazem o lugar. A Zoeira
é o lugar onde as pessoas mais se identificam com o
meu som, me conhecem e tal, passa um apresenta alguém,
passa outro deixa uma cerveja... os meus melhores momentos
nos toca-discos foram, definitivamente, na Zoeira.
Outros lugares também tiveram grande valor para mim,
uma vez estávamos eu e o DJ Babão em um evento
de hip-hop na Mangueira, estava meio vazio, então coloquei
dois discos iguais e comecei a fazer uns back to back e alguns
garotos da comunidade começaram a chegar perto para
observar, todos estavam meio de queixo caído, acho
que nunca tinham visto aquilo tão perto. "Realizei"
como a técnica é importante e com ela e como
que, com vontade, você consegue alcançar qualquer
um, em qualquer lugar. Tenho que citar também o Rock
in Rio, tocar para tanta gente... não esperava acertar
a mão daquele jeito foi irado!
Um
bom disco na sua opinião deve....
Pra mim um bom disco é aquele que te surpreende positivamente
ou aquele disco que você ouve várias vezes e
continua com vontade de escutar... descobre outras faixas
que você gosta e nem sabia.
O
que você costuma escutar em casa?
Hip-hop, eletro, DB, funk, MPB, jazz... O foda é que
eu vejo o disco rodando e tenho vontade de meter a mão
nele e fazer algum barulho, às vezes acabo dando preferência
a ritmos propícios a isso. Quando realmente quero escutar
algo fico com MPB e jazz.
Como
você se define enquanto DJ?
Gosto de tentar o difícil, às vezes erro na
frente de geral, mas tem dias que a mão tá abençoada
e aí é só alegria! Você tenta algo
que nem em casa você faz e acerta... a pista vem a baixo,
acerta outra, leva o baile acertando, é o melhor da
profissão, vai pra casa leve!
Qual
o maior problema que os DJs têm que enfrentar hoje em
dia?
Promoters, equipamento... tocar vinil é complicado
e caro. Falta de infra e profissionalismo, o cara quer que
você toque quase de graça e com o CCE que ele
pegou emprestado da tia dele, aí não dá
para ser feliz.
Para
você, como é a relação entre DJ
e seu público?
Depende do nível alcóolico e do astral do lugar.
O DJ tem que se adequar ao público sem perder as características
próprias. Ele tem que ser flexível no set, mas
sem perder a personalidade.
E
você costuma se adequar ao público?
Sim. Você não está ali para seu bel prazer,
mas para fazer as pessoas dançarem. Por isso tem que
achar um denominador comum entre o som do DJ e o público.
Isso é um exercício para o DJ... Mas pode acabar
prejudicando o som. Aí, o DJ tem que estar preparado
para qualquer tipo de ocasião. Por exemplo, o Dj anterior
toca samba e você entra para tocar rap... tem que saber
passar de um para o outro sem esvaziar a pista. Exige treino,
não é uma coisa espontânea.
O
que caracteriza um público legal?
Tem dois públicos legais. Um é o específico,
que conhece o DJ, está lá sabendo exatamente
quem é o cara que está tocando. Esse público
é mais difícil porque é mais exigente.
Mas tem também o público que está a fim
de dançar, não interessa quem é o DJ.
Com esse público, a gente tem mais liberdade de criar.
Existe
um cenário carioca de música eletrônica?
No Rio não tem cenário eletrônico, porque
quase nada é produzido aqui. Apenas reproduzido. Na
verdade, falta uma produção de música
eletrônica nacional, não tem identidade brasileira.
Falta um uso melhor de elementos percussivos brasileiros,
samplers, tempero... um sotaque mesmo.
O cenário está engatinhando... e tem ainda o
público que não tem conhecimento, então
complica. As pessoas não se ligam em quem produz. O
negócio é o resultado final.
Qual
você acha que será o futuro da música
eletrônica no Rio?
Assim que tiver uma cara própria e os DJs produtores
pararem de sampliar o que já foi sampliado por outros,
a coisa anda. E também, aqui não tem público
consumidor.
Você
concorda com a afirmação de que a lógica
da música eletrônica é a de sair do mainstream?
Alternativo de hoje é mainstream de amanhã.
Tem uma mudança na direção do que se
usa, do que vira moda. Antes os estilistas ditavam o que as
ruas usariam, agora é o contrário. Eles têm
que se adaptar à imaginação das ruas.
Agora, a tendência da música eletrônica
mais elaborada é dar ao ouvinte uma história,
uma viagem que cabe muito melhor numa pista do que numa rádio,
que é o sinônimo do mainstream.
A única música que se mantém fora do
mainstream é a que quer estar fora. E, por mais que
se diga que é uma música fora, é uma
música que foi feita para dançar, é pra
pista, tudo bem que não é para se ouvir na rádio.
Mas, definitivamente, é para ser ouvida e consumida.
Quando
pensamos em música eletrônica, pensamos em drogas
(ecstasy, ácido, etc.). Você acha isso verdadeiro?
Não precisa ser mas, obviamente, um público
que estiver com a consciência alterada por uma química
qualquer, tem uma maior probabilidade de se desligar dos conceitos
convencionais e ouvir, sem preconceitos, a história
que o DJ quer contar no seu set.
Para
os DJs, a mixagem é considerada uma arte da composição.
Como é isso para você?
É a arte da composição, sim. Veja bem
porque todos os campeonatos de DJs quem ganha são os
de hip hop? Porque é o ritmo mais difícil de
se passar de uma música para outra. As músicas
são cantadas e muitas delas impedem essa passagem,
umas já até começam cantadas
e
aí, você pode botar uma batida em cima da outra,
mas não em cima de uma voz. Então, o tempo de
passagem de uma pra outra é menor. Isso forçou
os DJs de hip hop a elevarem o nível técnico
sobre o toca-discos, precisam de mais ferramentas. Foi aí,
inclusive, que a cultura de DJs nasceu. Já os DJs de
eletrônica em geral têm mais liberdade e podem
explorar melhor a criatividade durante o set. Claro que isso
também pode ser feito no hip hop
aí vem
o trip hop, onde a onda é exatamente essa
uma
viagem musical.
DJ Pachú manda
um alô para
Alan, Dani, Mariana, Aganju, Athria, DJ Dalua, DJ Juan, Dj
Mario Bros, DJ Castro, MC Aiara, MC Braga, Mahal.
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