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Rodrigo Lariú, 27
anos, tem mil e uma utilidades. É produtor (trouxe
para o Rio as bandas Stereolab e Yo La Tengo), é zineiro,
dono do selo Midsummer Madness, criador do festival "Algumas
pessoas tentam te fuder" e DJ, termo que não gosta
muito. Quem quiser conhecer o seu zine, um dos mais antigos
do Rio ainda em atividade (12 anos), pode conferir no site
www.mmrecords.com.br.
Nesta entrevista ele conta suas experiência nas pistas,
seus projetos para este ano, seu idealismo e dá, com
exclusividade, uma lista das suas 10 melhores músicas
para tocar em um festa.
Lariú, em que
você trabalha?
Eu me formei em produção editorial, uma cadeira
de Comunicação da UFRJ, mas trabalho como produtor
de jornalismo na sucursal carioca da MTV, mesmo não
sendo jornalista.
E DJ?
Eu não encaro DJ como uma profissão e nem acho
que DJ seja o termo correto.
Qual é o termo
correto?
Não sei... tocador de música. Há um tempo
atrás podia-se dizer que era DJ, mas hoje em dia com
a música eletrônica, DJ é o cara que faz
a música dele usando discos e faz a seqüência
certa. Eu pego as músicas que eu conheço, que
eu acho legais e discoteco.
E como você
virou "tocador de discos"?
Eu tava tentando me lembrar disso. Eu acho que foi em 93.
Eu fazia um programa de rádio com o Dodô, o Marcos
e o Maradona. Era o College Radio, na Fluminense FM. Um dia
a gente foi numa festa horrível na Basement. A gente
tava achando um saco. Ficamos olhando o cara colocar os discos
e falamos: "Cara isso é muito fácil, vamos
falar pro dono da casa que a gente quer fazer uma festa".
A gente falou com o dono que a gente tinha um programa de
rádio, enchemos a bola. Daí a dois sábados
a gente estava fazendo o College Radio na Basement. Antes
eu já tinha colocado som, sem ter ido pra festa como
DJ ou tocador de música. Eram amigos meus que queriam
fazer festas, o pessoal do Second Come que ia fazer shows
e eu levava uns discos. Ainda não me chamavam de DJ
naquela época.
Onde mais você
já tocou?
Comecei a tocar na Basement, depois a gente foi tocar na Guetto.
Antes disso eu já tinha tocado no esquema free-lancer
no Kitschnet. Depois fui residente na Bang! que foi uma das
experiências mais assustadoras da minha vida. Todo mundo
adorava a Bang! e eu achava um saco. Fui residente também
na Bobage. Coloquei som na Bunker, lugares nada a ver como
o Terraço do Rio Sul, no Mourisco numas festas meio
estranhas. Agora mais recente na Casa da Matriz e Loud!. Toquei
em São Paulo e Curitiba. Era show da Pelvs ou show
de alguma banda da minha gravadora e eu levava os meus discos.
O que você gosta
de tocar?
Eu gosto de tocar o que eu gosto. Por isso que eu acho que
eu não seja lá "O DJ". Parte do trabalho
do DJ é estar ali para ensinar (numa boa, sem ser convencido)
às pessoas coisas novas, outra é entreter. Eu
acho que o tipo de coisa que eu escuto, muita gente acha que
é pra escutar em casa e não pra se tocar em
festa. Mal resumindo seria rock alternativo e derivados. Não
me limito ao rock, gosto de colocar uma coisa ou outra de
hip hop, muita pouca coisa de eletrônica. Quem for em
uma festa que eu estiver colocando som vai escutar basicamente
e mal resumidamente rock alternativo.
Qual a melhor pista
do Rio?
A melhor e eu não sabia, só fui saber quando
acabou era a da Guetto. Apesar do som da casa não ser
o melhor, era a pista mais divertida e era o melhor lugar
para o DJ ficar, que ficava no alto, ninguém enchia
o saco, ninguém vinha falar "Põe aquela
música...". Mas hoje em dia, a melhor pista eu
acho a da Bunker. Apesar de, dependendo da festa, não
ser o melhor lugar para se discotecar mas é a melhor
pista com certeza.
E qual foi a sua melhor
festa?
Foi engraçado que foi uma festa que eu fiz de cara-de-pau,
que acabou sendo divulgada e conhecida como "fecha caixão
da Guetto". A Guetto tava naquela coisa de termina, não
termina e eu anunciei que ia fazer uma última festa.
Sem perguntar pro dono se era a última ou não,
falei que ia ser a última, saiu no jornal como a última.
Era pra ser uma festa do College Radio, que naquela época,
98 se não me engano, era eu e o Dodô como DJ,
mas eu mandei o Dodô pastar e coloquei o som sozinho
e foi a melhor festa que eu já vi na minha vida porque
eu coloquei uma seqüência legal, eu mesmo me diverti
mais e tava cheio pra caramba. E eu tive a impressão
também que as pessoas se divertiram muito porque deu
cinco e meia da manhã e não consegui ir embora
do lugar.
Como você lançou o selo Midsummer
Madness?
O selo não tem nada a ver com a minha função
de tocador de disco. O selo começou por causa do fanzine,
que começou em 89. Aí em 94 eu comecei a colocar
umas fitas junto com o fanzine porque eu falava de bandas
que não tinham disco e era difícil as pessoas
poderem escutar. E eu escutava porque eu recebia as fitas
em casa, então resolvi fazer umas fitas pra acompanhar
o fanzine. Isso deu muito certo, todo mundo gostou. Afinal
de contas eu estava falando de bandas e ninguém sabia
como conseguir. E eu aprimorei a idéia: já que
todo mundo gostou das fitas, eu vou fazer uma gravadora de
fitas, porque eu não tinha dinheiro para lançar
CD. Tudo ancorado no fanzine.
Como está o fanzine?
O fanzine eu parei de fazer a versão impressa porque
é muito caro e dá muito trabalho. Trabalho filosófico,
de sentar e escrever, que eu não tenho esse tempo,
de mandar pra gráfica e de distribuir. A solução
foi transforma-lo em um e-zine que é muito pouco atualizado
mas não deixa de ser, no site do selo. E pra chegar
até quem não tem Internet, eu faço uns
informativos sempre quando sai fita, disco, EP novo, pra entregar
em shows. Assim que der, quero fazer um e mandar pra todo
mundo pelo correio mesmo, como era o fanzine antigamente.
Às vezes você
toca Miami Base e músicas como "Menina Veneno"
do Ritchie. Quais outras pérolas funcionam na pista?
Como eu disse, se alguém for numa festa minha vai resumidamente
ouvir rock alternativo, mas eu acho chato você ir numa
festa e ouvir um tipo de música só. Então,
eu sempre tento jogar umas coisas no meio da festa, quando
as pessoas já estão meio bêbadas que é
divertido. E dependendo do lugar as pessoas levam muito a
sério e não é pra levar. Acham que você
está afrontando-as, principalmente público de
rock que é muito reacionário, não aceita
ouvir coisas engraçadas, pra relaxar. Eu tenho muita
pouca coisa de Miami Base. Eu gosto daqueles funks antigos,
de 1980, que é da primeira safra, Big Boy e Messiê
Limá. Não que eu seja um expert no assunto,
definitivamente não sou, mas hoje em dia fica engraçado
tocar umas coisas anos 80, tipo Ritchie, Miquinhos Amestrados,
que é horrível. Eu não toco porque é
bom. É horrível, mas é justamente porque
é horrível que você escuta e a letra é
engraçada e você dança. A única
coisa que eu toco a sério nas festas e o público
reacionário rock não entende é Motown
que é a semente do rock que eles escutam. E eu faço
questão de tocar em todas as festas e foda-se todo
mundo.
Você como produtor,
trouxe bandas como Stereolab e Yo la Tengo. Quais são
as próximas atrações?
Tanto o fanzine, quanto colocar som, quanto fazer um show,
tudo faz parte de um plano mirabolante de conquistar o mundo
mas para trazer coisas boas. Não tem nenhuma grande
banda que eu vá trazer. Eu gostaria de trazer várias
mas não depende muito de mim, depende de vários
produtores de várias praças como Rio, São
Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Buenos Aires, Santiago. Se
chegarem a um acordo sobre a banda. Não dá pra
trazer só pro Rio. A gente fica muito na espera do
que está sendo tentado. E uma das bandas que está
sendo tentada é Luna, que é de um cara do Galaxie
500. Não vai dar público mas é pelo idealismo.
Tem umas que estão ainda no estágio do sonho,
mas já foram sondadas pra vir. E se vier eu vou gostar
muito de fazer o som que é: Frank Black, Teenage Fanclub
e Belle e Sebastian.
O que você acha
da noite do Rio?
Eu acho a noite do Rio ótima, tem opções
para todo o tipo de som. Tudo tem. A única coisa que
falta é ter mais festas durante a semana. Você
fica muito restrito e sempre final de semana, a culpa não
é das festas, tem sempre um público que está
ali de bobo na história. As festas durante a semana
tendem a ser festas muito mais legais até muito mais
musicais que é o tipo de coisa que eu gosto. Você
vai numa festa pra escutar música legal.
Quais são seus
projetos para esse ano?
Eu tenho projetos fixos da gravadora, do selo. Sempre nas
férias do meio do ano tem o festival que é "Algumas
pessoas tentam te fuder", que é um festival de
bandas do selo com convidados. O show do Stereolab foi dentro
desse festival. A gente tá lançando dois CDs
agora no começo do ano do Astromato e da Pelvs e eu
não sei se vai dar pra lançar mais algum até
o final do ano que o nosso limite é dois, três
CDs por ano e acabou por causa de grana mesmo. Quanto a festas,
colocar som, eu não tenho nenhum projeto exatamente,
eu sou muito chamado para colocar som na festa dos outros.
Uma coisa que eu tenho feito bastante é coletânea
do College Radio, que foi a festa que eu fiquei mais conhecido.
É uma coletânea com as músicas que eu
toco nas festas e que eu gosto de fazer e quero continuar
fazendo.
| Top
10 |
| Ain't No Mountain High |
Marvin Gaye e Tammi Tarrel |
| Some People Try To Fuck
You |
Teenage Fanclub |
| Space Odity |
David Bowie |
| Can We Start Again? |
Tindersticks |
| Celeste |
The Telescopes |
| You Got Me |
The Roots feat. Erykah
Badu |
| Surfista Calhorda |
Replicantes |
| No Macio, No Gostoso |
Astromato |
| Strange |
Galaxie 500 |
| O Telefone Tocou Novamente
|
Jorge Ben |
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