|
Como
começou seu trabalho como DJ?
Comecei há 5 anos atrás em
Niterói tocando em festas de amigos por diversão.
Isso aconteceu na época da faculdade de comunicação.
Tocava de tudo: hip-hop, soul, disco, funk anos 70...
Em que festas você
já tocou? Onde toca atualmente?
Já toquei na Groovy com o Markinhos
Meskita, na Dr. Smith com o Ricardinho NS (lançando
o álbum "30" do Laurent Garnier), nas festas
da Vizoo, na pista de música eletrônica da Festa
Soul (com o Renato Baratcho), na Febre com o Calbuque, no
Festival de todas as Tribos, na Convergente (em Niterói)
com o Memê, em Raves, e por aí vai. Hoje toco
nas Freakouts na Bunker (festa da agência Spin, que
trouxe o inglês Jaques Lu Cont do Les Rythmes Digitales,
o Patife, o Ramilson Maia, etc...) e sou residente na Broken
Beats - noite de drum n'bass/ electro/ breakbeat com o DJ
Mario Bros, às quintas na pista 2 da Bunker. Também
agito em Niterói a festa mensal Super Freak e a Jamléia
(festa com Jam Session que já trouxe nomes como Marcelo
D2, William Magalhães, Arthur Maia, Claudio Zoli, Lenine,
B. Negão etc).
Existe alguma relação
entre compor uma música e mixar uma música?
A mixagem é uma arte? Até que ponto se tem liberdade
para modificar uma música com uma mixagem?
Existe, pois ao manipular, mixar, equalizar
e inserir trechos de outras músicas no seu set, você
modifica uma música a ponto de mudar sua estrutura,
ou seja, você não chega a compor, mas reconstrói
e modifica músicas. Por isso é lógico
que a mixagem é uma arte. Sendo arte, você tem
liberdade total. Quanto a compor, um dia eu quero produzir
minhas próprias músicas, mas por enquanto falta
tempo.
Como as pessoas têm
reagido à difusão da música eletrônica
nas festas cariocas?
Hoje em dia elas até que tem reagido
bem. Mas há exceções. Tem gente que acha
que tudo é "techno". As rádios "contribuem"
muito para isso. É um absurdo DJs e locutores anunciarem
numa rádio que o lixo que eles tocam é techno.
A música eletrônica tem várias vertentes.
Os desinformados dizem que eu sou DJ de techno. Eu sempre
tenho que dizer: "Eu não toco techno!!! Eu toco
breakbeat!!! Drum n' bass!!! Electro!!!" Mas hoje é
mais fácil você ir aos lugares certos. A segmentação
das festas e a informação (via flyers, imprensa
e boca a boca) faz com que você já saiba o que
vai ouvir numa determinada festa.
O que você tem
na sua prateleira de CDs?
Tenho de tudo um pouco: hip-hop, soul, disco,
funk anos 70, bossa-nova, acid jazz, big beat, breakbeat,
trip-hop, mpb, drum n' bass, house, techno e por aí
vai. Mas a prateleira mais importante é a dos discos
de vinil. CD é bom pra ouvir em casa, no carro, no
trabalho. Pra discotecar, bom mesmo é o vinil.
O que é necessário
para começar a trabalhar como DJ?
O essencial para começar é
coerência e bom gosto. A técnica vem depois.
Qual a maior recompensa
em se trabalhar como DJ? Dá para ganhar alguma grana?
A maior recompensa é se divertir
e ver o seu trabalho reconhecido. É super legal você
ouvir o povo gritando, amarradão, enquanto você
toca. Aos poucos você vai vendo que cativou um público.
Você começa a reparar e a conhecer pessoas que
passam a te acompanhar pra te ouvir. Isso é o grande
barato. Dá pra ganhar grana sim. Mas não muita.
Só os tops conseguem viver da noite. Eu sempre gasto
muito mais do que eu ganho em discos. Ainda bem que eu tenho
um emprego. Sou publicitário.
|