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por Laura Cavallieri
RJ
David Tabalipa

Como começou seu trabalho como DJ?

Comecei há 5 anos atrás em Niterói tocando em festas de amigos por diversão. Isso aconteceu na época da faculdade de comunicação. Tocava de tudo: hip-hop, soul, disco, funk anos 70...

Em que festas você já tocou? Onde toca atualmente?

Já toquei na Groovy com o Markinhos Meskita, na Dr. Smith com o Ricardinho NS (lançando o álbum "30" do Laurent Garnier), nas festas da Vizoo, na pista de música eletrônica da Festa Soul (com o Renato Baratcho), na Febre com o Calbuque, no Festival de todas as Tribos, na Convergente (em Niterói) com o Memê, em Raves, e por aí vai. Hoje toco nas Freakouts na Bunker (festa da agência Spin, que trouxe o inglês Jaques Lu Cont do Les Rythmes Digitales, o Patife, o Ramilson Maia, etc...) e sou residente na Broken Beats - noite de drum n'bass/ electro/ breakbeat com o DJ Mario Bros, às quintas na pista 2 da Bunker. Também agito em Niterói a festa mensal Super Freak e a Jamléia (festa com Jam Session que já trouxe nomes como Marcelo D2, William Magalhães, Arthur Maia, Claudio Zoli, Lenine, B. Negão etc).

Existe alguma relação entre compor uma música e mixar uma música? A mixagem é uma arte? Até que ponto se tem liberdade para modificar uma música com uma mixagem?

Existe, pois ao manipular, mixar, equalizar e inserir trechos de outras músicas no seu set, você modifica uma música a ponto de mudar sua estrutura, ou seja, você não chega a compor, mas reconstrói e modifica músicas. Por isso é lógico que a mixagem é uma arte. Sendo arte, você tem liberdade total. Quanto a compor, um dia eu quero produzir minhas próprias músicas, mas por enquanto falta tempo.

Como as pessoas têm reagido à difusão da música eletrônica nas festas cariocas?

Hoje em dia elas até que tem reagido bem. Mas há exceções. Tem gente que acha que tudo é "techno". As rádios "contribuem" muito para isso. É um absurdo DJs e locutores anunciarem numa rádio que o lixo que eles tocam é techno. A música eletrônica tem várias vertentes. Os desinformados dizem que eu sou DJ de techno. Eu sempre tenho que dizer: "Eu não toco techno!!! Eu toco breakbeat!!! Drum n' bass!!! Electro!!!" Mas hoje é mais fácil você ir aos lugares certos. A segmentação das festas e a informação (via flyers, imprensa e boca a boca) faz com que você já saiba o que vai ouvir numa determinada festa.

O que você tem na sua prateleira de CDs?

Tenho de tudo um pouco: hip-hop, soul, disco, funk anos 70, bossa-nova, acid jazz, big beat, breakbeat, trip-hop, mpb, drum n' bass, house, techno e por aí vai. Mas a prateleira mais importante é a dos discos de vinil. CD é bom pra ouvir em casa, no carro, no trabalho. Pra discotecar, bom mesmo é o vinil.

O que é necessário para começar a trabalhar como DJ?

O essencial para começar é coerência e bom gosto. A técnica vem depois.

Qual a maior recompensa em se trabalhar como DJ? Dá para ganhar alguma grana?

A maior recompensa é se divertir e ver o seu trabalho reconhecido. É super legal você ouvir o povo gritando, amarradão, enquanto você toca. Aos poucos você vai vendo que cativou um público. Você começa a reparar e a conhecer pessoas que passam a te acompanhar pra te ouvir. Isso é o grande barato. Dá pra ganhar grana sim. Mas não muita. Só os tops conseguem viver da noite. Eu sempre gasto muito mais do que eu ganho em discos. Ainda bem que eu tenho um emprego. Sou publicitário.


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